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LUXO
AUSTERIDADE OU DISTINÇÃO?



Adriana Costa *

novembro/2006

A maneira de ver o objeto de luxo varia de acordo com o tempo e a sociedade.
O luxo, que era visto como “berço”, linhagem, tradição e nobreza, hoje é visto como conquista, capacidade de realização e está relacionado a atingir objetivos.

Segundo o francês Jean Casterède, o luxo é uma atitude de espírito, um estado da alma, mas o luxo não caminha sem cultura. Casterède, que criou na década de 90 um dos primeiros MBAs do Luxo no mundo, na Escola de Comércio Essec, em Paris e depois outro, no Instituto Superior de Marketing de Luxo - onde leciona, é o autor do livro "O Luxo – Os Segredos dos Produtos mais Desejados do Mundo".

Para Sérgio Lage de Carvalho, professor no curso de Gestão Criativa no Mercado do Novo Luxo, da Belas Artes de São Paulo, o mix de marketing do setor de luxo respeita certos ‘dogmas’ inquestionáveis: distribuição seletiva, inovação criadora, estilo refinado, apresentação impecável, apelo intemporal, design assinado e originalidade.

O luxo não é o oposto da pobreza, mas o contrário da vulgaridade”, dizia Chanel. Para falar do objeto de estudo (tratado cada vez mais séria e profundamente) ou do estilo, considero Coco Chanel o ícone máximo do NOVO LUXO.

Vista como estilo, a moda sinaliza que o novo luxo traz uma certa sobriedade e até uma AUSTERIDADE. Palavra de destaque na capa da primeira revista L’Officiel-Brasil e muito citada nos comentários dos desfiles do prêt à porter em Londres, NY, Milão e Paris da última temporada.

A cartela de cores do desfile da Prada refletiu este “mood”. Na joalheria podemos traduzir as cores em Rubi, Safira Azul e Ametista (forte).

Para descrever as roupas mais fechadas, que cobrem mais o corpo - muitas delas com sobreposições e camadas, surgiu a (exageradíssima) expressão “mulçumanismo”. Exageros à parte, vejo o momento como de harmonia e equilíbrio com muito espaço para todos os acessórios.

Na contramão das cores fortes, vem o branco, presente em praticamente todos os desfiles. A cor, que vinha se insinuando, é agora uma declaração. Mostra o corte dos excessos, a busca pela claridade e pureza das formas.

Vejo a mulher 'novo luxo' como uma world traveler, seja a passeio ou a trabalho, ela viaja e quer estar sempre bem vestida. Ela é bem informada, prefere roupas mais clássicas e se diferencia nos detalhes. Busca qualidade quando compra. Sua palavra de ordem é a DISTINÇÃO.

 


*Adriana Costa - é formada em Desenho Industrial pela UEMG e pós-graduada em Joalheria na Inglaterra. Finalizou em 2007 o curso de Pós-graduação em Negociações Comerciais Internacionais, na Puc Minas, com ênfase no mercado do luxo. Atualmente divide seu tempo entre consultorias para empresas nacionais e estrangeiras, com foco em negócios internacionais e desenvolvimento de produtos. Adora pesquisar tendências, mercados e fornecedores.
Contato:
adriana@vixedrix.com.br

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