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INCLUSÕES EM GEMAS
3ª parte - QUARTZOS

Luiz Antônio Gomes da Silveira *



O quartzo é o segundo mineral mais abundante na crosta terrestre - superado apenas pelos feldspatos - e pode ocorrer em quase todos os ambientes geológicos. Por conta disso, é a espécie com maior variedade de inclusões e a segunda mais estudada neste tema, atrás somente do diamante. 

As inclusões são geralmente consideradas imperfeições sob o aspecto comercial, no entanto,  ampliadas podem revelar-se fascinantes, casos nos quais o interior das gemas, mais que sua aparência externa, esconde sua verdadeira beleza. 

As inclusões no quartzo podem ser protogenéticas (formadas antes do mineral hospedeiro), singenéticas (formadas simultaneamente a ele) ou epigenéticas (formadas depois dele). A maior parte das inclusões no quartzo são singenéticas.


Esfera de quartzo “rainbow” com inclusões minerais.,
A designação comercial deve-se às cores de interferência provocadas por fraturas internas
(Fotografia: Igor Schwartzmann)

As inclusões protogenéticas são sempre minerais e normalmente ocorrem como cristais imperfeitos, dos quais resta apenas a estrutura original, com aspecto de esqueleto, devido à corrosão química ou à dissolução.

Nas raras vezes em que uma inclusão protogenética ocorre como um cristal perfeito, ela cristalizou-se durante o mesmo evento que deu origem ao quartzo, embora obviamente tenha se desenvolvido em uma fase anterior à da formação deste.


Quartzo fumê com inclusões de quartzo e mica (provavelmente clorita)
(Fotografia: Luiz Antônio Gomes da Silveira)

Inclusões protogenéticas típicas do quartzo são os minerais epídoto e crocidolita (um tipo de amianto ou asbesto). Esta última ocorre na forma fibrosa e, após sofrer um processo denominado pseudomorfismo, transforma-se na variedade microcristalina de quartzo conhecida como olho-de-tigre, dotada de bandas amarelas e pretas.

No Brasil, já foram identificados muitos minerais presentes como inclusões no quartzo, entre os quais se destacam:

-o rutilo, na forma de agulhas douradas ou avermelhadas, proveniente de diversas localidades, das quais a mais notória é a região de Ibitiara, no Estado da Bahia.


Esfera de quartzo rutilado
(Fotografia: Igor Schwartzmann)

- a turmalina, usualmente na forma de agulhas, em arranjos caóticos, nas cores preta (quartzo supostamente de origem pegmatítica) ou verde (supostamente de origem hidrotermal).
- os óxidos de ferro hematita e limonita, geralmente na forma de concreções.
- os hidróxidos de ferro goethita, que ocorre na forma de agulhas marrons alaranjadas, e lepidocrocita, na forma de plaquetas vermelhas, principalmente na ametista (variedade roxa de quartzo), cuja coloração depende justamente da incorporação de ferro como impureza.


Ametista com inclusões de goethita
(Fotografia: Igor Schwartzmann)

Além dos anteriormente mencionados, foram já identificados como inclusões no quartzo proveniente do Brasil os minerais calcita, pirita, clorita, actinolita, hornblenda, galena, cassiterita, brookita, anatásio, ilmenita e ouro, bem como espécies mais raras tais como scheelita, pirocloro, allanita, helvita, grunerita, gilalita e kinoíta.


Quartzo Incolor com inclusões de gilalita
(Fotomicrografia: Luiz Antônio Gomes da Silveira --> imersão, 35 x)

As inclusões singenéticas podem ser sólidas (minerais) ou líquidas; entre estas últimas, as mais comuns no quartzo são as cavidades primárias (ex: tubos de crescimento e cristais negativos, com a forma cristalográfica pseudo-hexagonal semelhante à do próprio quartzo) e as fraturas de cicatrização.

O cristal-de-rocha (quartzo incolor) pode conter inclusões bifásicas, constituídas frequentemente por CO2, na forma gasosa ou líquida, acompanhado de algum mineral.

Poucas inclusões são formadas depois do quartzo e nele se infiltram através de fraturas e/ou fissuras, geralmente na forma de soluções aquosas que, posteriormente, se cristalizam ou precipitam.

Entre as inclusões epigenéticas no quartzo, são dignas de nota as dendritas finamente ramificadas de pirolusita ou manganita (óxidos de manganês) ou limonita (óxido de ferro hidratado) com aspecto de plantas.


Quartzo com inclusões de pirolusita (óxido de manganês), na forma de dendritas
(Fotografia: Igor Schwartzmann)

Cristais de quartzo podem apresentar inclusões que consistem em estruturas de antigas faces de crescimento, mais tarde providas com outros minerais, trazendo consigo a cronologia dos eventos geológicos. Este material gemológico é comercialmente denominado quartzo “phantom”.


Quartzo “phantom”
(Fotografia: Luiz Antônio Gomes da Silveira)

Outras inclusões comuns no quartzo, sobretudo nas variedades ametista e citrino, são as denominadas “listras de zebra ou tigre”, que consistem de ductos preenchidos com líquido em arranjo paralelo.

Fontes:
Anderson, B. W.: Gem Testing
Gubelin, E.J. & Koivula, J.I.: Photoatlas of Inclusions in Gemstones
O’Donoghue, M.: Quartz
Rondeau, B. & Macri, M.: Inclusions in Gems: “Medusa Quartz” With


*Luiz Antônio Gomes da Silveira é gemólogo pós-graduado pela Universidade de Barcelona (1988), pela Associação Alemã de Gemologia (Deutschen Gemmologishen Gesellschaft) e pela Associação e Laboratório de Ensaios de Gemas da Grã-Bretanha (Gemmological Association and Gem Testing Laboratory of Great Britain). Engenheiro de Minas (UFMG/1985), é credenciado pela Secretaria da Receita Federal, Responsável Técnico pelo Gem Lab - Gemologia e Engenharia Mineral e ex-Instrutor de Cursos de Gemologia e Diamante na Ajomig/Sindijóias.
web site: www.gold.com.br/~gem - e-mail: gem@gold.com.br

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