Algumas teorias procuram
explicar a origem do termo topázio e a mais plausível
é que derive do vocábulo sânscrito tapas, significando
fogo. A designação imperial, por sua vez, foi
atribuída à gema em homenagem a D. Pedro I que, segundo
relatos históricos, teria se encantado com a
exuberância dos matizes e tons de alguns exemplares de
topázio que lhe foram oferecidos durante uma estadia na
antiga Vila Rica, em Minas Gerais, de onde foram
extraídos.
Descoberto por volta de
1760, o topázio imperial é a variedade mais valorizada
desta espécie mineral e ocorre unicamente na região de
Ouro Preto, em diversos depósitos numa área de
aproximadamente 150 km2. Atualmente, as minas
mais produtivas são as do Capão do Lana, cuja lavra é
inteiramente mecanizada e situa-se na localidade de
Rodrigo Silva; e a do Vermelhão, localizada em
Saramenha, além de diversos depósitos aluviais nas
cabeceiras de alguns córregos e ribeirões da região.
Esta
fascinante variedade de topázio ocorre numa ampla gama
de cores, do amarelo alaranjado ao laranja-pêssego, do
rosa ao vermelho-cereja. A cor mais rara é a roxa,
seguida pela roxa rosada, vermelha-cereja e pelas
bicolores.
Em termos de
composição química, o topázio trata-se de um silicato
de alumínio e flúor, incolor em seu estado puro.
Acredita-se que as cores do imperial se devam à
presença de elementos de transição e de terras raras
dispersos na rede cristalina do mineral, entre eles Cr,
Cs, Fe, V, Mn e Ti, sendo que os teores dos dois
primeiros exibem uma correlação com a intensidade e
tonalidades do amarelo ao avermelhado.
Existem topázios de
cores algo similares ao imperial provenientes de outras
fontes no mundo, porém a produção é pequena e
descontínua, como em Katlang (Paquistão) ou apresenta
importância apenas histórica, como a outrora
proveniente da Rússia, onde o jazimento encontra-se
praticamente esgotado.
O topázio imperial
ocorre em pequenos cristais prismáticos, apresentando
faces estriadas longitudinalmente, quase sempre com uma
única terminação. Possui clivagem basal perfeita e sua
elevada dureza (8 na escala Mohs) e brilho intenso
conferem às gemas lapidadas uma rara beleza.
Acredita-se que o
topázio imperial possui origem hidrotermal, relacionada
ao último evento vulcânico ocorrido na região; a rocha
mineralizada compõe-se de uma argila alterada, cortada
por veios de caolinita, que são lavrados por desmonte
hidráulico, sendo, em seguida, os espécimes submetidos
à cata manual e classificação.
Os minerais associados
ao topázio imperial são quartzo, mica, dolomita,
especularita, rutilo e, raramente, euclásio, florencita
e xenotima. As principais inclusões são as fásicas, os
tubos de crescimento, as fraturas parcialmente
cicatrizadas e as minerais, sobretudo de ankerita,
tremolita, rutilo, goethita, especularita, topázio e
pirofilita.
O topázio imperial pode
ser submetido a tratamentos, por meio de técnicas
amplamente utilizadas e aceitas no mercado internacional
de gemas, visando melhorar o seu aspecto e tornar suas
cores ainda mais atraentes, com o conseqüente aumento do
seu valor monetário.
O método mais usual é
o tratamento térmico, através do qual obtém-se gemas
rosas a partir de exemplares alaranjados ou amarelos
amarronzados, mediante a remoção do centro de cor
amarelo. Este tratamento é estável e, geralmente, a
melhor coloração é obtida após um lento aquecimento
até uma temperatura de aproximadamente 450oC.
Outros tipos de
tratamento, mais recentemente aplicados ao topázio
imperial, consistem no preenchimento de fraturas com
resina, de uso consagrado em diamantes, rubis, safiras e
esmeraldas, e o método de difusão superficial,
empregado comumente em safiras e rubis.
Como único país
produtor da singular variedade imperial, o Brasil ocupa
posição privilegiada na exportação do mineral
topázio, seguido pela Nigéria, Madagascar, Paquistão,
Sri Lanka e Rússia. Atualmente, os principais países de
destino do topázio imperial são os Estados Unidos,
Taiwan, Japão, Alemanha, Hong-Kong, China, Índia e
Itália.
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