| maio
/2007
Recentemente, pesquisando na internet, tive o dissabor de descobrir um site de joalheria mostrando uma jóia - de criação minha e ganhadora de um prêmio - como se fosse uma peça criada por eles.
Até quando a joalheria vai estar na contramão da publicidade e dos direitos autorais? Quando deixará de ser natural ver peças em catálogos e sites sem menção da marca fabricante e do designer?
Neste assunto ainda temos muito que aprender com a moda e a relojoaria. As lojas de roupa multimarcas se valorizam por vender as grifes x e y. As marcas “chamam” os clientes que se identificam com elas.
Os relógios, cada vez mais ameaçados por diversos aparelhos que cumprem sua função de informar as horas, estão contra-atacando com design e diferenciação. Para conquistar os jovens, investem em modelos inusitados e extravagantes. No segmento de alto luxo suas vendas crescem com as novidades. Mas, seja nos modelos mais acessíveis ou nos carérrimos de série limitada, a marca é essencial e indiscutível. Alguém compraria um relógio sem marca? As marcas de relógio não valorizam a joalheria? Fico me perguntando porque é diferente com as jóias?
Em várias categorias de produtos temos lojas monomarcas - que vendem seus produtos fabricados por eles ou comprados com exclusividade e - as lojas multimarcas, que informam as marcas dos produtos que vendem porque elas garantem credibilidade à loja.
Imagine... Lojas de eletrodomésticos com produtos sem marcas... Lojas de calçados esportivos e tênis, com uma etiqueta da loja local... Ou, então, que os novos celulares virão com o nome da operadora e não da fábrica do produto. Não seria no mínimo estranho? Sem dizer, ilegal.
Outro dia entrei numa loja e pedi para ver uma bolsa da vitrine. A vendedora, além de me mostrar a bolsa, informou a marca e contou sua história, qual era o conceito de criação daquele produto com detalhes únicos. Ela valorizou a bolsa e a sua loja. Eu, além de comprar a bolsa, fui embora feliz em comprar um produto com tanto valor agregado e virei cliente da loja.
Fico imaginando se não aconteceria o mesmo na joalheria? Se os clientes não se sentiriam valorizados e confiantes ao serem informados da procedência dos produtos. Os designers pesquisam, criam produtos com conceitos e história, os fabricantes aprimoram cada vez mais a tecnologia de produção e a qualidade. Mas vejo estas informações preciosas para a venda se perderem no caminho...
Em minha opinião, o jogo seria vitorioso se cada segmento da cadeia respeitasse melhor o outro. Com Respeito, Design e Branding, o futuro da joalheria será, sem dúvida, brilhante!
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*Adriana
Costa - é formada em Desenho Industrial pela UEMG e pós-graduada em Joalheria na Inglaterra. Finalizou em 2007 o curso de Pós-graduação em Negociações Comerciais Internacionais,
na Puc Minas, com ênfase no mercado do luxo. Atualmente divide seu tempo entre consultorias para empresas nacionais e estrangeiras, com foco em negócios internacionais e desenvolvimento de produtos. Adora pesquisar tendências, mercados e fornecedores.
Contato: adriana@vixedrix.com.br
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