3ª
Parte – Pureza
Depois de
termos abordado a Lapidação e a Cor nos artigos
anteriores, neste trataremos da Pureza, mais um dos fatores de
graduação ou classificação de diamantes
lapidados segundo o Sistema dos 4 Cs, introduzido pelo GIA (Gemological
Institute of America) no início dos anos 50.
A pureza de
um diamante indica a extensão da presença ou ausência
de inclusões, isto é, de características
internas perceptíveis, tais como cristais, fraturas, fissuras,
defeitos resultantes de tensões internas, fenômenos
estruturais (linhas de crescimento, planos de clivagem, planos
de geminação, etc).
O grau de
pureza de um diamante lapidado é determinado pela análise
sistemática e conjunta do número, tamanho, localização,
natureza e cor/relevo das inclusões visíveis com
dez aumentos, por um classificador treinado, mediante o auxílio
de uma lupa aplanática (sem distorção da
imagem) e acromática (sem cores adicionais) ou por meio
de um microscópio gemológico com igual magnificação.
A inspeção
de um diamante utilizando maior magnitude é útil
quando se pretende observar com mais detalhes as inclusões,
principalmente para determinar sua natureza, ou bem quando se
supõe tratar-se de um exemplar de grau de pureza elevado,
no intuito de localizar suas eventuais diminutas características
internas. No entanto, o julgamento final da pureza deve ser realizado
invariavelmente sob dez aumentos, de modo que as inclusões
observadas unicamente com mais magnificação que
a convencionada devem ser consideradas inexistentes para fins
de classificação comercial.
A graduação
deve ser realizada com a pedra absolutamente limpa, utilizando-se
iluminação de campo escuro, que possibilita a incidência
lateral da luz e uma melhor observação das inclusões
ou empregando-se iluminação refletida, no caso do
exame das características externas. O classificador deve
inspecionar um brilhante, inicialmente pela coroa, dando atenção
primeiramente à mesa e, em seguida, às facetas mais
próximas do centro, em sentido horário, finalizando
pelas que se acercam ao rondízio. Posteriormente, examina-se
as facetas do pavilhão, o rondízio e a culaça.
A
seguir, encontram-se as escalas de graduação de
pureza de diamantes lapidados, com seus 11 graus, de acordo com
as terminologias adotadas pelo GIA, CIBJO-HRD (Confédération
Internationale de la Bijouterie, Joaillerie, Orfèvrerie,
des Diamants, Perles et Pierres / Hoge Raad Voor Diamant) e ABNT-IBGM
(Associação Brasileira de Normas Técnicas
/ Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos).
ABNT
– IBGM
|
CIBJO
- HRD
|
GIA
|
Interna
e externamente puro ao exame com equipamento óptico
a 10 aumentos
Absolutamente
transparente e livre de qualquer inclusão ao exame
com equipamento óptico a 10 aumentos |
LC
(Loupe Clean ou Puro à Lupa)
|
FL
(Flawless)
IF
(Internally Flawless) |
| Inclusão
ou inclusões diminutas e muito difíceis de serem
visualizadas ao exame com equipamento óptico a 10 aumentos
|
VVS1
/ VVS2
[Very Very Small Inclusion (s)]
|
VVS1
/ VVS2
[Very Very Small Inclusion (s)]
|
| Inclusões
muito pequenas e difíceis de serem visualizadas ao
exame com equipamento óptico a 10 aumentos |
VS1
/ VS2
[Very Small Inclusion(s)]
|
VS1
/ VS2
[Very Small Inclusion(s)]
|
Inclusões pequenas, fáceis de serem visualizadas
ao exame com equipamento óptico a 10 aumentos e não
visíveis a olho nú, através da coroa |
SI1
/ SI2
[Small Inclusion(s)]
|
SI1
/ SI2
[Small Inclusion(s)]
|
| Inclusões
evidentes ao exame com equipamento óptico a 10 aumentos
e dificilmente visíveis a olho nu, através da
coroa, não diminuindo a transparência do diamante
|
|
|
Inclusões muito evidentes, fáceis de serem visualizadas
a olho nu através da coroa, afetando ligeiramente a
transparência do diamante |
|
|
| Inclusões
extremamente evidentes, muito fáceis de serem visualizadas
a olho nu através da coroa, diminuindo sensivelmente
a transparência do diamante |
|
|
Para
diamantes lapidados com pesos iguais ou superiores a 0,20 ct,
as categorias VVS, VS e SI são subdivididas, cada qual,
em dois subgrupos. Essas subdivisões são definidas
em função dos cinco fatores anteriormente mencionados,
isto é, número, tamanho, posição,
cor/relevo e natureza das inclusões.
