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CADA SOCIEDADE TEM O "PATO MANCO" QUE MERECE

por André Luiz Nunes Silva (*)



outubro / 2008

A pouco mais de 30 dias para as eleições presidenciais americanas, Mr. Bush anda mais manco do que nunca e, neste vácuo de autoridade, a crise vai se desenvolvendo de forma rápida, cada vez mais letal.

Por mais que Mr. “lame duck” Bush tente, sua influência sobre democratas e republicanos é completamente nula, conforme observado em sua dificuldade de aprovação do plano de socorro ao mercado financeiro pelo congresso Americano e seus fiéis escudeiros do momento, Mr. Bernake e Mr. Paulson, têm se mostrado inaptos negociadores, verdadeiros elefantes na loja de cristais.

Neste momento os mercados precisam de liderança, da mão firme das instituições públicas muito mais do que uma regulamentação pesada, e não de um “crony capitalism”, ou capitalismo de compadres, onde se escolhem os que vão ser socorridos e os que vão ser largados à própria sorte; onde se escolhem quais os “Lehman Brothers” que podem quebrar e quais os “Goldman Sachs” que não podem. Ou, como dizia Sir Winston Churchill, "Os EUA, invariavelmente, fazem a coisa certa depois de esgotadas todas as outras alternativas".

No Brasil, na esteira de nosso subdesenvolvimento latente, copiamos tudo que vem de fora e, às vezes, conseguimos a proeza de piorar o modelo original. Por aqui não temos um “capitalismo de compadres”, é muito pior. Temos um “capitalismo de comparsas”, como muito bem observou James Roberts, pesquisador da Heritage Foundation Americana em entrevista recente, onde afirma que “os dois fatores que empurram o país ladeira abaixo são a corrupção e a falta de liberdade financeira”. Somos o país dos PeTralhas, muito bem definido por Reinaldo Azevedo.

Eu diria que são muitos os fatores que empurram nosso país ladeira abaixo, mas o maior e mais complexo de todos é o baixíssimo nível educacional de nossa população, em todas as classes sociais. O despreparo de nossas autoridades no trato de uma crise tão complexa quanto a que estamos vivenciando no momento é no mínimo chocante, mas não inesperado.

Os últimos seis anos de governo Lula foram de vento a favor e, pela primeira vez, estamos realmente enfrentando uma tempestade de dimensões bíblicas e não uma “marola” como afirmou o presidente, nunca uma “pequenininha gripe” como afirmou a Ministra Dilma Rousseff. A crise é séria e as atitudes deveriam ser compatíveis com a seriedade da situação.

Quando o presidente Lula afirma que “os palpiteiros” americanos finalmente estão pagando o preço de terem especulado no “cassino” de Wall Street com dinheiro público, ou quando incentiva a população a continuar gastando e se endividando em um momento de crise, de encurtamento e encarecimento do crédito - quando o correto é poupar para se proteger do pior cenário que se aproxima, ou quando afirma que empresas brasileiras perderam dinheiro porque “estavam especulando contra a moeda brasileira” e na verdade elas estavam acreditando que a moeda nacional iria continuar a se valorizar, ou quando questiona no palanque, de onde ainda não saiu nos últimos seis anos - “cadê o FMI que não viu este cassino?”, eu chego à conclusão que nosso “pato” não é manco. É surdo, é cego e é pouco informado dos fatos que o cercam, de forma que cada sociedade tem o “pato” que merece.



(*) André Luiz Nunes Silva
- é Diretor Presidente da Fitta DTVM.
andreluiz@fittadtvm.com.br

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