Quando chegou ao Brasil, em plena
efervescência dos anos 60, o catalão Pepe
Torras
não imaginou que se tornaria especialista na
transformação de uma das maiores riquezas brasileiras -
a madeira - em jóia. Inspirado e cuidadoso, o artista
lida com pequenas aparas de madeiras provenientes de
área de reflorestamento e, a partir delas, modela
verdadeiras obras de arte.
Anéis,
brincos, berloques, colares e pulseiras - peças únicas
caracterizadas pela originalidade, plasticidade e também
pela sensibilidade de um profissional formado pela Escola
de Belas Artes Massana de Barcelona e pela Escola de
Artes e Ofícios de Barcelona; numa época em que era
comum cruzar com artistas como Salvador Dalí e Antoni
Tápies pelos corredores.
A
trajetória de criação de Pepe Torras, que acabou por escolher o
Brasil como residência, inclui o uso de metais e pedras
preciosas, principalmente diamantes e gemas brasileiras,
ao lado de materiais tão diversos como cristal, pele de
elefante e madeira. Esta última foi surgindo aos poucos
como um capítulo à parte na vida do artista. Virou
paixão. Fascínio que revela um expressivo processo de
amadurecimento.
Suas
criações até hoje são inspiradas por imagens da
infância e referências das ruas de sua cidade natal.
Sua mais nova coleção recria em anéis, pulseiras e
pendentes, as grades, portões e formas desenhadas por
Gaudí, um dos vários arquitetos que deixaram obras
eternas em Barcelona.
Mas não é
só o velho continente que inspira esse joalheiro que
escolheu os trópicos para viver. Uma de suas coleções
de maior sucesso, foi inspirada nos hexagramas do I
Ching, o oráculo chinês com mais de cinco mil anos.
Ainda
garoto, brincava na marcenaria de um tio e se deixava
encantar pelo trabalho com a madeira. O tempo avançou,
deixando a lembrança viva e o tato apurado para
tratá-la como matéria preciosa. No princípio, Pepe
Torras
lançava mão de um único tipo de madeira. Era o tempo
do jacarandá entrar na composição de jóias.
Impressionado com a complexidade da matéria-prima
trabalhada, o artista, em seguida, partiu para a
combinação de várias outras madeiras num tratamento
tipicamente linear. Como quem pinta um quadro ou labuta
até encontrar a forma da escultura. Ou como quem
rascunha linhas para reuní-las em livro, o artista faz
da madeira sua tela, seu papel, seu campo de trabalho. A
obra de Pepe Torrastambém é pura arte que não
está em estantes e paredes. Singular, aparece ora aqui,
vez ali, adornando e tornando cada vez mais especial o
ser humano.
A
inquietude em dar novos usos à jóia e aos materiais, o
fez também criar a uma coleção de peças em ouro e
brilhantes, onde são guardadas pequenas cerâmicas
embebidas no perfume favorito de quem as usa, adornando e
perfumando ao mesmo tempo. As peças dessa coleção
receberam nomes de cidade importantes na carreira do
artista como Paris, Rio, Nova York e Barcelona. E, como
versatilidade é uma constante nas suas criações, a
coleção Bea permite que os miolos dos pendentes sejam
trocados, facilitando a combinação da jóia com a roupa
ou até mesmo com o estado de espírito de quem a usa.
Sempre
trabalhando a madeira brasileira, recentemente Pepe buscou referências na
"marqueterie" mourisca e ousou criar com os
mosaicos, que garantem eterno movimento às peças. Como
cata-ventos, eles seduzem já no primeiro olhar e
convidam para uma visita a este especial universo do
artista espanhol-brasileiro* que homenageia o Brasil toda
vez que toma um pedacinho de madeira para fazê-lo jóia.
*Pepe
recebeu o título de carioca honorário em 1976

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Pulseira
e brincos em ouro amarelo, diamantes e madeiras:
Jacarandá, Muirapiranga, Roxinho, Arararcanga,
Cumaru, Muiracatiara, Pau-Santo
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Seu trabalho recebeu diversos títulos e
premiações como o Grande Prêmio do Concurso Diamantes
Hoje da "De Beers" em 1979 e concurso Diamonds
International Awards, em Nova York, nos anos 1985 e 1987
e foi tema de exposições em Londres, Suiça, Portugal,
Barcelona, Beirute e nas principais capitais brasileiras
ao longo das últimas três décadas.
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