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A BUSCA PELO NOVO


Patrícia Rodrigues *


Patricia Rodrigues


Uma das maiores característica de uma vitrina é o impacto do novo; quando perdemos este impacto perdemos sua essência.

A padronização adotada nos últimos anos pela maior parte das lojas no mundo está tirando a essência primeira da vitrina. Ser bela é obrigação!

Desde que acordamos até a hora que vamos deitar somos bombardeados por imagens e todas, diga-se de passagem, dentro do limite do belo, pois hoje o mundo pede que este seja o mínimo apresentado. No caminho de nossa casa até o escritório vemos diversos anúncios, outdoor, busdoor, etc com infinitas informações, mas nem mesmo viramos a esquina e já "esquecemos" da imagem observada.

O visual merchandising tem entre suas funções resgatar fragmentos destas imagens armazenadas por nosso cérebro. E, ao chegarmos a um ponto de venda e o mesmo não estiver preparado para que esta conexão ocorra, toda mídia ficou comprometida, faltou um elo nesta cadeia de informação.

Agora imagine todas as lojas com a mesma programação visual...
Na verdade isto causa não apenas desinteresse, como nos leva a certa confusão de 'quem é quem'. A individualização da marca fica comprometida, sua identidade se funde com infinitas outras lojas.

A busca pelo novo para muitos empresários (para ponto de venda) deixou de ser importante; em muitos casos eles simplesmente acompanham as tais tendências que ouviram falar, ou ainda copiam o que puderam ver em suas viagens.

E o novo? E a surpresa?
Ah! Isto é meramente um detalhe, o importante é que usamos uma receita que deu certo para alguma empresa, desta forma não corremos riscos.

Isto, sem sombra de duvida é uma verdade, mas também não diz nada, sua presença de ponto de venda é apenas mais uma que acompanha o painel de sua concorrência ou o manequim vem do mesmo importador ou, quem sabe, alguns esperam que o consumidor erre a porta de entrada e caia dentro da sua loja, uma vez que todas são iguais.

Esta realidade tem suas honrosas exceções, que deveriam estar sendo copiadas na atitude e não no visual.
O cliente é atraído pelo diferente, ele busca ser surpreendido no ponto de venda como acontece nas campanhas de mídia, nos desfiles. Porém isto ocorre cada vez menos.

O visual merchandising é a ultima etapa de uma corrente de ações de comunicação - ele é o elo definitivo, sua função de Top Mind precisa muito mais do que uma exposição casual para se completar.

A postura de uma busca constante pelo novo é condição fundamental para dar identidade e personalidade ao ponto de venda.


Patrícia Rodrigues * - Designer de vitrine e sócia-proprietária da Vitrina&Cia


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