Jóia artesanal feita em prata ou ouro é uma opção que agrada clientes que apreciam o trabalho criativo do artesão. Mas enfrentamos no mercado a concorrência com jóias industrializadas, peças lindíssimas que partiram de um processo artesanal. Isso dificulta a venda de peças artesanais por um valor justo de mão de obra.
Para diferenciar o trabalho, podemos utilizar construções e técnicas que requerem e permitem a identificação das mesmas como artesanais, como por exemplo a técnica do mokumè-ganè. Assim como para confeccionar um protótipo para industrialização o artesão deve levar em conta os recursos dessa indústria, além da mão de obra para acabamento para que o projeto esteja de acordo com as expectativas da fábrica, algumas construções tornam-se inviáveis para indústrias que possuem poucos ourives para o término da construção e acabamento da peça.
O ouro e a prata são metais muito maleáveis em seu estado puro. Por este motivo, utilizamos a liga com cobre. Desta maneira, a peça com o metal ligado torna-se mais rígida e conserva-se em perfeito estado por mais tempo. Uma peça confeccionada em prata ou ouro puro pode amassar com facilidade e perder seu acabamento polido ou acetinado no primeiro uso.
Explicarei sobre cada um desses metais e as ligas mais usadas:
A prata é ligada com cobre para que se torne mais dura. Porém, deve ser maleável o suficiente para que o trabalho manual de laminação possa ser executado. No Brasil usamos freqüentemente a liga 925 (925 partes de prata e 75 partes de cobre) ou 950 (950 partes de prata e 50 partes de cobre).
Ao utilizar a liga de cobre enfrentamos o problema das manchas de oxidação que aparecem durante o feitio da peça. Neste caso, precisamos utilizar muita lixa 220 para que estas manchas sumam por completo. A prata pode ser ligada com pré-liga, que segundo os fornecedores, permite um acabamento sem manchas, facilitando muito o nosso trabalho.
Devemos, porém, tomar cuidado com o ponto de fusão ou pedir uma liga pronta que possa ser fundida sem esse controle do aquecimento, pois a prata pode se tornar muito rígida e rachar na laminação. Se fundirmos prata já ligada (de uma peça pronta de fundição) para posterior laminação e a mesma rachar, é porque foi usada pré-liga para fundição.
O ouro amarelo é ligado com cobre e prata. O cobre é utilizado para que torne o metal mais duro; a prata é usada para que o ouro ligado na porcentagem apropriada não fique muito vermelho. No Brasil, a liga mais utilizada é a de 18k (750 partes de ouro e 250 partes de liga). No caso do ouro amarelo não temos problema de manchas, mas utilizando somente cobre na liga, uma mancha levemente avermelhada poderá aparecer.
O ouro rosa também é ligado com cobre e prata, mas com pouca quantidade desta última. Neste caso, o ouro fica um pouco mais duro e sujeito às terríveis manchas. Mas as pré-ligas também possuem soluões para tal.
O ouro branco pode ser ligado com paládio, cobre e prata ou pré-liga. No caso da preparação da liga com paládio, o ouro branco torna-se muito duro para o manuseio, dificultando um pouco algumas etapas da produção artesanal. Já a pré-liga promete um manuseio muito mais fácil e a baixo custo. A pré-liga para ouro branco também possui um ponto de fusão mais baixo, facilitando a fundição em maçaricos de ar comprimido. Mas devemos levar em conta que o que torna o ouro branco, no caso da pré-liga, é o níquel, utilizado em proporções mínimas e dentro das normas de regulamentação. Já o paládio é considerado um metal nobre.
Essas dicas são práticas e úteis para escolher o que melhor se adapta às suas necessidades, visto que o mercado é muito exigente e, hoje em dia, temos muitas alternativas para driblar os problemas que surgem no nosso cotidiano.
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