Sabemos que
as gemas naturais e sintéticas têm, por definição,
iguais propriedades físicas, composição química
e estrutura cristalina. Por este motivo, a maior parte dos ensaios
de identificação usuais, que consistem na mensuração
ou averiguação destas propriedades, são inúteis
à hora de distinguí-las.
Resumimos,
a seguir, os principais procedimentos ou métodos de distinção
entre diamantes naturais e sintéticos atualmente utilizados:
A.
Exames Visuais
Os diamantes
sintéticos apresentam uma ou mais das seguintes características
diagnósticas:
1
- Zonação de Cor
Em exemplares amarelos, os mais comuns, a cor pode não
ser uniformemente distribuída, ocorrendo estreitas zonas
incolores cristalograficamente orientadas e mais facilmente observáveis
através do pavilhão do diamante facetado, com auxílio
de lupa de 10 aumentos ou por microscopia.
2
- Inclusões e Estruturas de Crescimento
Presença de pequenas inclusões metálicas
opacas (restos do material de fluxo utilizado na síntese),
às vezes com forma triangular, ou grupamentos de inclusões
pontuais com aspecto de nuvens, o que pode conferir magnetismo
ao diamante. São freqüentes também as linhas
de crescimento retilíneas ou angulares.
3
- Luminiscência
3.1. Fluorescência de cor amarela, verde-amarela ou alaranjada,
de intensidade variável e normalmente mais forte sob radiação
ultravioleta de comprimento de onda curto (UVC), correspondendo
justamente aos padrões de zonação de cor.
Os diamantes naturais, por outro lado, apresentam fluorescência
de cor azul, mais intensa ou exclusivamente sob ondas
longas. Esta característica deve ser observada com ressalva
pois, eventualmente, tanto os diamantes sintéticos quanto
os naturais podem ser inertes à luz ultravioleta.
3.2. Fosforescência: Os sintéticos incolores podem
apresentar fosforescência persistente, o que não
ocorre com os naturais.
4
- Morfologia
Os cristais de diamante sintético em estado bruto, que
raramente teremos a oportunidade de observar, apresentam forma
cubo-octaédrica e faces com marcas superficiais estriadas
ou dendríticas.
B.
Técnicas Analíticas Avançadas
Na ausência
das características visuais acima descritas, algumas propriedades
dos diamantes sintéticos podem ser averiguadas por meio
das seguintes técnicas analíticas avançadas,
a maior parte das quais não se encontra disponível
em laboratórios gemológicos standard:
1 - Espectroscopia (Visível, de Infravermelho e de Fotoluminiscência).
2 - Técnicas de Imagens de Fluorescência
2.a. Catodoluminiscência.
2.b. Imagens de luminiscência através do “DiamondView”,
instrumento desenvolvido pela De Beers.
3
- Análise Química não destrutiva pelo método
EDXRF (Fluorescência de Raios X de Energia Dispersiva),
para fins de detecção dos metais ferro, níquel
ou cobalto, sendo que a presença dos dois últimos
elementos comprova a origem sintética do diamante, pois
derivam do fluxo no qual se cristaliza. A ausência destes
elementos, no entanto, não indica necessariamente que a
origem da gema em questão seja natural.
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