Depois de termos
abordado no último mês o tema dos tratamentos em
águas-marinhas, neste iremos tratar de sua síntese,
substitutos, inclusões e principais regiões produtoras.
Substitutos
Os principais materiais
gemológicos utilizados como substitutos da água-marinha
são o topázio (com coloração natural ou induzida por
irradiação gama, com diversas designações comerciais,
tais como "Sky Blue", "London Blue",
"Swiss Blue", etc), o espinélio sintético
(comercializado desde os anos 20 do último século e
amplamente disseminado no mercado internacional de gemas
sintéticas) e os diversos tipos de vidros. Menos
freqüentemente, são empregados a turmalina e a apatita
de tonalidades claras; o zircão (proveniente
principalmente do Sri Lanka e raramente visto no mercado
brasileiro na cor azul, obtida por tratamento); a
cianita, o euclásio - uma valorizada gema de coleção,
cujas principais ocorrências brasileiras encontram-se em
Minas Gerais (Ouro Preto e São Sebastião do Maranhão) e
Rio Grande do Norte (Equador); as gemas compostas e os
berilos Maxixe e Tipo-Maxixe, discutidos no artigo do
último mês.
Síntese
Desde 1999, a
água-marinha sintética produzida na Rússia pelo
método hidrotermal tornou-se comercialmente disponível
e é, eventualmente, vista no mercado brasileiro de
gemas, na forma lapidada e calibrada. O material
sintético, por definição, apresenta composição
química, estrutura cristalina e propriedades físicas e
ópticas iguais às do seu equivalente natural.
Distingue-se deste por meio do exame das estruturas ao
microscópio (eventualmente mesmo com uma lupa de 10
aumentos), uma vez que a água-marinha sintética
apresenta característicos padrões de crescimento com
aspecto de "chevron", semelhantes aos
observados em muitos outros materiais sintéticos
produzidos pelo método hidrotermal.
Inclusões
A água-marinha
usualmente apresenta poucas inclusões e uma elevada
transparência, o que contribui para realçar sua beleza.
Por este motivo, a presença delas, mesmo em pequeno
número ou tamanho, desvaloriza acentuadamente esta gema,
ao contrário de outras, tais como a esmeralda e a
rubelita, nas quais a incidência de inclusões é mais
tolerável.
As principais inclusões
observadas nas águas-marinhas são os tubos de
crescimento ocos ou preenchidos com fluidos, paralelos ao
eixo c do cristal ("efeito chuva"); as
gotículas fluidas arranjadas radialmente ("estrelas
de neve"); e as inclusões minerais, sobretudo de
albita, apatita, muscovita, turmalina, quartzo, ilmenita,
columbita e monazita.
Principais
Regiões Produtoras
O Brasil detém a
supremacia histórica como fonte de águas-marinhas,
tendo suprido o mercado joalheiro mundial com esta
estupenda gema durante todo o último século, além de
haver dotado os acervos dos principais museus de
mineralogia do mundo com fascinantes espécimes daqui
provenientes.
Embora atualmente a
produção já não seja tão abundante, o Brasil
continua tendo a primazia, seguido de países do
continente africano, sobretudo Moçambique, Madagascar,
Nigéria, Zâmbia e Tanzânia. Em nosso país, as
ocorrências mais significativas encontram-se em Minas
Gerais, em diversas localidades nos vales dos rios
Jequitinhonha e Mucuri, além da região de Santa Maria
de Itabira. Há ocorrências de vulto também nos estados
do Espírito Santo (Mimoso do Sul, Itaguaçú, Baixo
Guandú, Muqui, Castelo, etc), Bahia (Itanhém, Itambé,
Macarani, etc), Rio Grande do Norte (Tenente Ananias e
Parelhas) e Paraíba (Taperoá e Frei Martinho).
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