Especialista na arte da Simbologia, o homem
explorou ao máximo esse elemento de beleza e mistério.
A pérola está inegavelmente
ligada à lua, à água e à mulher. Nascida das águas,
numa concha, representa o princípio Yin, a feminilidade
criativa. A semelhança entre a pérola e o feto lhe
confere propriedades genésicas e obstétricas. Desse
triplo simbolismo (Lua - Água - Mulher) derivam suas
propriedades mágicas, medicinais, ginecológicas.
Na Pérsia antiga, a pérola intacta
era o símbolo da virgindade. O termo "furar a
pérola da virgindade" está associado à
consumação do matrimônio.
No Oriente é considerada afrodisíaca,
fecundante, um talismã.
Na China e Índia é o símbolo da
imortalidade, daí o fato de colocarem uma grande pérola
na boca do morto, para regenerá-lo e inseri-lo num ritmo
cósmico, cíclico, que, à imagem das fases da lua,
pressupõe nascimento, vida, morte e renascimento. Outra
ligação que se faz a esse antigo costume é o do óbolo
oferecido ao barqueiro da morte Caronte, elementos da
Mitologia.
Na Grécia antiga era sinônimo de amor e
casamento. Símbolo também de Afrodite (Vênus) nascida
da espuma do mar.
Escritos cristãos antigos retratam o
Cristo como "a grande pérola que Maria
carrega".
Os celtas associaram as pérolas à
força vital e usavam-nas para energizar um recipiente,
conhecido como Vasilha Mãe, que mais tarde foi chamado
Cálice Sagrado, fonte da imortalidade.
 Simbolismo forte também é o das
pérolas enfiadas em um cordão. É o rosário, o Sutratma,
a cadeia dos mundos, penetrados e unidos por Atma,
o Espírito Universal. Assim, o colar de pérolas
simboliza a unidade cósmica do múltiplo, a integração
dos elementos dissociados de um ser na unidade da pessoa,
o relacionamento espiritual de universo desequilibrado,
da unidade rompida.
A pérola é pura e preciosa, porque é
retirada de uma água lodosa, de uma concha grosseira, e
surge tão bela, tão límpida. Há uma certa aura de
magia que a cerca.
A origem mítica mais comum menciona
conchas fecundadas através de temporais, pelo trovão, o
dragão celestial, e sendo alimentadas pela luz da lua,
gerando então a pérola.
No texto paleocristão "Physiologus"
encontramos um trecho belíssimo que diz: "Há uma
concha no mar que leva o nome de concha purpúrea. Ela
emerge do fundo do mar . . . abre sua boca e bebe o
orvalho do céu e o raio do sol, da lua e das estrelas, e
por intermédio dessas luzes superiores produz a
pérola... " As duas cascas da concha são
comparadas ao Antigo e Novo Testamento, a pérola em seu
interior é Jesus, o Salvador.
Textos antigos mencionam a presença de
conchas próximas às margens do Mar Vermelho, todas com
a "boca aberta", como que à espera de algo
comestível. Durante uma tempestade furiosa, o raio
penetra na concha, essa se assusta e fecha suas cascas. O
raio em seu interior contorna seus globos oculares
transformando-os em pérolas. Agonizantes as conchas
morrem, mas as pérolas resplandecem em beleza às
margens do Mar Vermelho.
São muitas as histórias, lendas,
crenças e superstições a respeito dessa gema
orgânica, sem dúvida a mais mística de todas.
O "Hino da
Alma" atribuído ao gnóstico Bardesane, datado dos
primeiros séculos da era Cristã, fala de uma criança
que é enviada ao Egito para encontrar uma pérola
escondida no fundo de um poço protegido por um dragão.
A criança é o homem, sua caminhada em busca da pérola
representa as peregrinações da vida. Após comer
alimentos do lugar o menino se esquece de sua missão.
Uma águia traz-lhe então uma carta relembrando-o
- a carta é a doutrina da salvação que vai
ajudá-lo a encontrar a pérola, a iluminação, a gnose.
Numa antologia medieval de novelas (Gesta
Romanorum) há um texto que menciona uma jovem possuidora
de uma pérola rara (livre arbítrio). Seus cinco irmãos
(os sentidos) queriam trocar a pérola pelas alegrias dos
sentidos, o que ela recusou. Quando surgiu o
"rei", ela entregou-lhe a pérola e tornou-se
sua esposa.
Já esteve associada às lágrimas, mas
como símbolo da virtude que fortifica os espíritos
vitais que nascem do coração. Há um dito muito
conhecido por joalheiros da Europa oriental que diz:
"As pérolas em que acreditamos nos trazem lágrimas
prateadas como a lua, mas são lágrimas de
alegria".
Passam os tempos, surgem novas e
modernas tecnologias, o homem redescobre suas fronteiras
intelectuais e, mesmo assim, a Pérola, em toda a sua
beleza e misticismo, continua a intrigar e atrair...
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