PÁGINA INICIAL
EMPRESAS
ENTIDADES
FEIRAS NO BRASIL
FEIRAS NO MUNDO
EXPOSIÇOES E EVENTOS
ARTIGOS
COMÉRCIO EXTERIOR
ENTREVISTAS
MANUAL DE GEMAS
CURSOS
CURIOSIDADES
JOALHERIA DE ARTE
MODA E TENDÊNCIAS
DICAS PRECIOSAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
CLASSIFICADOS
PROMOÇÕES
COTAÇÃO DO DÓLAR
ANÚNCIOS
SOBRE O JOIABR
FALE CONOSCO
::::::::::::::::::::::::::::

© Joiabr - 2000
info@joiabr.com.br


GRADUAÇÃO DE DIAMANTES LAPIDADOS
SEGUNDO O SISTEMA DOS 4C's



Luiz Antônio Gomes da Silveira *



3ª Parte – Pureza

Depois de termos abordado a Lapidação e a Cor nos artigos anteriores, neste trataremos da Pureza, mais um dos fatores de graduação ou classificação de diamantes lapidados segundo o Sistema dos 4 Cs, introduzido pelo GIA (Gemological Institute of America) no início dos anos 50.

A pureza de um diamante indica a extensão da presença ou ausência de inclusões, isto é, de características internas perceptíveis, tais como cristais, fraturas, fissuras, defeitos resultantes de tensões internas, fenômenos estruturais (linhas de crescimento, planos de clivagem, planos de geminação, etc).

O grau de pureza de um diamante lapidado é determinado pela análise sistemática e conjunta do número, tamanho, localização, natureza e cor/relevo das inclusões visíveis com dez aumentos, por um classificador treinado, mediante o auxílio de uma lupa aplanática (sem distorção da imagem) e acromática (sem cores adicionais) ou por meio de um microscópio gemológico com igual magnificação.

A inspeção de um diamante utilizando maior magnitude é útil quando se pretende observar com mais detalhes as inclusões, principalmente para determinar sua natureza, ou bem quando se supõe tratar-se de um exemplar de grau de pureza elevado, no intuito de localizar suas eventuais diminutas características internas. No entanto, o julgamento final da pureza deve ser realizado invariavelmente sob dez aumentos, de modo que as inclusões observadas unicamente com mais magnificação que a convencionada devem ser consideradas inexistentes para fins de classificação comercial.

A graduação deve ser realizada com a pedra absolutamente limpa, utilizando-se iluminação de campo escuro, que possibilita a incidência lateral da luz e uma melhor observação das inclusões ou empregando-se iluminação refletida, no caso do exame das características externas. O classificador deve inspecionar um brilhante, inicialmente pela coroa, dando atenção primeiramente à mesa e, em seguida, às facetas mais próximas do centro, em sentido horário, finalizando pelas que se acercam ao rondízio. Posteriormente, examina-se as facetas do pavilhão, o rondízio e a culaça.

A seguir, encontram-se as escalas de graduação de pureza de diamantes lapidados, com seus 11 graus, de acordo com as terminologias adotadas pelo GIA, CIBJO-HRD (Confédération Internationale de la Bijouterie, Joaillerie, Orfèvrerie, des Diamants, Perles et Pierres / Hoge Raad Voor Diamant) e ABNT-IBGM (Associação Brasileira de Normas Técnicas / Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos).

ABNT – IBGM
CIBJO - HRD
GIA
Interna e externamente puro ao exame com equipamento óptico a 10 aumentos
Absolutamente transparente e livre de qualquer inclusão ao exame com equipamento óptico a 10 aumentos
LC
(Loupe Clean ou Puro à Lupa)

FL (Flawless)
IF (Internally Flawless)
Inclusão ou inclusões diminutas e muito difíceis de serem visualizadas ao exame com equipamento óptico a 10 aumentos
VVS1 / VVS2
[Very Very Small Inclusion (s)]

VVS1 / VVS2
[Very Very Small Inclusion (s)]

Inclusões muito pequenas e difíceis de serem visualizadas ao exame com equipamento óptico a 10 aumentos
VS1 / VS2

[Very Small Inclusion(s)]

VS1 / VS2

[Very Small Inclusion(s)]


Inclusões pequenas, fáceis de serem visualizadas ao exame com equipamento óptico a 10 aumentos e não visíveis a olho nú, através da coroa
SI1 / SI2

[Small Inclusion(s)]

SI1 / SI2

[Small Inclusion(s)]

Inclusões evidentes ao exame com equipamento óptico a 10 aumentos e dificilmente visíveis a olho nu, através da coroa, não diminuindo a transparência do diamante
P1

Piqué 1

I1

Inclusión 1


Inclusões muito evidentes, fáceis de serem visualizadas a olho nu através da coroa, afetando ligeiramente a transparência do diamante
P2

Piqué 2

I2

Inclusión 2

Inclusões extremamente evidentes, muito fáceis de serem visualizadas a olho nu através da coroa, diminuindo sensivelmente a transparência do diamante
P3

Piqué 3

I3

Inclusión 3

Para diamantes lapidados com pesos iguais ou superiores a 0,20 ct, as categorias VVS, VS e SI são subdivididas, cada qual, em dois subgrupos. Essas subdivisões são definidas em função dos cinco fatores anteriormente mencionados, isto é, número, tamanho, posição, cor/relevo e natureza das inclusões.

