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TOPÁZIOS


Luiz Antônio Gomes da Silveira *



TOPÁZIOS: ORIGEM DA COR E TRATAMENTOS

Topázio Imperial

Há uma série de trabalhos acadêmicos em curso, nos quais vêm sendo pesquisados os mecanismos envolvidos na origem da cor no topázio imperial da região de Ouro Preto(MG), principalmente buscando compreender a influência sobre ela da presença de traços (< 0,1 %) de elementos químicos tais como cromo, ferro, vanádio, manganês, césio e titânio.

Atualmente, acredita-se que os apreciados matizes róseo, avermelhado e violáceo, assim como o componente róseo dos alaranjados, devam-se à presença de impurezas de cromo e outros metais de transição dispersos na estrutura cristalina do mineral.

O topázio imperial pode ser submetido a tratamentos visando melhorar o seu aspecto e tornar suas cores mais atraentes, com o conseqüente aumento do seu valor de mercado. O método mais usual é o tratamento térmico, através do qual obtém-se gemas rosas a partir de exemplares alaranjados ou amarelos amarronzados. A cor resultante é estável e obtida após um lento aquecimento da gema em um tubo de ensaio até aproximadamente 450 oC, o que permite observar a transformação da cor e cessar o processo no momento mais adequado.

Supõe-se que, durante o referido procedimento, o cromo disperso na estrutura cristalina incorpora-se a ela, de modo que o pleocroísmo torna-se um pouco mais intenso e a linha de absorção do espectro visível, devida ao referido elemento, fica ligeiramente mais evidente nos espécimes rosas tratados.

A técnica de preenchimento de fraturas para melhoria da aparência, comumente utilizada em diamantes, esmeraldas, rubis e safiras, pode também ser aplicada com sucesso no topázio imperial. Este método consiste na impregnação da gema com uma resina de alta viscosidade e índice de refração próximo ao do topázio, efetuando-se o selamento das fraturas com um catalisador, após o endurecimento da resina.

Topázio Azul

Diferentemente do topázio imperial, crê-se que a origem da cor da variedade azul está relacionada a um centro de cor, termo utilizado para designar um defeito reticular no cristal que o torna capaz de reter um elétron em uma posição que normalmente não deveria ocupar, ou bem pela ausência de um elétron, dando lugar a uma vacância.

O tratamento clássico empregado no topázio originalmente incolor ou azul de tons muito claros consiste em submetê-lo à irradiação gama, utilizando como fonte geradora o cobalto-60, com subsequente tratamento térmico entre aproximadamente 200 oC e 300 oC, para fins de indução ou intensificação da cor azul. Este tratamento é estável e amplamente utilizado há pelo menos 40 anos no comércio internacional de gemas de cor.

Por razões ainda desconhecidas, os topázios incolores respondem de modo diferenciado ao tratamento por irradiação gama, segundo a sua origem. Assim sendo, sob iguais condições de tratamento, uma maior proporção de exemplares provenientes de determinadas localidades costuma adquirir a apreciada cor azul e, dentre estes, nos quais o tratamento é bem sucedido, os tons costumam ter maior aceitação comercial e, conseqüentemente, maior valor mercadológico.

Esta distinta resposta à irradiação segundo a procedência distingue-se, obviamente, dos diferentes resultados obtidos sob distintas condições, isto é, quando se alteram variáveis tais como níveis de radiação aplicados, uniformidade das dosagens administradas, tempo de exposição à radiação e dispositivos utilizados. Estas modificações em algumas variáveis resultam em materiais azuis com diferentes tons e saturações, que recebem diversas designações comerciais, tais como “Sky Blue”, “London Blue” e “Swiss Blue”.

As regiões pegmatíticas do nordeste de Minas Gerais, sobretudo a localidade de Marambaia (município de Caraí), têm suprido o mercado internacional de gemas por décadas com topázios incolores que respondem excepcionalmente bem à irradiação. No entanto, nos últimos anos, a produção de topázio incolor desta localidade vem decaindo consideravelmente e sendo gradativamente substituída por materiais provenientes de outras fontes, sobretudo de Ariquemes, em Rondônia, sendo esta, em particular, menos eficaz ao tratamento por irradiação.

A detecção do tratamento por radiação gama pode ser realizada somente por meio de técnicas não utilizadas em laboratórios gemológicos convencionais, como é o caso da que leva em conta a propriedade da termoluminiscência, que consiste na capacidade de um material emitir luz ao ser aquecido, quando previamente exposto à radiação ionizante. No caso particular do topázio, esta emissão de luz ocorre em torno de 360 oC, mas deve-se ter a precaução de não permitir que a temperatura atinja os 450 oC, na qual os exemplares azuis, sejam de cor natural ou induzida, se tornam incolores.

Felizmente, de modo geral, pode-se intuir se um exemplar de topázio azul foi submetido ou não ao referido tratamento, empiricamente, observando-se o seu grau de saturação. Isso é possível porque mesmo os melhores topázios de cor azul natural apresentam coloração menos intensa que a da maior parte dos azuis tratados.

Recentemente, outro método de tratamento, conhecido como difusão superficial - anteriormente utilizado em outros tipos de gemas, sobretudo safiras e rubis - vem sendo aplicado ao topázio incolor, para fins de indução de diversas cores. Até onde sabemos, esta técnica está disponível, em escala comercial, apenas no exterior.

De acordo com informações prestadas por comerciantes de gemas, topázios incolores provenientes de diferentes origens respondem igualmente ao tratamento por difusão superficial. Por este motivo, acreditamos que os valores desta gema tendam a se tornar mais uniformes, independentemente das localidades de onde provenham, à medida que esta técnica for sendo mais amplamente utilizada no topázio, embora não tenhamos condições de prever a extensão do impacto que estas novas condições terão sobre a cotação da variedade incolor e, inclusive, se esta influência já vêm ocorrendo no mercado internacional.


*Luiz Antônio Gomes da Silveira é gemólogo pós-graduado pela Universidade de Barcelona (1988), pela Associação Alemã de Gemologia (Deutschen Gemmologishen Gesellschaft) e pela Associação e Laboratório de Ensaios de Gemas da Grã-Bretanha (Gemmological Association and Gem Testing Laboratory of Great Britain). Engenheiro de Minas (UFMG/1985), é credenciado pela Secretaria da Receita Federal, Responsável Técnico pelo Gem Lab - Gemologia e Engenharia Mineral e ex-Instrutor de Cursos de Gemologia e Diamante na Ajomig/Sindijóias.
web site: www.gold.com.br/~gem - e-mail: gem@gold.com.br

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