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LÁPIS-LAZÚLI


Luiz Antônio Gomes da Silveira *



Gema extremamente apreciada desde os mais remotos tempos, o lápis-lazúli era utilizado pelas antigas civilizações suméria e egípcia não só em peças de joalheria, como também em amuletos e objetos decorativos, como esculturas e escaravelhos encontrados em tumbas reais e faraônicas. Foi também utilizado como cosmético pelas mulheres egípcias, em sombras para os olhos.
 
Aos poucos, seu uso difundidiu-se entre as civilizações chinesa, indiana, grega e romana. Durante a Idade Média e na Renascença, foi muito utilizado como pigmento em iluminuras, painéis, mosaicos e pinturas, muitas delas sacras.

Mais recentemente, no início do século XX, o artista e joalheiro Peter Carl Fabergé utilizou esta gema em muitas de suas principais obras, dentre as quais em um dos famosos 58 ovos confeccionados por encomenda do czar Nicolau II, da Rússia.

Uma das raras exceções entre as gemas, o lápis-lazúli não se trata de um mineral, mas de uma rocha composta por espécies de cor azul vívido como a lazurita, a haüyna (ou haüynita) e a sodalita, todas possuindo a fórmula geral (Na,Ca)8(Al,Si)12O24X, onde X = SO4 para a haüyna, (S,SO4) para a lazurita e Cl2 para a sodalita. Estes minerais estão intimamente misturados a outros, como calcita, de coloração branca; pirita, de cor amarela e brilho metálico; e diopsidio.

A presença de pirita é geralmente um indício de autenticidade, embora hajam substitutos nos quais são colocadas partículas deste mineral que, em um exame detalhado, revelam não terem sido cristalizadas em situ.

Possui dureza 5 ½, peso específico 2,75 (± 0,25) g/cm3 e índice de refração médio de 1,500, obtido pelo método de visão distante. O lápis-lazúli exibe fluorescência alaranjada ou da cor de cobre em manchas sob luz ultravioleta de ondas longas e de coloração esbranquiçada sob ondas curtas.

Historicamente e ainda hoje, o distrito de Badakshan, no Afeganistão, é o maior produtor e local de onde é extraído o material de melhor qualidade, há pelo menos 6.500 anos. O primeiro registro histórico do depósito coube ao viajante veneziano Marco Polo, no século XIII.

Outras importantes fontes desta gema são o Chile, onde é explorada desde o início do século XX na região de Coquimbo, na Cordilheira dos Andes, próximo à fronteira argentina, além de Myanmar, Tajikistão, Rússia e Estados Unidos. Os exemplares destes países costumam apresentar muitas porções ou veios de calcita que as depreciam, além de raramente exibirem o característico tom azul-ultramarinho dos afegãos.

Os jazimentos desta gema ao redor do mundo têm em comum o fato de estarem situados a elevadas altitudes, em locais inóspitos e, em razão disto, geralmente possuem produção sazonal.

O lápis-lázuli foi obtido por síntese, com ou sem pirita, pelo fabricante francês Pierre Gilson, em 1976. Apesar de seu aspecto convincente, é mais poroso e, consequentemente, possui menor densidade que o material de origem natural. O produto sintético possui textura granular mais uniforme e efervesce mais facilmente em contato com ácido clorídrico diluído.

O lápis-lazúli é frequentemente tingido para intensificar sua cor e tornar menos perceptíveis os veios de calcita branca existentes. O tratamento é detectável ao observar-se a distribuição da cor, concentrada em fraturas, ou ao esfregar-se um chumaço de algodão embebido em acetona, caso não tenha sido aplicada cera ou resina incolor após o tingimento. As ceras incolores são utilizadas para dissimular fraturas, melhorar o polimento superficial e evitar que a tintura extravase; sua presença pode ser revelada ao tocar a superfície do material com uma ponta metálica aquecida.

 

Fontes:

ANDERSON, B. W.: Gem Testing.
CIBJO: Coloured Gemstone Blue Book 2006.
DANA, J. D.: Manual de Mineralogia.
COENRAADS, R. R. & CANUT DE BON, C.: Lápis Lazuli from The Coquimbo Region, Chile - Gems & Gemology, Vol. 36, No 1, Spring 2000 .
GUBELIN, E.J. & KOIVULA, J. I.: Photoatlas of Inclusions in Gemstones.
GUNTHER, B.: Tables of Gemstone Identification.
NASSAU, K.: Gems Made By Man.
NASSAU
, K.: Gemstone Enhancement.
WEBSTER, R.: Gems. Their Sources, Descriptions and Identification.


*Luiz Antônio Gomes da Silveira é gemólogo pós-graduado pela Universidade de Barcelona (1988), pela Associação Alemã de Gemologia (Deutschen Gemmologishen Gesellschaft) e pela Associação e Laboratório de Ensaios de Gemas da Grã-Bretanha (Gemmological Association and Gem Testing Laboratory of Great Britain). Engenheiro de Minas (UFMG/1985), é credenciado pela Secretaria da Receita Federal, Responsável Técnico pelo Gem Lab - Gemologia e Engenharia Mineral e ex-Instrutor de Cursos de Gemologia e Diamante na Ajomig/Sindijóias.
web site: www.gemlab.com.br - e-mail: gem@gold.com.br

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