| dezembro/2006
“Dizem
que ele vem do coração da Terra para testar o
coração dos homens. Uma pedra tão rara,
que os homens fariam qualquer coisa para possuí-la. Guerras
seriam lutadas por ela, mas aqueles que a tocam são deixados
com sangue em suas mãos”.
do
trailler de Blood Diamond (Diamante de Sangue)
Com
estréia marcada para este mês nos Estados Unidos
e fevereiro de 2007 no Brasil, o filme Blood Diamond
e seu possível impacto está deixando em polvorosa
o setor de diamantes e jóias no mundo.
O
presidente da De Beers, Nicky Oppenheimer, alerta para a necessidade
de mais controle dos diamantes. A reunião do Processo
kimberley em Botsuana foi adiantada para novembro.
No
filme a história se passa em Serra Leoa, na década
de 1990. Um contrabandista sul-africano, Danny Archer (Leonardo
Di Caprio) e um pescador, Solomon Vandy (Djimon Hounsou) – que
foi arrancado da família e obrigado a trabalhar nas minas
de diamante, tentam recuperar um raro diamante rosa (achado
e escondido por Salomon). A busca pela valiosa gema, que poderá
transformar suas vidas, mostra como os diamantes extraídos
em zona de guerra, eram vendidos, geralmente clandestinamente,
com o propósito de financiar a guerra civil africana.

Os
horrores da guerra civil e a revelação dos diamantes
sangrentos, usados em países da África para financiá–la,
levaram a uma mobilização internacional sem precedentes.
Com intervensão efetiva da ONU e das forças britânicas,
a guerra em Serra Leoa terminou em 2002. Na vizinha Libéria,
chegou ao fim um ano mais tarde.
Em
1999, Nelson Mandela apontou a importância do comércio
de diamantes para a economia do sudeste da África e a
necessidade da indústria tomar medidas baseadas nos direitos
humanos, ao invés de realizar boicotes, para colocar
fim ao comércio dos diamantes de conflito.
Foi
criado o Processo Kimberley na ONU, que desde de janeiro de
2003 certifica a origem dos diamantes brutos no mundo - Kimberley
Process Certification Scheme (KPCS). Os governos de cada país
signatário devem colocar em prática mecanismos
para excluir diamantes ilícitos do comércio. Um
dos exemplos de resultados do Processo Kimberley é o
comércio de diamantes de Serra Leoa, que cresceu de U$10
milhões em 2000 para U$141 milhões em 2005.
Um
relatório recente da Parceria África Canadá
(PAC), que faz o papel de observadora no Processo de Kimberley,
disse que o sistema reduziu drasticamente o comércio
ilícito de diamantes, mas que deficiências graves
não foram solucionadas. As investigações
de ONGs e da ONU revelaram fraudes maciças na certificação
de diamantes no Brasil e na Guiana, e mostraram a lavagem de
diamantes sangrentos vindos da Costa do Marfim, disse a PAC.
Lembro que no Brasil há suspeitas de certificados falsos
de diamantes vindos da África, além de extrações
ilegais em terras indígenas.
Com
receio de que o filme conte somente parte da história
e afete permanentemente a confiança do público
com relação aos diamantes o sr. Kago G. Moshashane
(chefe do Kimberley Process) e Eli Izhakoff (presidente do World
Diamond Council) escreveram uma carta no início do ano
aos produtores e diretores do filme alertando para a importância
de mostrar os acontecimentos em Serra Leoa ao mundo, mas também
os esforços feitos até então para eliminar
os diamantes de conflito, as mudanças da indústria
de diamantes e principalmente as mudanças em Serra Leoa
e outros países africanos. Vamos ver no filme se os pedidos
foram ouvidos...
Enquanto
isso, fico pensando no poder que os fabricantes de jóias
têm para impor certificados e clareza na origem de seus
diamantes e imagino se vão usar este poder antes que
os consumidores exijam. |