A graduação de pureza é realizada preferencialmente com o exemplar solto (descravado). Laudos de graduação de diamantes cravados são aceitos apenas dentro de certos parâmetros específicos e, nestes casos, cabe ao emitente do documento mencionar claramente que o exame realizou-se sob condições restritas, para as quais se recomenda não proceder à subdivisão dos graus de pureza VVS, VS e SI.

Existem símbolos específicos para cada tipo de inclusão, que são devidamente plotados nos diagramas da coroa e do pavilhão existentes nos certificados de graduação de diamantes, sendo as características internas, por convenção, anotadas na cor vermelha e as externas, em verde.

Características externas visíveis através da coroa, mas que não afetem a pureza do diamante, tais como naturas, facetas extras, piques, cavidades, riscos, ranhuras, franjas, linhas de crescimento (graining), linhas de polimento, marcas de percussão e inscrições a laser devem ser levadas em consideração apenas nos casos de pedras que possuam o grau de pureza mais elevado, FL (Flawless), sendo nos demais casos descritas separadamente no ítem “Comentários”.

Esforços para padronizar a graduação de pureza, de modo a torná-la mais consistente e reproduzível têm sido realizados, principalmente pela mensuração das inclusões. No entanto, características de igual tamanho podem ter diferente localização ou aspecto (por serem mais claras ou mais escuras), afetando a pureza de forma distinta.

Diamantes sintéticos não são classificados quanto à pureza, portanto, para eles não se emitem Certificados de Graduação, embora possam ser expedidos Certificados de Identificação, que atestam a natureza do material gemológico (diamante) e sua origem (sintética).

Diamantes tratados podem ser objetos de certificados de graduação, desde que o tipo de tratamento ao qual foram submetidos seja permanente e claramente revelado no documento. As normas recomendam que os certificados emitidos para tais diamantes possuam uma apresentação nitidamente diferente daqueles elaborados para espécimes não tratados, de modo que o cliente esteja inteiramente ciente de todas as informações relacionadas à pedra que está adquirindo.

Para efetuar-se a classificação de pureza de diamantes lapidados não se utilizam padrões de comparação, ao contrário do que ocorre com a classificação da cor. No entanto, há obras de referência úteis aos joalheiros, diamantários, gemólogos e classificadores, tais como Photo Masters for Diamond Grading (Gary A. Roskin), Diamond and Diamond Grading (G. Lenzen), Diamond Grading ABC (Verena Pagel-Theisen) e, em português, o Manual de Classificação e Avaliação do Diamante Lapidado (Walter M. Leite e Ângela C. Andrade) e Como Comprar e Vender Diamantes (Mario Del Rey), entre outras.

Ainda que de forma lenta e gradual, o consumidor final de jóias tem se tornado mais informado a respeito da existência não apenas dos certificados de garantia, emitidos pelos estabelecimentos comerciais, mas também dos certificados de graduação de diamantes, expedidos por laboratórios gemológicos independentes, que atestam sua autenticidade e o qualificam. Os joalheiros, por sua vez, vêm solicitando estes documentos com uma freqüência ligeiramente maior que há alguns anos, em parte por requisição de seus próprios clientes e em parte, acreditamos, por estarem convencidos da necessidade de tê-los mais bem informados a respeito do produto que estão adquirindo e da possibilidade de tornar mais negociável e rentável sua mercadoria.


*Luiz Antônio Gomes da Silveira é gemólogo pós-graduado pela Universidade de Barcelona (1988), pela Associação Alemã de Gemologia (Deutschen Gemmologishen Gesellschaft) e pela Associação e Laboratório de Ensaios de Gemas da Grã-Bretanha (Gemmological Association and Gem Testing Laboratory of Great Britain). Engenheiro de Minas (UFMG/1985), é credenciado pela Secretaria da Receita Federal, Responsável Técnico pelo Gem Lab - Gemologia e Engenharia Mineral e ex-Instrutor de Cursos de Gemologia e Diamante na Ajomig/Sindijóias.
web site: www.gold.com.br/~gem - e-mail: gem@gold.com.br

Voltar ao index