Embora
o diamante sintético tenha ainda pouca utilização
em joalheria, o aperfeiçoamento das tecnologias de síntese
e a otimização dos processos, assim como os aumentos
na escala de produção e no número de fabricantes
nos levam a crer que, em poucos anos, a possibilidade de um consumidor
brasileiro escolher entre adquirir um diamante natural ou sintético
se tornará uma realidade.
Para
que chegássemos a este estágio, muitos esforços
foram despendidos por diversos pesquisadores ao longo de mais
de 150 anos. Um dos mais importantes pioneiros na tentativa de
sintetizar diamantes foi o prêmio Nobel Frédéric-Henri
Moissan (1852-1907), químico francês cujo nome se
tornou conhecido pelo setor joalheiro em 1997, quando surgiu o
mais eficaz substituto do diamante, a moissanita sintética.
A designação de seu equivalente natural, o mineral
moissanita, é justamente uma homenagem a este eminente
cientista, que o descobriu em um meteorito em 1904.
As
idéias e iniciativas deste e de outros pioneiros inspiraram
diversos pesquisadores a desenvolverem seus próprios trabalhos
até que o diamante fosse pela primeira vez obtido através
de síntese por um grupo de cientistas suecos da empresa
ASEA, em 1953. Como os escandinavos não acreditavam que
outros pesquisadores pudessem se encontrar em igual estágio
de desenvolvimento, o êxito deste trabalho ainda não
se tornara público quando, no ano seguinte, a empresa norte-americana
General Eletric anunciou que havia sintetizado diamante de qualidade
industrial por um processo reproduzível em escala comercial,
solicitando e obtendo sua patente a nível mundial. Quatro
anos mais tarde, em 1958, foi a vez da De Beers comunicar que
também desenvolvera um método de síntese
e já era capaz de produzir diamante em sua planta na África
do Sul.
Novo
marco significativo na história da síntese do diamante
ocorreu em 1970, quando a General Eletric comunicou ter, finalmente,
obtido exemplares de qualidade adequada à aplicação
em joalheria, alguns deles com pesos pouco superiores a 1 quilate,
em estado bruto.
Desde
então, a tecnologia de síntese vem se aprimorando
continuamente, mas também trazendo apreensão à
indústria joalheira. Visando assegurar a credibilidade
do mercado de diamantes naturais e resguardar a confiança
dos consumidores, os fabricantes de diamantes sintéticos
têm procurado fornecer informações detalhadas
sobre os meios de distinção entre os dois tipos,
inclusive com alguns deles comercializando seus produtos com a
devida identificação, seja por meio de inscrições
externas a laser nos rondízios das pedras, marcas internas
e/ou certificados de origem emitidos por laboratórios independentes.
Nos
dias de hoje, apenas cerca de 20% da produção anual
de diamantes no mundo é de origem natural, sendo que aproximadamente
25 % destes são adequados ao mercado joalheiro. Os cerca
de 80 % restantes são sintetizados e destinam-se em sua
quase totalidade às aplicações tecnológicas,
sendo que em 2003 a produção de diamante sintético
atingiu o vultoso montante de 450 toneladas.
O
principal método de síntese utilizado é o
de altas pressões e temperaturas (HPHT), através
do qual se obtém diamante a partir de grafita pulverizada
e que procura reproduzir em prensas de laboratório as extremas
condições em que este mineral se forma na natureza.
Recentemente, a técnica de deposição de vapor
químico (CVD), através da qual se obtém diamantes
diretamente de sua fase gasosa, vem recobrando ênfase, tendo
em vista suas promissoras aplicações tecnológicas.
Os meios visuais e analíticos de distinção
entre os diamantes naturais e os produzidos por estes métodos
serão o tema do nosso próximo artigo.
Empresas
detentoras da tecnologia de síntese, entre elas De Beers,
General Eletric, Sumitomo e Gemesis, assim como alguns laboratórios
de síntese russos têm concentrado seus esforços
nos últimos anos na tentativa de atingir níveis
de produção satisfatórios de gemas de elevada
qualidade em termos de cor, pureza, tamanho, morfologia e simetria,
para que possam, em um breve futuro, atender regularmente a uma
potencial demanda por parte da indústria joalheira.
Embora
todas as mencionadas empresas já tenham obtido experimentalmente
diamantes incolores e de diversas cores e algumas já os
tenham inclusive comercializado em quantidades muito reduzidas,
a maior parte dos diamantes sintéticos de qualidade gemológica
atualmente comercializados continua sendo de cor amarela a amarela-marrom,
pois a redução do conteúdo de nitrogênio,
que origina esta cor, é ainda um procedimento extremamente
complexo e oneroso. Por outro lado, diamantes sintéticos
com cores modificadas por tratamento, sobretudo vermelhos e vermelhos
amarronzados, têm sido vistos com freqüência
cada vez maior no mercado. |