2ª
Parte – Cor
Depois
de termos discorrido sobre a Lapidação
no artigo anterior, neste trataremos da Cor,
mais um dos fatores de classificação de diamantes
lapidados segundo o Sistema dos 4 Cs.
A cor da maior parte dos diamantes de qualidade
gemológica varia de incolor a amarelada, amarronzada ou
acinzentada e deles diz-se terem cores regulares. Classificá-los
significa, portanto, determinar o grau de saturação
desses matizes.
A
terminologia de graduação predominante é
a estabelecida pelo GIA (Gemological Institute of América),
que consiste em classificar a cor segundo graus representados
por letras. A escala de cores regulares varia do grau D
(absolutamente incolor) ao Z (cor amarela, marrom
ou cinza clara). Diamantes de matizes distintos dos mencionados
ou que possuam tons mais escuros e/ou maiores saturações
que o Z são conhecidos como diamantes com cores de fantasia
ou Z + e devem ser claramente descritos como tal. A eles, e em
particular aos róseos, o GIA vem dedicando especial atenção,
tendo desenvolvido uma nomenclatura de graduação
que, ao mesmo tempo, leva em conta a complexa influência
dos matizes, tons e saturações proporcionados pela
natureza e pode ser utilizada de modo sistemático pelo
mercado.
As instituições européias
CIBJO (Confederação Internacional da Bijuteria,
Joalheria, Ourivesaria, Diamantes, Pérolas e Pedras), HRD
(Conselho Superior do Diamante) e IDC (Conselho Internacional
do Diamante), assim como a ABNT (Associação Brasileira
de Normas Técnicas), também possuem terminologias
de classificação de cor próprias e os certificados
de diamantes costumam apresentar a equivalência entre estas
terminologias e a do GIA.
Em termos práticos, o grau de cor do diamante
é determinado por comparação visual com um
conjunto de pedras de cores padronizadas (masterstones), obtidas
por equivalência direta de padrões originais elaborados
pelas instituições HRD, CIBJO ou GIA.
A classificação de cor deve ser
realizada sob iluminação artificial padronizada,
com temperatura entre 5000 e 5500o Kelvin. As pedras-padrão
são dispostas lado a lado, de perfil, com a mesa voltada
para baixo, sobre uma canaleta ou cartolina branca em forma de
cunha, de modo que a mais incolor fique à esquerda e a
mais amarela à direita. Em seguida, o diamante solto a
ser graduado é colocado de perfil entre duas pedras-padrão
e observado na direção perpendicular ao seu pavilhão,
pois nesta são minimizados os reflexos de luz. Ao ser comparado
com os padrões, o diamante examinado deve mudar continuamente
de lugar até que não mais exista diferença
entre ele e uma das masters, de modo que seja classificado com
o grau de cor equivalente ao da pedra-padrão.
Os diamantes marrons e cinzas são igualmente
classificados com o auxílio do conjunto de pedras-padrão
de cores amarelas, mas levando em consideração a
saturação, em detrimento do matiz que, logicamente,
é distinto. No caso dos diamantes lapidados marrons e cinzas
de graus K a Z, o GIA recomenda que, ao descrever a cor, sejam
adicionados à letra um dos seguintes termos complementares:
Faint (K a M), Very Light (N a R) ou Light (S a Z). As normas
do CIBJO, por outro lado, estipulam que diamantes lapidados com
nuances marrons e cinzas, de graus I a L, devem conter a descrição
adicional “Grau de Cor Equivalente”, enquanto nos
de graus M e abaixo, deve constar o matiz (marrom ou cinza), precedido
do termo “Light”.
Diversos instrumentos capazes de obter um valor
numérico preciso para a cor e relacioná-lo a um
grau visualmente estabelecido foram já desenvolvidos, mas
ainda há resistência quanto a sua utilização
em larga escala, sob diversas alegações, entre as
quais a de que o olho humano bem treinado seria mais eficaz que
qualquer um deles ou pelo fato de ainda terem um custo relativamente
alto.
Ao contrário das gemas coradas, nas quais
o valor monetário aumenta com a saturação
da cor, a ausência completa desta nos diamantes é
um fator apreciativo. Assim sendo, o grau D (absolutamente incolor)
é o mais valorizado e, a partir dele, têm-se uma
seqüência decrescente de valores, à medida que
aumenta a saturação do amarelo, marrom ou cinza,
embora o grau final da escala (Z +) trate-se de uma cor de fantasia,
portanto também rara e valiosa.
Depois de realizada a classificação
da cor e dos demais parâmetros, pode-se estabelecer o valor
do diamante lapidado à época da sua graduação,
recorrendo às cotações disponíveis
nas publicações de referência, dentre as quais
a mais difundida é o Rapaport Diamond Report, de periodicidade
semanal.
Ela disponibiliza cotações de diamantes
lapidados em diversos estilos e formas, no intervalo de cores
considerado mais comercial, isto é, o dos graus D a M,
sendo que, para os demais, aplicam-se fatores de correção.
As referidas cotações são apenas orientativas,
de modo que os preços médios praticados no mercado
atacadista brasileiro podem, eventualmente, delas diferir.
|