(Texto escrito em parceria com Biane Motta**)
A
pérola encanta e fascina desde os primórdios da
humanidade por sua beleza inata. Conhecida como "Lágrima
dos Deuses" pela mitologia, a pérola traz também
significados místicos e religiosos. Na tentativa de desvendar
seu surgimento, o homem fez uso de muita imaginação
para compreender este maravilhoso milagre da natureza. A formação
da pérola contém toda esta magia por ser a única
gema que é oferecida pronta pela natureza, por isso a consideramos
um presente. Graças à ousadia humana, hoje a pérola
pode ser produzida em larga escala - é o que chamamos de
pérola cultivada.
Gema
orgânica produzida por moluscos perlíferos, a pérola
pode ser natural ou cultivada, e tanto uma quanto outra podem
se originar em água salgada ou doce
A pérola
natural é aquela que provém de uma ostra sem a ajuda
do homem, onde um agente externo entra acidentalmente dentro da
mesma e este agente irritante provoca a formação
de uma substância chamada nácar que vai envolvendo
o grão até a formação completa da
pérola.
A pérola
cultivada tem basicamente o mesmo princípio de formação
da pérola natural, só que nesta o homem dá
sua contribuição para que a mesma possa ser produzida
em uma escala comercial. Esta acontece da seguinte maneira: As
ostras são criadas em cestos ou gaiolas, até atingirem
a idade de 3 a 4 anos, são então introduzidos esferas
de madrepérola para serem o núcleo e um pedaço
do epitélio para ser o agente irritante, assim inicia-se
a produção de nácar. Após a inserção
do núcleo, as ostras são devolvidas à água,
permanecendo por um período de 2 a 3 anos (se permanecerem
por mais tempo corre-se o risco das pérolas deformarem
ou os animais adoecerem). Após este período o nácar
adquire uma espessura de aproximadamente 0,8 a 1,2 mm, então
os moluscos são retirados da água e as pérolas
colhidas de seu interior. Geralmente os moluscos morrem neste
momento.
As pérolas
cultivadas de água-doce são também denominadas
pérolas Biwa. Nos anos cinqüenta, o lago Biwa, em
Kyoto (Japão) foi o pioneiro no processo de cultivo de
pérolas.
No
processo de avaliação de uma pérola devemos
levar em consideração seu formato, cor, tamanho
e brilho. Quanto ao formato, podemos dizer que as pérolas
podem variar de perfeitamente esféricas a barrocas, sendo
as esféricas as mais valiosas.
As
pérolas são encontradas em várias cores e
as mais comuns são: rosa, branca, bege e amarela. As pérolas
cultivadas no Thaiti podem ser encontradas nas cores preta, cinza,
azul, roxa e marrom. Das pérolas cultivadas, a preta é
a mais rara.
Para melhorar
ou mudar suas cores, as pérolas podem passar por processos
de descoramento, tingimento ou radiação. Seu tamanho
é influenciado pelo tamanho do núcleo inserido (se
houver) e pelo tempo de cultivo - sendo que o mesmo pode variar
desde o tamanho de uma cabeça de alfinete até o
tamanho de um ovo de um pombo. A maior pérola encontrada
tem 5cm de diâmetro, pesa 450 quilates e se encontra no
museu de South Kensington (Londres).
Podemos também
avaliar o grau de brilho da pérola. Quanto mais lustro
ou brilho ela tiver, mais valorizada será.
A pérola
precisa passar pelo processo de perfuração para
que possa ser utilizada em colares. Este processo se chama encordoamento
ou fiação de pérolas, que pode ser com ou
sem nós. De acordo com o tamanho do colar montado podemos
classificá-los conforme a tabela abaixo:
Coleira: 30
a 35cm
Gargantilha: 35 a 40cm
Princesa: 43 a 48cm
Ópera: 70 a 85 cm
Matine: 50 a 60 cm
Corda: 110cm ou mais
Cuidados
com as Pérolas:
As pérolas
possuem dureza de apenas 2,66 mohs, por isso são frágeis,
delicadas e precisam de cuidados especiais.
- Nunca limpe
pérolas com jatos de vapor ou materiais abrasivos.
- Por serem porosas, não devem entrar em contato com água
ou umidade, e deve-se evitar utilizá-las em praia, piscina
ou banho.
- Não passar perfume, laquê ou cremes sobre as pérolas.
Não expor as pérolas ao calor do secador de cabelos.
- Se entrarem em contato com o suor, devem ser limpas com uma
flanela ligeiramente úmida.
- Elas devem ser guardadas em saquinhos de pano ou caixinhas.
Não utilizar embalagens plásticas.
- Reencordoar sempre que necessário, para evitar o escurecimento
das pérolas.
Com estes cuidados suas pérolas durarão muito mais,
e caso sua jóia precise de conserto leve-as a um ourives,
certificando-se que o mesmo tenha o conhecimento e experiência
necessários ao manuseio das pérolas.
**Biane
Motta é formada em design pela Universidade de Belas Artes
de São Paulo, com especialização em design
de jóias em Milão (Instituto de Moda Burgo). É
professora no Espaço Mix Escola de Arte e Joalheria, cria
jóias personalizadas e atua também em indústrias.
**Fale
com Pat Peixe:
Este é um espaço criado para o leitor, para esclarecimento
de dúvidas sobre a matéria ou sugestões.
Basta enviar um e-mail para patricia@atelieespacomix.com.br |