A água-marinha é a
variedade azul a azul-esverdeada da espécie mineral
berilo e, certamente, trata-se da gema mais
característica e representativa do Brasil, onde existem
inúmeras ocorrências significativas em corpos
pegmatíticos e depósitos secundários deles derivados.
A imensa maioria das
águas-marinhas utilizada em joalheria, no Brasil e no
exterior, foi já submetida a tratamento térmico. Como o
consumidor de jóias prefere a atraente cor puramente
azul desta gema, o procedimento consiste em submeter os
espécimes de matiz originalmente azul-esverdeado a
aquecimento a temperaturas entre aproximadamente 400 e
450oC, mediante as quais adquirem a cor azul,
pela remoção do componente amarelo, devido à redução
de Fe3+ para Fe2+. Como a cor
resultante é permanente, esta é uma prática comercial
estabelecida e que não requer, obrigatoriamente, a sua
revelação, embora seja recomendável que o produtor a
informe ao montador e este ao seu público consumidor.
Berilo Maxixe e
Berilo Tipo-Maxixe
Eventualmente,
deparamos-nos com berilos de intensas cores azuis ou
azuis-esverdeadas que, no entanto, não são
águas-marinhas. Estas cores ocorrem na natureza, mas
podem ser igualmente obtidas por irradiação e ambas
são instáveis. A taxa de descoloração destes
materiais é bastante variável, de modo que o
empalidecimento pode ocorrer em apenas umas poucas
semanas ou durar até dezenas de anos, de acordo com as
condições em que são mantidos e/ou da freqüência com
que são usados.
Acredita-se que o
material original, não-tratado, foi encontrado na
segunda década do século passado na Mina do Maxixe, ao
sul de Araçuaí (MG), daí a designação "berilo
Maxixe". No início da década de 70, material
similar, provavelmente oriundo de Barra de Salinas,
município de Rubelita (MG), reapareceu no mercado
internacional de gemas, sendo então designado
"berilo tipo-Maxixe".
Atualmente, atribui-se o
azul intenso destes materiais a um centro de cor
produzido por irradiação (natural no berilo Maxixe e
induzida no berilo tipo-Maxixe) em espécimes
originalmente incolores, rosas pálidos ou amarelos
pálidos, de determinadas localidades no Brasil e em
outros países, desde que possuam certos precursores (NO3-
no berilo Maxixe e CO3-2 no
berilo tipo-Maxixe).
Os berilos Maxixe e
tipo-Maxixe podem, geralmente, ser identificados através
de ensaios gemológicos convencionais, como a
espectroscopia de absorção na região da luz visível
(apresentam linhas intensas na região do vermelho e
débeis próximas da região do amarelo, todas ausentes
no espectro da água-marinha); a averiguação do
pleocroísmo (exibem dicroísmo anômalo, pois, ao
contrário da água-marinha, a cor mais intensa
corresponde ao raio ordinário); e o exame das inclusões
por microscopia (podem apresentar películas fluidas com
aspecto listrado característico).
Além disso, usualmente
os berilos Maxixe e tipo-Maxixe possuem densidade e
índices de refração superiores aos da água-marinha e
o berilo tipo-Maxixe pode apresentar fluorescência
azul-esverdeada sob luz ultravioleta de ondas curtas,
embora estas características não sejam diagnósticas e,
portanto, devam ser interpretadas com muita cautela.
Pode-se identificar
materiais suspeitos submetendo-os também a um eventual
teste direto de descoloração, mediante exposição à
luz do sol, durante uma ou mais semanas; por meio de
tratamento térmico a aproximadamente 200oC;
ou através da imersão em água, em ebulição, ambos
durante cerca de 30 minutos.
Caso os ensaios acima
referidos não sejam suficientes para identificar a
amostra, faz-se necessário recorrer às técnicas
analíticas avançadas e não estritamente gemológicas.
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