Dando prosseguimento
ao tema iniciado no artigo anterior, neste abordaremos a origem
das cores naturais azul, rosa, vermelha e púrpura em diamantes.
Rosa,
Vermelha e Púrpura
O final dos
anos 80 marcou o início de uma nova era no que se refere
aos diamantes coloridos, tendo em vista a grande produção
de pedras róseas e amarelas amarronzadas, muito adequadas
a pavês, provenientes da Jazida de Argyle, na Austrália,
o que despertou a atenção não apenas dos
colecionadores e connoisseurs, como também do público
em geral.
Acredita-se
que esses belos e raros tons róseos, encontrados também
no Brasil (Triângulo Mineiro), Índia, Tanzânia,
Indonésia (Bornéu) e África do Sul não
se devam à presença de quaisquer impurezas, senão
a centros de cor algo similares aos que produzem a cor marrom,
isto é, defeitos na rede cristalina do diamante que afetam
a absorção seletiva da luz na região do espectro
visível e lhe conferem tais cores. Raramente, os diamantes
ocorrem na cor rósea pura, mas com componentes modificadores,
sobretudo marrons, purpúreos e alaranjados.
Nos últimos
vinte anos, o fornecimento regular de diamantes róseos,
amparado por um vigoroso marketing, propiciou o desenvolvimento
de um mercado bem estruturado e de tal forma importante que, em
meados da década de 90, o Instituto Norte-Americano de
Gemologia (GIA) viu-se compelido a propor um sistema específico
para a classificação de cor de diamantes róseos
lapidados, com metodologia e termos próprios.
Sob o ponto
de vista científico, os diamantes vermelhos, extremamente
raros, nada mais são que róseos muito intensos,
portanto, sua causa de cor é, evidentemente, a mesma destes.
Usualmente, eles apresentam um componente modificador da cor e
os poucos exemplares que realmente merecem tal denominação
são provenientes da Austrália, Brasil e Bornéu.
Os purpúreos puros também são raríssimos
e a maioria dos que são descritos como detentores desta
cor são, na verdade, róseos purpúreos.
Os diamantes
róseos, vermelhos e purpúreos têm em comum
o fato de suas cores não serem uniformemente distribuídas,
mas concentrarem-se em planos paralelos sobre uma matéria
cristalina quase incolor, tal como acontece com os marrons. Além
disso, eles apresentam semelhanças em seus espectros de
absorção, com uma ampla banda centrada a 550 nanômetros
(unidade de medida dos comprimentos das ondas luminosas, de abreviatura
nm), cuja intensidade aumenta nos exemplares mais corados. Adicionalmente,
os purpúreos e vermelhos apresentam uma banda de absorção
em 390 nm, dificilmente visível nos róseos.
Azul
Os diamantes
azuis, muito raros e valorizados, fazem parte do imaginário
dos colecionadores e um deles, denominado Hope, é, provavelmente,
a mais conhecida gema jamais encontrada. Ele foi descoberto na
Índia e acredita-se que seja parte do famoso Tavernier
Azul, roubado durante a Revolução Francesa. Este
diamante teria sido relapidado para o peso atual de 45,52 quilates
e está exposto no Instituto Smithsonian, em Washington
(EUA), desde 1958. Historicamente, a mais importante fonte de
diamantes azuis é a África do Sul, onde ocorria
principalmente na mina Premier, havendo ainda ocorrências
esporádicas na Índia, Brasil e Indonésia.
A imensa maioria
dos diamantes azuis apresenta tons claros e é do tipo IIB,
cuja coloração está associada à presença
de impurezas de boro, que os torna semi-condutores de eletricidade.
Quanto maior a concentração deste elemento, mais
intenso o azul; como o boro é muito mais escasso em diamantes
que um elemento como o nitrogênio, por exemplo, as pedras
azuis são muito mais raras que as amarelas. Normalmente,
os diamantes de matiz azul possuem um componente modificador cinza,
que deprecia seu valor.
A distinção
entre os diamantes azuis de cor natural do tipo IIB e os azuis
esverdeados intensos obtidos por irradiação baseia-se
na referida propriedade de semi-condutividade elétrica,
uma vez que os irradiados normalmente não apresentam qualquer
traço de boro. Outro método útil para distinção
requer o apoio de uma técnica analítica avançada
e consiste em submetê-lo a um ensaio de espectrocopia de
infra-vermelho.
Recentemente,
surgiram no mercado pequenas quantidades de diamantes azuis e
róseos, cujas cores foram induzidas por tratamento pelo
método GE-POL, a altas pressões e temperaturas,
a partir de pedras originalmente marrons de um determinado tipo.
Atualmente, obtêm-se diamantes de cor azul por síntese,
usualmente com pesos de até 1 ct e fosforescência
mais intensa e de mais longa duração que a apresentada
pelos naturais de cor equivalente. |