A mística e o fascínio que
gemas como diamante, esmeralda, rubi e safira exercem em
quase todos nós são notórios e compreensíveis. Os
gemólogos costumam lamentar, no entanto, o fato de que a
maior parte dos apreciadores e consumidores de jóias
tenham poucas oportunidades de conhecer e lidar com
outras tantas belíssimas gemas, que não as de uso
tradicional e consagrado.
Ficamos intrigados pelo fato de
que gemas naturais menos conhecidas e de menor valor, mas
de cor ou aspecto parecido ao de outras mais valiosas,
sejam ainda pouco utilizadas como alternativas mais
econômicas, principalmente em cortes e formas menos
usuais, ainda que grande parte delas seja produzida
regularmente em nosso país.
Porque não vemos com mais
freqüência a apatita azul, de tons neon e ultra-marinho,
substituindo a turmalina da Paraíba e a safira ? Ou o
quartzo amarelo-mel com chatoyance ao olho-de-gato ? A
iolita à tanzanita ? O diopsídio à granada tsavorita ?
A safira com mudança de cor à alexandrita ? A jarina ao
marfim ?
Gostaríamos de ver mais
andaluzitas, morganitas, heliodoros, espessartitas,
kunzitas, opalas, pedras-da-lua, berilos verdes,
esfênios, peridotos e muitas outras gemas menos usuais
nas grandes coleções e não restritas apenas a pequenas
linhas ou a peças exclusivas de designers mais
inovadores.
A aceitação e popularização
de tais gemas é, evidentemente, um processo lento, mas
cabe a todos os segmentos envolvidos na produção de
jóias contribuir para a conscientização quanto a sua
existência, sobretudo agora que a disseminação da
informação pela internet criou uma nova geração de
consumidores dotados de mais conhecimentos (mas não
necessariamente melhores) e, portanto, mais curiosos,
exigentes e ávidos por novidades.
Para tanto, faz-se necessário
também que os vendedores de jóias possuam um
conhecimento gemológico básico, que lhes permita melhor
informar e esclarecer ao público consumidor a respeito
das principais características, propriedades,
particularidades e cuidados no uso e conservação dessas
gemas menos comuns.
Em nossa opinião, o aumento da
demanda pelas gemas alternativas elevaria seus preços,
estimulando um aumento nos investimentos em prospecção
e lavra, assim como o desenvolvimento de novas técnicas
de tratamento para intensificação de suas cores e o
aprimoramento das já existentes.
Deixando um pouco de lado as
gemas naturais e nos acercando às sintéticas, nos
perguntamos porque estas não vêm sendo mais amplamente
utilizadas como materiais alternativos, desde que
devidamente revelada a sua origem, uma vez que a
obtenção de gemas de igual composição, estrutura,
propriedades físicas e ópticas ao de suas equivalentes
naturais, a custos bastante inferiores, é uma fabulosa
conquista dos laboratórios de síntese.
Estas têm a vantagem
adicional de serem produzidas em larga escala,
possibilitando aos fabricantes suprir confortavelmente
uma provável demanda crescente, com maior uniformidade
de tamanhos, cores e pureza. Além disso, é de se
esperar, a médio prazo, que o avanço tecnológico na
produção de cristais sintéticos de aplicação em alta
tecnologia leve a uma maior compreensão e melhoria nos
métodos de síntese, trazendo para o setor joalheiro
gemas sintéticas de maior tamanho e qualidade, cada vez
mais parecidas com as naturais e mais difíceis de serem
delas diferenciadas, no que se converterá em mais um
grande desafio para os gemólogos.
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