Ela foi a primeira
entrevistada do Jóia br, na época do lançamento do
Portal em 2000. Sua aparição no mundo joalheiro causou
curiosidade e espanto. A ousadia de misturar sementes,
palha e couro de peixe com metais e gemas preciosas fez
da amazonense Rita Prossi uma
pioneira, que lançou um modismo, hoje em dia
altamente difundido. Sua arte merece destaque
também pela valorização da cultura indígena: a designer
trabalha com o artesanato dos índios Waimiri-Atroari e
Saterê-Maué, duas tribos do Amazonas. Faz também
pesquisas junto ao INPA e outros órgãos governamentais
na Amazônia, para ter sustentação científica sobre os
materiais nativos que utiliza. Três anos depois de
nosso primeiro contato, Rita fala sobre sua
trajetória profissional, suas jóias e seus planos.
Jóia br
- Não
podemos deixar de fazer a clássica pergunta, como
tudo começou?
Rita Prossi - Faço este trabalho desde 1994,
mas estou envolvida com a arte desde que nasci.
Aos 15 anos, publicava minhas poesias em jornais, e
fazia trabalhos em madeira, cerâmica, gesso, papel,
entre outros. Meu pai, um artista, escultor e
construtor de casas e barcos, e minha mãe declamava
versos, para dormirmos. Quase todos da minha família
têm dons artísticos: escultores, cantores, decoradores,
coreógrafa, e olhe que somos 11 irmãos! Quase todos
nascidos no interior da Amazônia, e me orgulho
muito disso. Mas foi como vendedora que comecei a ter
contato com jóias. Até que eu descobri que adorava
desenhar jóias, e comecei a inventar as minhas próprias
peças.
Jóia br
- Seu
trabalho está mais diversificado, mais maduro. Durante
estes anos, o que aconteceu de importante
para seu crescimento profissional?
Rita Prossi - Como designer e
joalheira, concluí alguns cursos de design,
gemologia e modelagem em cera, que facilitaram, e muito,
meu trabalho. Isto tudo me abriu portas, como
participação em exposições - dentro e fora do
Brasil, reportagens em revistas nacionais e
internacionais, jornais, programas de
televisão. Recebi convites do IBGM e do Governo do
Pará para ministrar palestras sobre materiais
alternativos.
Jóia
br - Ana
Maria Braga usou jóias de sua autoria no Programa Mais
Você, da TV Globo. Como foi este contato?
Rita Prossi - Foi em março deste ano.
Marilene Lopes, que é amiga de Ana Maria e minha
cliente, presenteou a apresentadora com a coleção
"Jardim de borboletas". Ana Maria ficou
encantada e mostrou as peças em seu programa.
Jóia br - Como você está
administrando suas vendas, já
que o mercado está cada vez mais
competitivo e o consumidor também cada vez
mais exigente?
Rita Prossi - Mudei meu sistema de trabalho,
trabalho com franquias ou melhor dizendo, parcerias.
Descobri meu público alvo. São artistas, são pessoas
informadas, que dão valor à arte, jovens de
espírito, que têm personalidade, e gostam de ser
diferentes. Sendo assim, sei pra quem vender; com um
público direcionado, a venda ficou mais fácil e
rápida.
Jóia
br - A
cópia é um problema que muitas vezes atormenta a vida
dos designers...
Rita Prossi - Este é um assunto que nem gosto
muito de comentar, pois já fui alvo de cópias várias
vezes, tanto no setor de jóias quanto folheados e
bijuterias. Minhas jóias vêm com um certificado de
garantia, com a descrição de todos os materiais
alternativos usados nas peças. Todas elas são
assinadas, para evitar cópias. Agora minhas
peças são todas registradas, e conto com uma assessoria
jurídica. Quem quiser agora fazer modelos iguais aos
meus, vai ter que me contratar!
Jóia
br - Novidades
e planos para o futuro?
Rita Prossi - Acabo de lançar minha nova
coleção "MOY" que, na linguagem
Saterê-Maué, significa cobra mansa e é o nome de uma
linda índia que eu conheço há muitos anos, irmã do
chefe da tribo, e que foi a fonte de minha inspiração.
Quando visitei a tribo deles, no início do ano, fui
batizada de 'uhupey' (pronuncia-se urupeí) - significa
borboleta. E eles nem sabiam que eu tinha uma coleção
borboleta, eu achei fantástico.
Mas falando sobre projetos, 2003 está cheio de
novidades! Em janeiro, foi inaugurada a Jóia Nativa, em
Belém (Pará) e sou responsável pelas peças vendidas
na loja, todas de minha criação. São jóias
que misturam ouro e prata com elementos naturais da
Amazônia, como palha de arumã - trançada pelos
índios, jarina, tucumã, açaí e couro de peixe e boi.
Em novembro estarei expondo
em Londres, na Embaixada do Brasil. Eu também estou
desenvolvendo coleções para outras empresas,
e iniciando parcerias com estilistas, só não posso
divulgar nomes, pois estamos em negociações.

Moy
e seus filhos
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Rita
em visita aos Saterê-Maué
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