A
designer Regina Machado, nascida na cidade do Rio de
Janeiro, é formada em arquitetura, com especialização
em Historia da Cultura. Além de desenvolver coleções
próprias, ela se dedica a dar aulas de História dos
Estilos na Joalheria, na Associação dos Joalheiros do
Rio de Janeiro, e tem realizado consultoria e palestras
sobre as Tendências da Moda na Joalheria. É co-autora
dos Cadernos de Tendências na Joalheria para 2001 e
2002, patrocinados pelo Instituto Brasileiro de Gemas e
Metais Preciosos - IBGM.
Regina começou a desenhar jóias
respondendo a uma vontade intima de trabalhar com a
beleza das formas numa escala menor que a da arquitetura,
em que pudesse ver a peça criada por inteiro, e onde o
aspecto decorativo do objeto não fosse relegado a um
segundo plano. Poder trabalhar numa profissão onde a
busca pela "beleza em si mesma" é permitida e
a vocação decorativa da peca é reconhecidamente uma
função do objeto criado é, para ela, um grande prazer.
A questão de
sua identidade com o que pode ser chamado de
"cultura nacional" vem associada ao fato
de Regina se reconhecer como um sujeito
situado no ponto exato do cruzamento entre as duas
grandes referencias estéticas: a temporalidade e a
geografia cultural. " É desse lugar especifico
que vejo o mundo e de onde crio as minhas jóias", diz.
A influência
da cultura nacional é percebida através de um
repertório não somente adquirido pela experiência
visual, mas também imaginado e simbolicamente
construído sobre a identidade brasileira. "Desde
a modernidade que os diálogos entre as estéticas não
reconhecem mais nenhuma fronteira. Na minha infância, a
primeira imagem de uma mulher adornada com jóias e coroa
que vi, não foi a de Iemanjá, a rainha do mar e
personagem mítica de deusa brasileira, mas foi a mesma
que as meninas de vários outras parte do mundo tiveram
acesso: a da Cinderela do Walt Disney".
Não há
porque minimizar a importância da tradição do uso de
adornos que a cultura brasileira possui. O esplendor da
arte plumária indígena, a magnitude de escala dos
adornos africanos e a delicadeza das filigranas da
ourivesaria portuguesa são um poderoso legado para o
trabalho de criação de jóias. No entanto, Regina
Machado valoriza, sobretudo, todas as narrativas e
estilos com os quais a história do pensamento do homem
vem sendo construída.
A arquitetura
será sempre uma paixão para ela: seus volumes e,
principalmente, os detalhes de serralheria são uma fonte
inesgotável de pesquisa para sua joalheria. Sintonizada
com esse interesse ela realizou um curso de Criação de
Jóias para Jovens Artistas de Rua, os chamados
grafiteiros. Nesse curso a designer e seus alunos
caminharam pelo centro histórico da cidade do Rio de
Janeiro e inventariaram material de inspiração para a
criação de jóias por entre os gradis, guarda-corpos e
portões. O resultado do ponto de vista criativo desta
experiência foi surpreendente. Os grafiteiros
substituíram a utilização da cidade como suporte de
sua arte para adotá-la como tema.
A designer produz suas jóias em oficinas
terceirizadas, com processos industrializados, como a
fundição, ou busca soluções artesanais, com
produção limitada. O primeiro caso, pode ser ilustrado
pelo pingente e pelo anel Rocinha: esse conjunto foi
inspirado na verticalidade construtiva da maior favela da
cidade do Rio de Janeiro e realizado em ouro amarelo com
diamantes e cubos de águas marinhas e turmalinas
lapidadas a mão. O segundo caso, pelo conjunto
Tupinambá, inspirado na padronagem geométrica das
pinturas corporais dos índios brasileiros e realizado em
ouro amarelo, diamantes e turmalinas da Paraíba na cor
verde petróleo, e pelo colar solitário em ouro branco,
diamantes e Opala do Piauí que cita o mais popular
souvenir brasileiro, os artefatos decorados com as
borboletas azuis habitantes comuns da nossa Mata
Atlântica, reconstruindo-o através de uma poética
"clean" o que tradicionalmente vem se
apresentando dentro de uma estética "kitsch" e
depredadora.
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Regina
Machado
vem comercializando suas peças nas feiras estaduais do
setor joalheiro ou em venda direta aos consumidores em
exposições. É curadora da exposição O Nilo
Inspira o Rio, mostra de jóias que acontece em
conjunto com a exposição O Egito Faraônico,
Terra dos Deuses, na Casa França-Brasil, no Rio de
Janeiro. E também faz
mestrado na Escola de Comunicação da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, pesquisando a questão do
Design de Jóias.
"A simultaneidade com que
trocamos informações permite sincronias inesperadas. Me
encantou o fato do muito talentoso designer americano
Robert Lee Morris declarar que cria suas peças ouvindo o
samba brasileiro. Eu também faço assim, só que algumas
vezes escolho ouvir Bob Dylan ou John Pizzarelli." (Regina Machado)
regina@antares.com.br
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