| maio
/2008
Por onde começar a criação de uma coleção? Deve-se seguir (ou não) as tendências?
É melhor percorrer o mesmo caminho, ou se distinguir? Coleções desenvolvidas a partir de um conceito são congruentes com satisfazer os desejos do mercado? Qual a visão dos designers de jóias? Será que todos trilham o mesmo caminho? Para descobrir fui conversar com alguns dos profissionais que admiro.
Para a designer Gláucia Silveira, uma questão importante na joalheria, hoje, é 'Prazo de Validade': “Chegamos num patamar de consumismo e ânsia por novidades, onde as coisas se tornaram muito passageiras ou velhas antes mesmo de amadurecerem. A renovação é necessária, mas é preciso ser feita com consciência. Entender o movimento das tendências é importante, no entanto, um recurso fundamental é saber perceber as Macrotendências”. Para ela, captar estes sinais mais sutis pode garantir a sobrevivência de um produto sem que seja necessário "imprimir no rótulo" uma data de validade.
Cesar Aleandri, designer da Genesis, acredita que o mercado nacional de jóias é sedento por novidades e esta ansiedade em atender a demanda faz muita gente se repetir e pegar “carona” no que o outro está fazendo. Mas ele não acredita que exista uma estagnação criativa no setor. “Idéias originais são raras em todas as áreas”, diz Cesar. Mas elas existem, e acredito que ele concordaria comigo que elas acontecem principalmente nas empresas que estão focadas em buscar o seu próprio caminho dentro da diversidade possível no mundo de hoje.
Eu, certamente, concordo quando ele diz: “um criador está em permanente estado de criação; quando não está criando, propriamente dito, está buscando embasamento para suas criações, através da observação e da pesquisa”.
Para ser um designer é preciso estar sempre prestando atenção, buscando novos caminhos, novas referências, tudo que possa para alimentar seu repertório. É preciso deixar as “antenas” sempre ligadas.
A beleza inspira César. “A elegância natural das coisas e das pessoas me elevam. A arte me inspira diretamente, o mundo visto e filtrado pelo olhar dos artistas de todas as épocas e de todas as formas de arte: pintura, escultura, música, dança, arquitetura, etc”, diz o designer.
Lilian Franco, que durante muitos anos trabalhou na criação da Denoir, pensa que o designer tem que se preocupar em lançar produtos inovadores com diferenciação competitiva. Segundo Lilian, a dinâmica do processo criativo no desenvolvimento de uma coleção vem a ser compreender, identificar e transformar as tendências contemporâneas, como também é importante buscar referências no passado, as lembranças e a identificação pessoal. Todo esse processo visa despertar a criação e aprimorar um estilo próprio. Tudo isso sem se esquecer de focar em um público alvo, entender e facilitar o processo de fabricação.
A verdade é que não existe um caminho pré-estabelecido a ser seguido para a criação de jóias ou qualquer outra coisa. Cada um tem a sua maneira e muitos, como eu, várias maneiras, dependendo da empresa cliente, da coleção e, até mesmo, da inspiração. É importante estar atento às tendências, mas a liberdade de expressão e, logo, de criação, hoje, é enorme. Um Briefing bem feito é, com certeza, a ferramenta fundamental para o sucesso da coleção, pois orienta o caminho. Não posso deixar de lembrar que seguir padrões e ser criativo não é muito congruente...
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