A sucessão de anúncios recentes de números negativos referentes ao desempenho da economia Européia e da economia Asiática durante o segundo trimestre de 2008, com quedas de -0,2% do PIB da Zona do Euro, de -0,5% do PIB da Alemanha e de -0,6% do PIB do Japão, reacendeu a perspectiva de curto prazo de uma nova rodada de redução das taxas de juros nestes países, de forma a evitar a aceleração da recessão econômica que se vislumbra no horizonte de curto prazo.
Desta forma, o fluxo de investimentos financeiros globais, que nos últimos anos havia migrado de ativos indexados ao dólar americano para ativos indexados a outras moedas e também para as principais commodities, começa a fazer o caminho de volta para casa, diante da perspectiva de redução da taxa de juros real paga por estes países, assim como da redução do consumo das commodities, ambos em função do desaquecimento econômico que se alastra como um vírus letal nas principais economias globais, trazendo pelo menos, como efeito colateral positivo, a perspectiva de um cenário de inflação global menos pressionada, principalmente pelo retorno do preço do barril do petróleo a patamares mais racionais do ponto de vista de oferta e demanda real.
A principal economia mundial sofre do mesmo mal, uma crise imobiliária seguida de “credit crunch”, que derreteu os principais bancos americanos e derrubou a atividade econômica doméstica, fortemente dependente do consumo de uma classe média cada vez mais endividada e cada vez mais sem lastro e sem perspectiva.
A solução encontrada até o momento para se evitar uma recessão ainda mais forte foi expandir o crédito com farta distribuição de dinheiro público, seja através de linhas de crédito subsidiadas para os agentes financeiros em dificuldade ou pelo aumento generalizado do gasto público. Ou seja, é uma tentativa de curar a doença tentando uma “overdose” do próprio vírus que a causou, cuja eficácia desde a grande depressão americana da década de 30 do século passado se mostra muito baixa, demonstrando que o mercado financeiro é um ser que não aprende com seus próprios erros.
Na contra-mão deste cenário internacional, ficamos com um Banco Central "Tupiniquim", que segue em sua ortodoxia monetária extrema, sempre abatendo a galinha ainda antes que ela consiga realizar seu vôo desengonçado, curto e sem direção, onde nossos políticos não enxergam que o exagerado tamanho do Estado é nosso pior carma, planejando inclusive a criação de novas estatais ao estilo do “o petróleo do pré-sal é nosso”, atitude não só “démodé” por extemporaneidade, mas absurda em si mesma, infelizmente na mesma linha da “overdose” do próprio mal. E nossa economia segue subdesenvolvida.
“Numa economia de mercado que funcione sem entraves públicos, os capitalistas e os empresários não podem esperar vantagens pela corrupção de políticos e funcionários públicos. E, por outro lado, os funcionários públicos e os políticos não têm instrumentos para chantagear ou extorquir suborno dos homens de negócios. Num país intervencionista do ponto de vista econômico, grupos de interesses e grupos de pressão poderosos se empenham em obter privilégios para seus membros, à custa de indivíduos e grupos mais fracos. Em tal ambiente, os homens de negócios podem considerar conveniente usar a corrupção para se defenderem de atos discriminatórios por parte de membros do Poder Executivo ou do Poder Legislativo.” Ludwig Von Mises, em “Ação Humana: um tratado de economia” (1949).
Nada mais atual, nada mais brasileiro. Infelizmente...
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