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O SUBSEQÜENTE TRATAMENTO TÉRMICO DE GEMAS IRRADIADAS POR COBALTO-60 (RADIAÇÃO GAMA)


Maurício Favacho *



Saber tratar termicamente as gemas submetidas primariamente ao tratamento por radiação gama (cobelto 60) é uma tarefa muito importante. Muitos comerciantes de gemas já dominam técnicas de aquecimento, que de um modo geral são realizadas em fornos casieros (ou tipo mufla), em temperaturas que não ultrapassem os 500ºC.
Aqui veremos alguns minerais irradiados e seu subseqüente tratamento térmico.

TOPÁZIOS

Topázios incolores quando submetidos ao tratamento por radiação gama voltam ao cliente com a cor fumê. A cor azul tão desejada vai aparecer após subseqüente tratamento térmico em temperaturas na faixa dos 150º a 180ºC, aplicado em fornos convencionais. Essa temperatura não é uma regra. Irá depender da origem do topázio, porém valores mais elevados tendem a deixá-lo esbranquiçado.

Se depois de passar por irradiação gama o topázio venha a apresentar tons de “coca-cola”, já é uma garantia que após o tratamento térmico ele obterá um azul excelente. O Topázio azul irradiado com gama é o preferido dos joalheiros, pois possui o tom similar ao da água-marinha, em contraste com os topázios irradiados por outros métodos como aceleradores de elétrons e neutrons.

QUARTZOS

Quartzos irradiados tipo green-gold, quartzos conhaques e quartzos beer, apresentam tratamento térmico em temperaturas variáveis entre 180 a 360ºC. O tempo de exposição ao calor deste material também é variável: cerca de 15 minutos em aquecimento rápido até aquecimentos que envolvem cerca de duas horas com resfriamento lento e gradual.


Quartzos green-gold, conhaque e beer tratados por radiação gama e subseqüente tratamento térmico (180 a 350ºC)

Diferentemente, a prasiolita (ametista verde - que também é uma espécie de quartzo irradiado abundantemente), após a aplicação da radiação gama, necessitará apenas da simples exposição aos raios ultravioletas do sol ou de lâmpadas especiais que contenham este tipo de luz, procedimento que deixa a gema com verde mais puro e acentuado, sem tons acinzentados. Um grande diferencial no tratamento de prasiolitas é que o tom verde já pode ser observado logo após a irradiação do material, o que não acontece com o quartzo green-gold, conhaque e beer, que voltam da radiação gama totalmente escuros. Em relação à prasiolita, é necessária a exposição ao sol durante três dias no mínimo. Todos os quartzos apresentam excelente estabilidade de cor após os referidos processos.

BERILOS

Grande parte dos berilos incolores (Goshenitas) submetidos à radiação gama apresentam cerca de quatro possibilidades:
1- podem tornar-se amarelos (heliodoros),
2- podem tornar-se berilos verdes,
3- podem tornar-se berilos róseos (morganitas)
4- podem tornar-se berilos azuis (maxixe - não comercial).

Nos berilos incolores que após irradiação apresentam-se amarelos, tons fumês indesejados entram no seu escopo e a filtragem com a simples exposição ao sol é necessária em alguns casos. O amarelo transforma-se em laranja; berilos incolores que adquirem cor verde já voltam no tom desejado; berilos róseos (morganitas) podem ser conseguidos após a queima de berilos verdes irradiados ou depois da queima de berilos azuis (maxixe) em temperaturas entre 240ºC - 280ºC.

Berilos amarelos após irradiação e suseqüente tratamento térmico à baixa temperatura ou simples exposição ao sol
Na maioria dos casos em que berilos incolores culminam no aparecimento de berilos verdes após irradiação, estes não necessitam de subseqüente tratamento térmico. Alguns comerciantes de gemas preferem vendê-los com esta cor; outros os submetem à queima, para transformá-los em róseos.
Berilos azuis (maxixe) originados através de aplicação de radiação gama.
Tal material apresenta baixa foto-estabilidade e não deve ser comercializado; esta cor é perdida em alguns dias. No entanto, em alguns casos, berilos deste tipo podem ser aquecidos a temperaturas de 240ºC, passando para morganitas com cores estáveis termicamente.

TURMALINAS (RUBELITAS e TURMALINAS ROSA)

Turmalinas róseas, como as da foto ao lado, saem da natureza com um tom desbotado; as cores mais intensas observadas em joalherias são produtos de radiação gama. O procedimento é o seguinte: gemas deste tipo devem ser submetidas primariamente a um desbotamento completo a uma temperatura de aproximadamente 600ºc antes de serem submetidas à radiação gama. Após o tratamento, em geral, a gema já volta na cor.

---> Brincos em ouro 18k, turmalinas rosa e topázios
(design by Hamilton Miranda - patrocínio: Manoel Bernardes - foto: Almir Pastore)

Rubelitas são casos mais específicos. Geralmente, elas saem da natureza também rosadas, porém pode-se preferir que se tornem vermelhas por se tratar de uma variedade de turmalina de valor mais acentuado quando comparada com as rosadas. Ou seja, há uma agregação fantástica de valores quando tal material é susceptível ao processo com raios gama. Cores cinza (indesejadas) podem vir após a radiação.

Seu tratamento térmico também não é muito simples para deixá-la com o vermelho sangue de pombo. Para tal, deve-se aquecer lentamente este material durante três dias em forno com temperatura controlada.
1- Deve se aquecer durante 1 dia até chegar em 150ºC
2- No segundo dia passar para 250ºC
3- No terceiro dia subir para a temperatura de 275ºC

 

KUNZITAS

Após ser submetido à radiação gama, o mineral espodumênio (incolor ou levemente rosado) pode originar o aparecimento da kunzita - ou também da hidenita (espodumênio verde). Neste último caso, a cor verde é instável e o mineral torna-se “não comercial”. Entretanto, algumas hidenitas irradiadas com gama podem originar a cor rósea das kunzitas (cor estável), a aproximadamente uma temperatura de 240ºC.
Espodumênios da região de Itamarandiba-MG e espodumênios do Afeganistão têm sido tratados na Embrarad com excelente resultados em suas cores, como mostra a foto ao lado. Uma dica para o tratamento de kunzita é comprar o espodumênio incolor com topo do cristal levemente azulado.

 


*Mauricio Favacho - Geólogo, Gemólogo Especialista pela UFPa, Mestre em gemologia pela UFMG, Gemólogo Consultor da EMBRARAD - Empresa Brasileira de Radiações no que se refere ao tratamento de gemas por irradiação gama (cobalto-60). Possui diversos artigos científicos publicados na área de tratamentos de gemas. É um dos autores do livro GEMAS DE MINAS, da Sociedade Brasileira de Geologia-SBG.
e-mail: mfavacho@terra.com.br

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