| fevereiro
/2007
Na última semana de janeiro, os desfiles da São Paulo Fashion Week apresentaram as coleções e tendências do Inverno 2007.
Para a jornalista da Folha de São Paulo , Vivian Whiteman, a moda vive um momento de “impasse internacional”. Para ela “A moda está passando por um período de indecisões: vai se despedindo de uma já longa fase romântica de referências nos clássicos e nos ícones aristocráticos, e ainda não encontrou direito seu novo caminho”.
Eu não vi sinais de despedida ao romantismo; na minha opnião, entre muitas minis, longos, leggings, rendas e babados, o clima geral foi de muito romantismo e feminilidade.
Pelo visto, a busca de referências no passado continua em alta, mas sempre numa interpretação muito contemporânea. Samuel Cirnansck chamou a atenção com suas princesas enfeitadas, roqueiras e abusadas, num desfile com ares de alta-costura. Os longos vestidos inspirados no século 18 e início do 19 foram desarrumados pela rebeldia do rock. Dois momentos marcantes do desfile foram os vestidos de época com anquinhas laterais enormes (o chamado paniê). Um deles tinha o tecido de estampa rabiscada em branco e preto, com botas de couro justíssimas e pretas e o outro, que encerrou o desfile, era creme com as pontas dos babados todas queimadas.
Gloria Coelho - que mostra sempre em suas coleções forte influência do rock, do gótico e detalhes até bem punks-, se inspirou nos trajes da aristocracia européia para esta coleção e o resultado teve clima de rock romântico. André Lima também entrou na onda, com uma mistura de império e anos 20. Tudo muuuito feminino!

A Cavalera e Tufi Duek (da Forum) se inspiraram na cultura brasileira. A Cavalera fez uma homenagem à velha guarda do samba e fechou seu desfile com a entrada da Embaixada do Samba Paulista na passarela. Estampas com personalidades do samba, babados, rendas e brocados. Já Tufi trabalhou formas mais puras, numa homenagem ao trabalho do arquiteto Oscar Niemeyer. O resultado foi uma coleção elegante, sensual, feminina e contemporânea. Recortes arquitetônicos e valorização das formas femininas. Uma interpretação belíssima!

Se por um lado as inspirações no passado e na cultura brasileira predominaram no cenário do SPFW, o que a moda nos mostra é uma liberdade muito grande. Podemos nos inspirar naquilo que nos desperta, temos à nossa disposição milhares de informações na internet, mas a maneira como cada um trabalha as referências e informações é que faz toda a diferença! Não existem mais ditaduras e cada empresa está livre para encontrar o seu caminho, a sua cara e o seu diferencial!
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*Adriana
Costa - é formada em Desenho Industrial pela UEMG e pós-graduada em Joalheria na Inglaterra. Finalizou em 2007 o curso de Pós-graduação em Negociações Comerciais Internacionais,
na Puc Minas, com ênfase no mercado do luxo. Atualmente divide seu tempo entre consultorias para empresas nacionais e estrangeiras, com foco em negócios internacionais e desenvolvimento de produtos. Adora pesquisar tendências, mercados e fornecedores.
Contato: adriana@vixedrix.com.br
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