A
Índia foi a única fonte importante de diamantes
do oitavo século antes de Cristo, quando surgem as primeiras
referências a esta gema, até a sua descoberta no
Brasil, no início do século XVIII, sendo a ilha
indonésia de Bornéu uma fonte pouco relevante a
partir do século VII.
Não
há consenso quanto à data e local exato da descoberta
de diamantes no Brasil, bem como de quem pela primeira vez o encontrou
ou determinou sua verdadeira natureza. Normalmente, se aceita
a tese de que a descoberta oficial ocorreu em 1725, embora alguns
historiadores assegurem que o achado se deu ainda no final do
século XVII, nas proximidades do antigo Arraial do Tijuco,
hoje Diamantina, estado de Minas Gerais.
Consta que
os primeiros exploradores que desbravaram as matas em busca de
ouro ao longo do rio Jequitinhonha (MG) e de seus afluentes encontravam
pedras brilhantes no fundo de suas bateias e, sem saber que se
tratavam de diamantes, as empregavam como tentos em jogos de cartas,
até que um sacerdote, que estivera na Índia, as
teria reconhecido.
Há
uma versão segundo a qual os primeiros diamantes teriam
sido encontrados por Francisco Machado da Silva e sua esposa Violante
de Souza, em 1714; outra credita a descoberta a Bernardino Fonseca
Lobo, enquanto alguns historiadores a atribuem ao português
Sebastião Leme do Prado, que residira em Goa, uma possessão
lusitana situada na costa oeste da Índia.
O fato é
que a notícia da descoberta e a chegada dos primeiros diamantes
brasileiros a Lisboa levaram a Coroa Portuguesa a empreender uma
busca desenfreada pelo precioso mineral ao longo dos leitos, margens
e áreas próximas dos rios da região, utilizando
numerosa mão-de-obra escrava e métodos rudimentares.
A descoberta
teve enorme impacto na Europa, salientado pelo fato de que, à
época, os depósitos aluvionares indianos encontravam-se
quase esgotados. Para evitar que grandes quantidades fossem exportadas
para este continente e ocorresse uma queda abrupta dos preços,
prejudicando aqueles que até então detinham a primazia
do comércio, disseminou-se na Europa a falsa notícia
de que as pedras oriundas do Brasil seriam diamantes indianos
de baixa qualidade, exportados de Goa para nosso país e
daqui para a Europa. Os portugueses se viram, então, forçados
a transportar as pedras brasileiras para Goa, de onde eram enviadas
para a Europa como diamantes indianos, cuja boa reputação
era inquestionável.
Durante o
período colonial, a exploração de diamantes
foi monopólio da Coroa Portuguesa, com regulamentação
e fiscalização rigorosas, mas insuficientes para
impedir o contrabando, gerado pela taxação excessiva
e dificuldade no controle do enorme fluxo de garimpeiros à
região produtora.
Às
descobertas em Diamantina, seguiram-se outras no estado de Minas
Gerais, sobretudo na região do Rio Abaeté (Triângulo
Mineiro), em 1728, por mineradores que, clandestinamente, prospectavam
pedras e ouro, apesar da proibição da Coroa Portuguesa.
Mais tarde, esta região se tornaria célebre pela
ocorrência dos maiores diamantes já encontrados no
país. Em 1827, foram encontrados diamantes também
na localidade de Grão Mogol, situada ao norte de Diamantina.
Acredita-se
que os diamantes foram descobertos na região da Chapada
Diamantina, no centro do estado da Bahia, por volta de 1839, inicialmente
na localidade de Mucugê e, posteriormente, em Lençóis,
Andaraí e Palmeiras, na bacia do rio Paraguaçu.
Estas ocorrências foram intensamente lavradas, levando opulência
aos comerciantes da região, mas os trabalhos foram diminuindo
gradativamente no final do século XIX, até quase
cessarem com a Depressão Mundial, na segunda década
do século XX.
A ocorrência
de diamantes em garimpos de ouro no Mato Grosso já era
conhecida desde meados do século XVIII, onde foram descobertos
na localidade de Diamantino, situada a noroeste de Cuiabá.
No entanto, a dificuldade de acesso e a proibição
de prospecção pela Coroa Portuguesa fizeram com
que estas e outras regiões do estado só viessem
a ser exploradas em meados do século seguinte. Ocorrências
de diamante, neste período, nos estados de São Paulo
(regiões de Franca e São José do Rio Pardo)
e Paraná (Rio Tibagi) também são dignas de
nota.
O Brasil supriu
o mercado mundial durante aproximadamente 150 anos, desde sua
descoberta, em 1725, até alguns anos após o achado
de diamantes na África do Sul, ocorrido em 1866, quando
foi então suplantado pela produção africana,
o que alterou completamente o panorama mundial desta gema. É
provável que esta seqüência de eventos, caracterizados
por descobertas de novas fontes quando as antigas declinavam,
que muitos atribuem à casualidade, deva-se, de fato, às
forças econômicas.
Apesar da
precariedade dos dados de produção, estima-se que
tenham sido extraídos aproximadamente 13 milhões
de quilates de diamantes no Brasil, no período compreendido
entre a sua descoberta, em 1725, e o final do século XIX.
Acredita-se que a imensa maioria destas pedras tenha sido de qualidade
gema, uma vez que, na época, a demanda por diamantes para
fins industriais era muito reduzida. Deste montante, supõe-se
que cerca de 5,5 milhões teriam sido extraídos da
região de Diamantina, 3,5 milhões da Bahia e 1,5
milhões de outras regiões de Minas Gerais, sendo
os 2,5 milhões restantes roubados ou contrabandeados para
fora do país. O autor do artigo não dispõe
de informações a respeito da produção
histórica dos estados de Mato Grosso, São Paulo
e Paraná no período.
Fontes
Bruton, E.: Diamonds
Cassedanne, J.: Diamonds in Brazil
Costa, E. D. A.: Depósitos Alúvio-Diamantíferos
da Chapada Diamantina, Bahia
Delaney, P. J. V.: Gemstones of Brazil - Geology and Occurences
Del Rey, M.: Como Comprar e Vender Diamantes
Harlow, G. E.: The Nature of Diamonds
Leite, W. M. & Andrade, A.: Classificação e
Avaliação do Diamante Lapidado
Lenzen, G.: Diamonds and Diamond Grading
Webster, R.: Gems. Their Sources, Descriptions and Identification
|