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PRATA e CIA

Adriana Costa *

dezembro /2007

Recentemente tenho escutado comentários de pessoas do setor sobre o crescimento do mercado de jóias de prata no Brasil. Comecei, então, a prestar mais atenção nos produtos oferecidos e, preciso confessar, fiquei encantada!

Seja porque o prateado tem a predileção dos jovens ou porque seu custo permite aos criadores ousarem mais, a verdade é que tanto ateliês, designers e joalherias de marcas consagradas estão apresentando coleções belíssimas em prata.

O novo atelier “De Botton” surgiu da parceria entre o produtor Alberto Botton e sua filha, a designer Carlotta Carvalho, e nos mostra a liberdade que prata traz para a joalheria, tanto no que se refere às criações, quanto na formação das empresas. As jóias do atelier primam pelo ótimo acabamento e detalhes inesperados como os pingentes nas costas dos colares. As peças são trabalhadas em prata, pedras coradas, drusas e fitas de seda, entre outros materiais. Por ser um metal nobre de custo acessível, a prata permite esta mistura com os materiais mais diversos, raros e nobres (ou nem tanto!), oferecendo grande flexibilidade e potencial de exploração no desenvolvimento de produtos.

Jovem designer formada em Moda pela FAAP, Thaís França explora esta flexibilidade, desenvolvendo um trabalho ao mesmo tempo contemporâneo e de resgate de ofícios e da cultura brasileira na criação de suas coleções de renda e prata.

A parceria com a Associação das Rendeiras do Morro de Mariana tem, ao mesmo tempo, ajudado a divulgar o genuíno artesanato tradicional brasileiro e a promover a comunidade de artesãs, que ensinaram os pontos a Thaís e que executam sob encomenda as rendas de bilro por ela desenhadas. “Meu trabalho explora, por um lado, os contrastes entre o forte e o frágil, o eterno e o efêmero. Por outro, o universo simbólico que envolve os atos de fiar e de tecer”, afirma Thaís. As jóias dela já cruzaram nossas fronteiras e, hoje, são vendidas na Itália, França, Inglaterra, Espanha, Estados Unidos, Japão, Austrália, Emirados Árabes e Arábia Saudita.

Outra designer que merece menção por seu trabalho de alta qualidade e grande sucesso na mistura de materiais é Mariana Amorim, destaque deste mês no Jóia br. Carolina Mello, também é uma jovem profissional que chamou a minha atenção por explorar metais e materiais diversos.

Acredito que, hoje, a prata está consolidando seu espaço dentro do mercado, no nicho da jóia diferenciada. Um grande espaço para os designers, como já existe em mercados mais maduros como Europa e EUA, está se abrindo por aqui. Além disso, a prata tem tudo para mostrar ao público local e ao mundo o potencial joalheiro e criativo do Brasil.
Para todos nós um Natal bem prateado!


*Adriana Costa - é formada em Desenho Industrial pela UEMG e pós-graduada em Joalheria na Inglaterra. Finalizou em 2007 o curso de Pós-graduação em Negociações Comerciais Internacionais, na Puc Minas, com ênfase no mercado do luxo. Atualmente divide seu tempo entre consultorias para empresas nacionais e estrangeiras, com foco em negócios internacionais e desenvolvimento de produtos. Adora pesquisar tendências, mercados e fornecedores.
Contato:
adriana@vixedrix.com.br

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