| No início dos anos 90, o designer
paulista Marco Apollonio trabalhou
para Lita Mortari, Huis Clos, Bicho da Seda e Andréa
Saletto. Em 1992, recebeu o prêmio IBGM em
bijuteria e em 1999 fez seus primeiros trabalhos
desenvolvidos para a televisão e lançou coleções
de jóias em prata de sua marca. No final de
outubro, ele esteve em Florianópolis para
apresentar com exclusividade sua coleção 2004 no
Espaço Bia Haddad e conversou com Dina
Noebauer, colunista e correspondente do Portal
Jóia br em
Santa Catarina. Jóia br Quando você
começou atuar no mercado como designer
de jóias?
Marco Apollonio - Em 1990, com o atelier
e o lançamento da marca Gala Plácidia. Minha primeira
coleção era formada de peças únicas, com resinas e
folheadas a ouro.
Jóia
br Como
é trabalhar com toda essa diversificação de materiais
na joalheria, como o couro, latão, cobre, resina,
madeira, palha e gemas?
Marco Apollonio Eu
busco sempre aquilo que é diferente, que as pessoas ou
não conhecem ou que ainda não têm o hábito de usar. Se
é uma pérola cultivada ou um cristal austríaco, ou
ainda, um cítrino greengold ou um topázio,
não importa. O que importa é o efeito no resultado
final de cada peça. Atualmente estou trabalhando com
belocha (pele de arraia) e com resina misturada com prata
ou ouro e novas gemas, como o citrino greengold,
e outras gemas tratadas.
"Eu acho que quando a cliente está
buscando uma grande água-marinha como investimento, ela
tem que comprar essa pedra em uma armação qualquer e
colocar no pescoço. Esse é o conceito do cliente. Eu
não sou um vendedor de pedras nem um vendedor de 'quantidades'
de ouro para a cliente guardar no cofre. Eu sou um
designer, tanto posso executar as minhas peças em gemas
e metais preciosos como em outros materiais. Eu vendo
design e é isso o que me importa".
Jóia
br Como
você classifica uma jóia ergonomicamente correta?
Marco Apollonio Isto
é muito complicado e um assunto muito difícil; toda
jóia que não veste bem, a cliente vai colocar uma
única vez e não vai usar mais. O objetivo do designer
ou do estilista é fazer algo que as pessoas usem: quanto
mais usável a peça, mais clientes irão ver e comprar,
e é 'o boca a boca' que funciona. Se uma jóia 'levanta'
de um lado como uma coisa estranha, o brinco parece um poodle
pendurado na orelha (risos...) e o colar está
machucando o pescoço, o designer falhou. Há
todo um conjunto que faz um bom designer sentir-se
realizado, peças facilmente produzidas com um custo
razoável. Mesmo porque razoável ou não é uma questão
de parâmetro: é preferível pagar mais em uma peça que
se use bastante, do que ficar com uma bela pechincha
guardada no armário. A função do 'ergonomicamente
correto' é muito importante, acho que é um dos grandes
elementos do trabalho do designer, mas nem
sempre a gente acerta. De vez em quando eu piso na bola,
daí começo a pensar o que é que eu fiz de errado naquela
articulação que não está boa, aquele fecho que quebrou
fácil, porque a peça brilha demais no polimento... É
legal ficarmos alertas, ver quais são os pontos em que
falhamos, porque é nosso objetivo acertar em tudo:
acertar no acabamento, na ergonometria, e fazer com que
mais e mais pessoas possam gostar do nosso trabalho.
Jóia
br Suas
peças estão em espaços e boutiques
em todo o Brasil. Porque a escolha do Espaço Bia Haddad,
em Florianópolis?
Marco Apollonio - Primeiramente,
eu acho Florianópolis linda, para mim é uma das cidades
mais lindas do mundo. Em segundo lugar, a cidade está
crescendo muito rapidamente, tem muita gente de fora
chegando, as pessoas daqui estão buscando outros
caminhos, outras informações. Há muitos lugares legais
abrindo aqui, então tudo isso despertou o meu interesse.
Quando eu conheci o Flávio e a Bia Haddad, que me
falaram sobre a inauguração do espaço e que iriam
trabalhar com algumas marcas com as quais me relaciono,
como Lita Mortari, Cori, entre outras, eu pensei: eles
estão investindo, querem levar gente bacana! Eles me
fizeram o convite, e pretendem trazer uma grande
exposição que eu tenho para Florianópolis em dezembro,
então tudo isso é maravilhoso. Acho importante estar
presente onde haja pessoas que queiram ouvir falar sobre
meu trabalho e do conceito com que eu o desenvolvo.
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