O senso comum associa o diamante
a mais completa ausência de cor, o que é
compreensível, uma vez que os incolores a amarelados,
conhecidos como diamantes da Série Cape, são os mais
comuns na natureza, ao lado dos marrons. No entanto,
sabemos que este mineral pode ocorrer naturalmente em
praticamente todos os matizes e tons, incluindo os azuis,
verdes, rosas, púrpuras, vermelhos, violetas,
alaranjados e amarelos que, ao possuírem uma nuança
suficientemente forte, são conhecidos como diamantes com
cores de fantasia (fancy).
Devemos ter em mente que qualquer
diamante com cor de fantasia é uma gema rara pois,
embora não hajam estatísticas consistentes, os
especialistas estimam que existam aproximadamente 10.000
diamantes de cores regulares para cada diamante deste
tipo.
As causas de cor em diamantes
são ainda objeto de intensa investigação científica,
sendo várias delas ainda não inteiramente
compreendidas. Ao contrário das gemas coradas, cuja
principal causa de cor é a presença de metais de
transição, que podem fazer parte da própria
composição do mineral ou estarem presentes como
impurezas, nenhuma das causas de cor em diamantes pode
ser diretamente transposta a outras gemas. Ademais, é
comum que a origem da cor se deva a mais de um mecanismo,
de modo que exista um matiz predominante e um ou mais
componentes modificadores.
A cor amarela, a mais comum
juntamente com a marrom, está associada principalmente
à presença de traços de nitrogênio, dispersos como
impurezas na rede cristalina do diamante. Geralmente,
este elemento ocorre em teores baixíssimos, da ordem de
ppms (partes por milhão), o que significa que basta
haver uma diminuta proporção de átomos de nitrogênio
compartilhando elétrons com átomos de carbono para que
ocorra a absorção da luz nas regiões do verde, azul e
violeta do espectro visível e se dê lugar à cor
amarela. No entanto, ao contrário do que se poderia
supor, a saturação do amarelo não está diretamente
relacionada à concentração de átomos de nitrogênio
no exemplar, o que se constata pelo menor conteúdo de
nitrogênio existente em pedras de cor amarela intensa ou
canário(cor de fantasia), se comparado ao
teor deste elemento encontrado em diamantes apenas
levemente amarelados, pertencentes à Série Cape.
Embora menos cobiçados, os
diamantes de cor marrom estão entre os primeiros a terem
sido utilizados em jóias, havendo relatos de anéis com
diamantes desta cor usados pelos romanos desde o Século
I da Era Cristã. Atualmente, a cor marrom costuma ser
designada como champagne, se presente em tons
claros a médios ou cognac, em tons mais
escuros. Esta cor não é uniformemente distribuída, mas
concentra-se em finas lâminas paralelas sobre uma
matéria cristalina quase incolor e deve-se a um centro
de cor ainda desconhecido, originado pela deformação da
estrutura cristalina, embora possam haver outras causas
menos freqüentes. Nos últimos anos, os diamantes
marrons esverdeados, cuja cor é comercialmente conhecida
pelo termo oliva também têm se tornado mais
populares em joalheria.
Por serem menos valorizados,
parte dos diamantes marrons pode ser submetida a
tratamento para remoção da cor, de modo a torná-los
incolores ou quase incolores, mediante a reconfiguração
de sua estrutura atômica. Para tanto, utiliza-se um
processo a altas pressões e temperaturas, denominado
GE-POL, cujo nome faz referência às empresas General
Eletric Co. e Pegasus Overseas Ltd., que tiveram a
primazia de, respectivamente, realizar o tratamento e
distribuir as gemas tratadas. Este tipo de tratamento tem
se disseminado rapidamente, tendo em vista a alta
proporção de diamantes desta cor que chegou ao mercado
proveniente de Argyle (Austrália) desde finais dos anos
80 e sua detecção se faz somente por meio de técnicas
que não pertencem ao escopo das disponíveis em
laboratórios gemológicos standard.
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