| novembro/2006
A
maneira de ver o objeto de luxo varia de acordo com o tempo
e a sociedade.
O luxo, que era visto como “berço”, linhagem,
tradição e nobreza, hoje é
visto como conquista, capacidade de realização
e está relacionado a atingir objetivos.
Segundo
o francês Jean Casterède, o luxo é uma atitude
de espírito, um estado da alma, mas o luxo não
caminha sem cultura. Casterède, que criou na década
de 90 um dos primeiros MBAs do Luxo no mundo, na Escola de Comércio
Essec, em Paris e depois outro, no Instituto Superior de Marketing
de Luxo - onde leciona, é o autor do livro "O Luxo
– Os Segredos dos Produtos mais Desejados do Mundo".
Para
Sérgio Lage de Carvalho, professor no curso de Gestão
Criativa no Mercado do Novo Luxo, da Belas Artes de São
Paulo, o mix de marketing do setor de luxo
respeita certos ‘dogmas’ inquestionáveis:
distribuição seletiva, inovação
criadora, estilo refinado, apresentação impecável,
apelo intemporal, design assinado e originalidade.
“O
luxo não é o oposto da pobreza, mas o contrário
da vulgaridade”, dizia Chanel. Para falar do objeto
de estudo (tratado cada vez mais séria e profundamente)
ou do estilo, considero Coco Chanel o ícone máximo
do NOVO LUXO.
Vista
como estilo, a moda sinaliza que o novo luxo traz uma certa
sobriedade e até uma AUSTERIDADE. Palavra
de destaque na capa da primeira revista L’Officiel-Brasil
e muito citada nos comentários dos desfiles do prêt
à porter em Londres, NY, Milão e Paris da
última temporada.
A cartela de cores do desfile da Prada refletiu este “mood”.
Na joalheria podemos traduzir as cores em Rubi, Safira Azul
e Ametista (forte).

Para
descrever as roupas mais fechadas, que cobrem mais o corpo -
muitas delas com sobreposições e camadas, surgiu
a (exageradíssima) expressão “mulçumanismo”.
Exageros à parte, vejo o momento como de harmonia e equilíbrio
com muito espaço para todos os acessórios.
Na
contramão das cores fortes, vem o branco, presente em
praticamente todos os desfiles. A cor, que vinha se insinuando,
é agora uma declaração. Mostra o corte
dos excessos, a busca pela claridade e pureza das formas.
Vejo
a mulher 'novo luxo' como uma world traveler, seja
a passeio ou a trabalho, ela viaja e quer estar sempre bem vestida.
Ela é bem informada, prefere roupas mais clássicas
e se diferencia nos detalhes. Busca qualidade quando compra.
Sua palavra de ordem é a DISTINÇÃO.
|