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FOTOGRAFIA DE JOIAS

O FILME AINDA VIVE


Marcos Vianna *


outubro / 2008

A maior parte de meu trabalho com fotografia de jóias é realizada em mídia digital e esse é um avanço imprescindível no mercado e com vantagens insuperáveis, principalmente na velocidade de todos os estágios do processo.

Há até bem pouco tempo, a discussão sobre o uso da fotografia digital versus fotografia “analógica” era um assunto muito comum e gerava sérias discussões. Com o avanço da qualidade da fotografia digital, quebraram-se todas as resistências. Sebastião Salgado, um dos bastiões do filme, hoje fotografa em digital.

Creio que chegamos a um novo patamar onde o filme encontra seu novo nicho de utilização - a “fine art” - onde ele, principalmente o de grande formato, é o fundamento principal.

A fotografia de jóias realizada em filme é mais lenta, mais trabalhosa e exige profissionais com experiência e cada vez mais raros, mas tem qualidades bem diferentes da fotografia digital pura - lembrando que o processo digital acaba acontecendo com os filmes que são escaneados em alta resolução e depois tratados digitalmente.

O filme registra a imagem em grãos, partículas de corantes e sais de prata que são sensíveis aos diversos comprimentos de luz. Essa característica aumenta a capacidade da mídia de registrar uma enorme gama de matizes em todas as cores, de forma fluida e não simétrica, havendo maior quantidade de partículas nos tons mais escuros e menor nos mais claros. Isso vem a criar uma imagem mais rica e amigável a nossos olhos pois não há a simetria dos pixels, posicionados lado a lado, independentemente da densidade ou saturação. Além disso uma chapa fotográfica, com seus 9x12 cm, é imensamente maior que os sensores digitais utilizados no mercado e isso também aumenta a latitude da imagem – a capacidade de registrar mais informações tanto nas altas luzes como nas sombras - característica importantíssima na fotografia de jóias.

Lembremos que todas essas características do filme só serão percebidas quando falamos de impressão em grande escala ou em altíssima qualidade. Na maioria das vezes o processo digital é muito mais prático e alcança resultados tão bons quanto os do filme.

Não quero dizer que a fotografia tenha mais qualidade que a fotografia digital, mas que ambas têm qualidades diferentes e, consequentemente, linguagens diferentes, destinadas a diversas utilizações.

* A foto que ilustra esse artigo foi feita em filme para a Amsterdam Sauer.


*Marcos Vianna - trabalha com fotografias desde 1984, quando cursava Publicidade e Propaganda na UFRJ. Foi assistente dos fotógrafos Milton Montenegro, Márcia Ramalho, Ella Durst, Job, Vicente Valverde e do Estúdio Bloch Editores. Pertenceu à equipe do Jornal do Brasil, fotografando para a revista Domingo e encartes culturais. Especializou-se em fotos de jóias e tem em seu portifólio trabalhos executados para a Amsterdam Sauer, Natan, Lisht, Kamille Bernard e muitos outros, entre joalheiros e designers. Atualmente atende clientes nas áreas de joalheria, publicidade e moda em seu estúdio em Botafogo, no Rio de Janeiro.
Web site:
www.marcosvianna.com
Contato:
marcos@marcosvianna.com

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