TOPÁZIOS:
ORIGEM DA COR E TRATAMENTOS
Topázio
Imperial
Há
uma série de trabalhos acadêmicos em curso, nos quais
vêm sendo pesquisados os mecanismos envolvidos na origem
da cor no topázio imperial da região de Ouro Preto(MG),
principalmente buscando compreender a influência sobre ela
da presença de traços (< 0,1 %) de elementos
químicos tais como cromo, ferro, vanádio, manganês,
césio e titânio.
Atualmente,
acredita-se que os apreciados matizes róseo, avermelhado
e violáceo, assim como o componente róseo dos alaranjados,
devam-se à presença de impurezas de cromo e outros
metais de transição dispersos na estrutura cristalina
do mineral.
O
topázio imperial pode ser submetido a tratamentos visando
melhorar o seu aspecto e tornar suas cores mais atraentes, com
o conseqüente aumento do seu valor de mercado. O método
mais usual é o tratamento térmico, através
do qual obtém-se gemas rosas a partir de exemplares alaranjados
ou amarelos amarronzados. A cor resultante é estável
e obtida após um lento aquecimento da gema em um tubo de
ensaio até aproximadamente 450 oC, o que permite observar
a transformação da cor e cessar o processo no momento
mais adequado.
Supõe-se
que, durante o referido procedimento, o cromo disperso na estrutura
cristalina incorpora-se a ela, de modo que o pleocroísmo
torna-se um pouco mais intenso e a linha de absorção
do espectro visível, devida ao referido elemento, fica
ligeiramente mais evidente nos espécimes rosas tratados.
A
técnica de preenchimento de fraturas para melhoria da aparência,
comumente utilizada em diamantes, esmeraldas, rubis e safiras,
pode também ser aplicada com sucesso no topázio
imperial. Este método consiste na impregnação
da gema com uma resina de alta viscosidade e índice de
refração próximo ao do topázio, efetuando-se
o selamento das fraturas com um catalisador, após o endurecimento
da resina.
Topázio
Azul
Diferentemente
do topázio imperial, crê-se que a origem da cor da
variedade azul está relacionada a um centro de cor, termo
utilizado para designar um defeito reticular no cristal que o
torna capaz de reter um elétron em uma posição
que normalmente não deveria ocupar, ou bem pela ausência
de um elétron, dando lugar a uma vacância.
O
tratamento clássico empregado no topázio originalmente
incolor ou azul de tons muito claros consiste em submetê-lo
à irradiação gama, utilizando como fonte
geradora o cobalto-60, com subsequente tratamento térmico
entre aproximadamente 200 oC e 300 oC, para fins de indução
ou intensificação da cor azul. Este tratamento é
estável e amplamente utilizado há pelo menos 40
anos no comércio internacional de gemas de cor.
Por
razões ainda desconhecidas, os topázios incolores
respondem de modo diferenciado ao tratamento por irradiação
gama, segundo a sua origem. Assim sendo, sob iguais condições
de tratamento, uma maior proporção de exemplares
provenientes de determinadas localidades costuma adquirir a apreciada
cor azul e, dentre estes, nos quais o tratamento é bem
sucedido, os tons costumam ter maior aceitação comercial
e, conseqüentemente, maior valor mercadológico.
Esta
distinta resposta à irradiação segundo a
procedência distingue-se, obviamente, dos diferentes resultados
obtidos sob distintas condições, isto é,
quando se alteram variáveis tais como níveis de
radiação aplicados, uniformidade das dosagens administradas,
tempo de exposição à radiação
e dispositivos utilizados. Estas modificações em
algumas variáveis resultam em materiais azuis com diferentes
tons e saturações, que recebem diversas designações
comerciais, tais como “Sky Blue”, “London Blue”
e “Swiss Blue”.
As
regiões pegmatíticas do nordeste de Minas Gerais,
sobretudo a localidade de Marambaia (município de Caraí),
têm suprido o mercado internacional de gemas por décadas
com topázios incolores que respondem excepcionalmente bem
à irradiação. No entanto, nos últimos
anos, a produção de topázio incolor desta
localidade vem decaindo consideravelmente e sendo gradativamente
substituída por materiais provenientes de outras fontes,
sobretudo de Ariquemes, em Rondônia, sendo esta, em particular,
menos eficaz ao tratamento por irradiação.
A
detecção do tratamento por radiação
gama pode ser realizada somente por meio de técnicas não
utilizadas em laboratórios gemológicos convencionais,
como é o caso da que leva em conta a propriedade da termoluminiscência,
que consiste na capacidade de um material emitir luz ao ser aquecido,
quando previamente exposto à radiação ionizante.
No caso particular do topázio, esta emissão de luz
ocorre em torno de 360 oC, mas deve-se ter a precaução
de não permitir que a temperatura atinja os 450 oC, na
qual os exemplares azuis, sejam de cor natural ou induzida, se
tornam incolores.
Felizmente,
de modo geral, pode-se intuir se um exemplar de topázio
azul foi submetido ou não ao referido tratamento, empiricamente,
observando-se o seu grau de saturação. Isso é
possível porque mesmo os melhores topázios de cor
azul natural apresentam coloração menos intensa
que a da maior parte dos azuis tratados.
Recentemente,
outro método de tratamento, conhecido como difusão
superficial - anteriormente utilizado em outros tipos de gemas,
sobretudo safiras e rubis - vem sendo aplicado ao topázio
incolor, para fins de indução de diversas cores.
Até onde sabemos, esta técnica está disponível,
em escala comercial, apenas no exterior.
De
acordo com informações prestadas por comerciantes
de gemas, topázios incolores provenientes de diferentes
origens respondem igualmente ao tratamento por difusão
superficial. Por este motivo, acreditamos que os valores desta
gema tendam a se tornar mais uniformes, independentemente das
localidades de onde provenham, à medida que esta técnica
for sendo mais amplamente utilizada no topázio, embora
não tenhamos condições de prever a extensão
do impacto que estas novas condições terão
sobre a cotação da variedade incolor e, inclusive,
se esta influência já vêm ocorrendo no mercado
internacional.
|