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Rei
de Mushki (Frígia, norte da Ásia Menor) esse ambicioso
soberano não se contentava com toda a riqueza guardada nos
porões do seu castelo. Conferia várias vezes por dia
os conteúdos de seus baús preciosos. Seu maior objetivo
era ter sob seu poder todo o ouro do mundo.
Passou
por dois episódios bizarros junto aos deuses do Olimpo. Um
deles rendeu-lhe uma fama que persiste até nossos dias.
Depois
de muito beber, o sátiro Sileno, fiel seguidor de Baco (deus
do vinho), perdeu-se numa floresta onde adormeceu profundamente.
Esta
floresta estava sob os domínios de Midas. Camponeses encontraram
aquela criatura com corpo de homem e pés de bode e a levaram
ao seu rei. Esse, vislumbrando a possibilidade de ganhar a simpatia
de Baco, acolheu Sileno em seu castelo por 10 dias e 10 noites onde
lhe ofereceu festas regadas a vinho, iguarias, danças e cantorias.
Após
esse período Midas levou Sileno à presença do
deus Baco que, feliz por rever o amigo, ofereceu ao rei a realização
de qualquer pedido.
Midas
viu aí a possibilidade de alcançar sua maior ambição.
Queria tornar-se a criatura mais rica da terra. Imediatamente pediu
ao deus o poder de transformar tudo o que tocasse em ouro. Baco previu
a tragédia à qual o mortal se submeteria. Mesmo assim
atendeu prontamente ao pedido.
Midas
quis “testar” essa nova capacidade e pegou uma pedra do
chão. Com surpresa e alegria viu transformar-se no nobre metal.
Um ramo de árvore, também puro ouro.
Mas
a hora do almoço chegara. Midas pegou o pão para cortar-lhe
uma fatia e logo viu que não poderia comer ouro. O mesmo aconteceu
com todos os outros alimentos oferecidos, carnes, legumes, frutas.
Em desespero tentou beber água, mas ao tocar seus lábios
as gotas eram douradas e metálicas.
Da
mesma forma percebeu que não poderia descansar sobre leitos
macios nem acariciar as criaturas que amava.
Percebeu
o quanto foi precipitado e insensato. Correu à procura do deus
suplicando que lhe retirasse o dom. Baco orientou-o a banhar-se nas
águas do rio Pactolos. Desse dia em diante as areias do rio
adquiriram a coloração amarela brilhante. Além
disso, seu leito “ganhou” pepitas de ouro.
Assim,
Midas perdeu seu ambicioso dom de transformar tudo o que tocasse em
ouro.
Esta
lição levou Midas a renunciar por completo aos bens
materiais. Passou a conviver modestamente com pobres camponeses.
A
riqueza material pode oferecer muitas vantagens mas não tudo
o que precisamos para sermos “realmente” felizes.
Bibliografia
Coletânea
Mitologia
Abril Cultural
A
Grécia. Mitos e Lendas
Alain Quesnel (Trad.: Ana Maria Machado)
Editora Ática, 1996
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