A
graduação de pureza é realizada preferencialmente
com o exemplar solto (descravado). Laudos de graduação
de diamantes cravados são aceitos apenas dentro de certos
parâmetros específicos e, nestes casos, cabe ao emitente
do documento mencionar claramente que o exame realizou-se sob
condições restritas, para as quais se recomenda
não proceder à subdivisão dos graus de pureza
VVS, VS e SI.
Existem
símbolos específicos para cada tipo de inclusão,
que são devidamente plotados nos diagramas da coroa e do
pavilhão existentes nos certificados de graduação
de diamantes, sendo as características internas, por convenção,
anotadas na cor vermelha e as externas, em verde.
Características
externas visíveis através da coroa, mas que não
afetem a pureza do diamante, tais como naturas, facetas extras,
piques, cavidades, riscos, ranhuras, franjas, linhas de crescimento
(graining), linhas de polimento, marcas de percussão e
inscrições a laser devem ser levadas em consideração
apenas nos casos de pedras que possuam o grau de pureza mais elevado,
FL (Flawless), sendo nos demais casos descritas separadamente
no ítem “Comentários”.
Esforços
para padronizar a graduação de pureza, de modo a
torná-la mais consistente e reproduzível têm
sido realizados, principalmente pela mensuração
das inclusões. No entanto, características de igual
tamanho podem ter diferente localização ou aspecto
(por serem mais claras ou mais escuras), afetando a pureza de
forma distinta.
Diamantes
sintéticos não são classificados quanto à
pureza, portanto, para eles não se emitem Certificados
de Graduação, embora possam ser expedidos Certificados
de Identificação, que atestam a natureza do material
gemológico (diamante) e sua origem (sintética).
Diamantes
tratados podem ser objetos de certificados de graduação,
desde que o tipo de tratamento ao qual foram submetidos seja permanente
e claramente revelado no documento. As normas recomendam que os
certificados emitidos para tais diamantes possuam uma apresentação
nitidamente diferente daqueles elaborados para espécimes
não tratados, de modo que o cliente esteja inteiramente
ciente de todas as informações relacionadas à
pedra que está adquirindo.
Para
efetuar-se a classificação de pureza de diamantes
lapidados não se utilizam padrões de comparação,
ao contrário do que ocorre com a classificação
da cor. No entanto, há obras de referência úteis
aos joalheiros, diamantários, gemólogos e classificadores,
tais como Photo Masters for Diamond Grading (Gary A. Roskin),
Diamond and Diamond Grading (G. Lenzen), Diamond Grading ABC (Verena
Pagel-Theisen) e, em português, o Manual de Classificação
e Avaliação do Diamante Lapidado (Walter M. Leite
e Ângela C. Andrade) e Como Comprar e Vender Diamantes (Mario
Del Rey), entre outras.
Ainda
que de forma lenta e gradual, o consumidor final de jóias
tem se tornado mais informado a respeito da existência não
apenas dos certificados de garantia, emitidos pelos estabelecimentos
comerciais, mas também dos certificados de graduação
de diamantes, expedidos por laboratórios gemológicos
independentes, que atestam sua autenticidade e o qualificam. Os
joalheiros, por sua vez, vêm solicitando estes documentos
com uma freqüência ligeiramente maior que há
alguns anos, em parte por requisição de seus próprios
clientes e em parte, acreditamos, por estarem convencidos da necessidade
de tê-los mais bem informados a respeito do produto que
estão adquirindo e da possibilidade de tornar mais negociável
e rentável sua mercadoria.
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