1ª
Parte – Lapidação
A
graduação ou classificação de diamantes
lapidados segundo o Sistema dos 4 Cs, desenvolvida pelo Gemological
Institute of America (GIA), leva em conta os parâmetros
pureza, cor, lapidação (ou talhe) e peso e é
assim designado em virtude do fato dos termos equivalentes em
inglês, respectivamente, clarity, color, cut e carat (*),
terem todos a mesma inicial C.
Embora
estes quatro fatores sejam igualmente importantes, a qualidade
da lapidação é o que mais profundamente influi
no aspecto final do diamante. Apesar disto, na prática
diária da maior parte dos que lidam com esta gema, pode-se
dizer que ele é abordado quase secundariamente, se comparado
aos demais fatores, possivelmente pela dificuldade em quantificá-lo
de forma mais compreensível e sistemática.
No
atual sistema, para se qualificar a lapidação, são
minuciosamente examinados suas proporções e acabamento.
Sob o parâmetro Proporções, dimensiona-se
uma série de características do brilhante e a compara
com um dos conjuntos de proporções consideradas
corretas, dentre os quais o mais difundido é o das denominadas
“Proporções Ideais ou de Tolkowsky”.
Assim, são mensurados a altura da coroa (parte superior
da gema facetada), a espessura do rondízio (cintura ou
parte intermediária da gema facetada), a profundidade do
pavilhão (parte inferior da gema facetada), o diâmetro
da mesa (faceta principal da coroa) e o tamanho da culaça
(faceta inferior do pavilhão que, idealmente, é
o ponto de interseção inferior das arestas). Os
ângulos da coroa e do pavilhão podem ser obtidos
por medição direta, mas normalmente são deduzidos
das proporções medidas, com auxílio de tabelas.
À exceção dos ângulos, todas as medidas
representam percentagens em relação ao diâmetro
do brilhante que, portanto, corresponde a 100 %.
A
medição das proporções é realizada
com auxílio de um instrumento denominado proporcionoscópio,
que consiste de um projetor do perfil do diamante lapidado, dotado
de uma tela com as proporções de um brilhante redondo,
com as quais o perfil é comparado. As medidas podem ser
também obtidas com uma ocular de proporções
acoplada a um microscópio gemológico (em substituição
a uma das oculares normais) ou estimadas por diversos métodos
simples, quando não se dispõe do instrumento ou
no caso do diamante encontrar-se cravado. Cabe ressaltar que a
relação mútua entre as proporções
é mais importante para o aspecto estético do brilhante
que quaisquer das medidas de proporção individualmente
obtidas.
O
parâmetro Acabamento divide-se em Simetria (grau de exatidão
da forma e colocação das facetas) e Polimento (condição
da superfície do diamante).
A
análise da simetria consiste em examinar detidamente o
diamante lapidado em busca de eventuais desvios ou defeitos, ocasionados
pela retenção deliberada do peso pelo lapidário
ou bem de sua imperícia ou desatenção. Os
principais desvios de simetria são: culaça excêntrica,
mesa excêntrica, mesa e rondízio não paralelos,
mesa com forma de octógono imperfeito, rondízio
com contorno não circular, rondízio ondulado, rondízio
com franjas (ou barbas), facetas distorcidas, facetas com arestas
adicionais, facetas com tamanhos desiguais, facetas acima e abaixo
do rondízio desalinhadas, facetas extras ou naturas (porções
remanescentes do cristal original mantidas deliberadamente sem
talhe para servir de orientação ao lapidário).
Com
relação ao polimento, é averiguada a presença
de pequenas imperfeições que não afetem a
pureza, tais como linhas ou marcas de polimento, abrasões,
piques, fendas, cavidades, ranhuras e franjas (ou barbas). Do
mesmo modo, são examinados os estados da culaça
e do rondízio [bruto (torneado), polido ou facetado], a
uniformidade da espessura do rondízio e a eventual presença
de trígonos (marcas de crescimento triangulares).
Depois
de terem suas características individualmente mensuradas
ou estimadas, os fatores proporções, simetria e
polimento são qualificados com um determinado grau, de
um total de quatro ou cinco, de acordo com a norma que se utiliza
como referência.
Visando
melhor conhecer a extensão da influência da lapidação
sobre o aspecto final do diamante e dotar o sistema de graduação
do talhe de maior padronização, objetividade, isenção
e fundamentação científica, o GIA dedicou
ao tema exaustiva pesquisa durante vários anos. Uma das
principais conclusões deste estudo é a de que há
muitas mais combinações de proporções
que resultam em diamantes atraentes além das que supunham
os modelos até agora utilizados. Em vista disso, o referido
instituto fará modificações no atual sistema
de classificação da lapidação de brilhantes
redondos, que deverão vigorar nos documentos emitidos por
seus laboratórios já a partir do final de 2005 e
serão abordadas em um próximo artigo.
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Em termos estritos, a designação inglesa “carat”
não corresponde a peso, mas a quilate métrico, a
unidade de peso utilizada para gemas de cor lapidadas ou diamantes
em estado bruto ou lapidados. |