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GRADUAÇÃO DE DIAMANTES LAPIDADOS
SEGUNDO O SISTEMA DOS 4C's



Luiz Antônio Gomes da Silveira *



1ª Parte – Lapidação

A graduação ou classificação de diamantes lapidados segundo o Sistema dos 4 Cs, desenvolvida pelo Gemological Institute of America (GIA), leva em conta os parâmetros pureza, cor, lapidação (ou talhe) e peso e é assim designado em virtude do fato dos termos equivalentes em inglês, respectivamente, clarity, color, cut e carat (*), terem todos a mesma inicial C.

Embora estes quatro fatores sejam igualmente importantes, a qualidade da lapidação é o que mais profundamente influi no aspecto final do diamante. Apesar disto, na prática diária da maior parte dos que lidam com esta gema, pode-se dizer que ele é abordado quase secundariamente, se comparado aos demais fatores, possivelmente pela dificuldade em quantificá-lo de forma mais compreensível e sistemática.

No atual sistema, para se qualificar a lapidação, são minuciosamente examinados suas proporções e acabamento. Sob o parâmetro Proporções, dimensiona-se uma série de características do brilhante e a compara com um dos conjuntos de proporções consideradas corretas, dentre os quais o mais difundido é o das denominadas “Proporções Ideais ou de Tolkowsky”. Assim, são mensurados a altura da coroa (parte superior da gema facetada), a espessura do rondízio (cintura ou parte intermediária da gema facetada), a profundidade do pavilhão (parte inferior da gema facetada), o diâmetro da mesa (faceta principal da coroa) e o tamanho da culaça (faceta inferior do pavilhão que, idealmente, é o ponto de interseção inferior das arestas). Os ângulos da coroa e do pavilhão podem ser obtidos por medição direta, mas normalmente são deduzidos das proporções medidas, com auxílio de tabelas. À exceção dos ângulos, todas as medidas representam percentagens em relação ao diâmetro do brilhante que, portanto, corresponde a 100 %.

A medição das proporções é realizada com auxílio de um instrumento denominado proporcionoscópio, que consiste de um projetor do perfil do diamante lapidado, dotado de uma tela com as proporções de um brilhante redondo, com as quais o perfil é comparado. As medidas podem ser também obtidas com uma ocular de proporções acoplada a um microscópio gemológico (em substituição a uma das oculares normais) ou estimadas por diversos métodos simples, quando não se dispõe do instrumento ou no caso do diamante encontrar-se cravado. Cabe ressaltar que a relação mútua entre as proporções é mais importante para o aspecto estético do brilhante que quaisquer das medidas de proporção individualmente obtidas.

O parâmetro Acabamento divide-se em Simetria (grau de exatidão da forma e colocação das facetas) e Polimento (condição da superfície do diamante).

A análise da simetria consiste em examinar detidamente o diamante lapidado em busca de eventuais desvios ou defeitos, ocasionados pela retenção deliberada do peso pelo lapidário ou bem de sua imperícia ou desatenção. Os principais desvios de simetria são: culaça excêntrica, mesa excêntrica, mesa e rondízio não paralelos, mesa com forma de octógono imperfeito, rondízio com contorno não circular, rondízio ondulado, rondízio com franjas (ou barbas), facetas distorcidas, facetas com arestas adicionais, facetas com tamanhos desiguais, facetas acima e abaixo do rondízio desalinhadas, facetas extras ou naturas (porções remanescentes do cristal original mantidas deliberadamente sem talhe para servir de orientação ao lapidário).

Com relação ao polimento, é averiguada a presença de pequenas imperfeições que não afetem a pureza, tais como linhas ou marcas de polimento, abrasões, piques, fendas, cavidades, ranhuras e franjas (ou barbas). Do mesmo modo, são examinados os estados da culaça e do rondízio [bruto (torneado), polido ou facetado], a uniformidade da espessura do rondízio e a eventual presença de trígonos (marcas de crescimento triangulares).

Depois de terem suas características individualmente mensuradas ou estimadas, os fatores proporções, simetria e polimento são qualificados com um determinado grau, de um total de quatro ou cinco, de acordo com a norma que se utiliza como referência.

Visando melhor conhecer a extensão da influência da lapidação sobre o aspecto final do diamante e dotar o sistema de graduação do talhe de maior padronização, objetividade, isenção e fundamentação científica, o GIA dedicou ao tema exaustiva pesquisa durante vários anos. Uma das principais conclusões deste estudo é a de que há muitas mais combinações de proporções que resultam em diamantes atraentes além das que supunham os modelos até agora utilizados. Em vista disso, o referido instituto fará modificações no atual sistema de classificação da lapidação de brilhantes redondos, que deverão vigorar nos documentos emitidos por seus laboratórios já a partir do final de 2005 e serão abordadas em um próximo artigo.

* Em termos estritos, a designação inglesa “carat” não corresponde a peso, mas a quilate métrico, a unidade de peso utilizada para gemas de cor lapidadas ou diamantes em estado bruto ou lapidados.


*Luiz Antônio Gomes da Silveira é gemólogo pós-graduado pela Universidade de Barcelona (1988), pela Associação Alemã de Gemologia (Deutschen Gemmologishen Gesellschaft) e pela Associação e Laboratório de Ensaios de Gemas da Grã-Bretanha (Gemmological Association and Gem Testing Laboratory of Great Britain). Engenheiro de Minas (UFMG/1985), é credenciado pela Secretaria da Receita Federal, Responsável Técnico pelo Gem Lab - Gemologia e Engenharia Mineral e ex-Instrutor de Cursos de Gemologia e Diamante na Ajomig/Sindijóias.
web site: www.gold.com.br/~gem - e-mail: gem@gold.com.br

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