Artista plástico e
designer de jóias há mais de 20 anos, o paulista Michael
Striemer tem uma carreira marcada por
diversas exposições e, nos últimos anos, também como
professor de desenho e joalheria, além de criar vitrines
especiais e projetar a ambientação de estandes para a
exposição de jóias em feiras do setor.

Broche feito em ébano,
prata e águas-marinhas, homenagem ao
semeador das águas, Gilberto Gil
|
A criação de jóias únicas é o que mais fascina o
artista. Para Michael, somos partícula
miúda deste universo, fractais deste sistema complexo
que procuramos compreender e representar de alguma forma
para re-compreender. Quem tem alma de artista vivo
procura, busca de alguma forma criar, inventar alguma
forma de representar esta vida que tanto fascina. O
fascínio é partícula da atração, a sensação do
deslumbramento, do encanto da sedução. Criar fascínio
é um desafio, é uma vontade muito forte de representar
uma idéia de forma encantadora para que o nosso
observador sinta e reflita como espelho a fagulha
cintilante da nossa inspiração, do nosso universo
representado. Dos olhos e do coração dos nossos
observadores recebemos de volta o presente que acabamos
de lhes dar...uma jóia única e rara nascida de uma
faísca iluminada.

A
Força - colar que pode ser usado dos
dois lados, feito com diversas gemas e materiais.
|

Colar
Brasil
|
Sua formação
escolar já foi desde cedo inclinada às artes: cursou a
Escola Rudolf Steiner, o Colégio Santa Cruz, Faculdade
de Artes Plásticas na FAAP-SP e Faculdade de Desenho
Industrial na PUC-RJ. Sua estrada profissional teve
início em 1977, quando atuou como designer da H. Stern,
em São Paulo e Rio de Janeiro.
Saiu de São Paulo em 1979 e
viveu no Rio de Janeiro e em Cunha (SP) até ir para
Ubatuba, litoral norte de São Paulo, onde montou seu
atelier de jóias e ficou de 84 a 97, trabalhando em sua
oficina de jóias à beira da inspiração e da natureza,
saindo apenas para viagens de estudos e atualização
profissional. Nesta época, Michael prestava atendimento
personalizado a clientes e participava de exposições, a
maioria em galerias de arte de São Paulo e Rio de
Janeiro. Em 86, foi professor de joalheria na pioneira
Escola Nova, em São Paulo.
Em 1997, voltou a
freqüentar mais assiduamente a capital paulista,
participando da Feninjer, no Hotel Transamérica, com o
grupo de designers da embrionária ADAJ-SP-Brasil,
Associação dos Designers e Artistas Plásticos de
Jóias criada oficialmente em 1998 - da qual foi
eleito vice-presidente e coordenador das câmaras
setoriais de atividades. Neste ano também participou
ativamente das exposições da recém-criada Galeria de
Jóias Armilla, no Jardim Paulistano, em São Paulo, um
espaço exclusivo para jóias artísticas.
Como parte dos eventos paralelos
à Copa do Mundo, em junho de 1998, participou da
exposição no Carroussel Du Louvre, em Paris,
representando o Brasil na categoria de Exporter
Design,no espaço dedicado à arte em jóias,
organizado pela Joalheria Rosa Okubo.
Em 1998, Michael
continuou
presente em todas as exposições organizadas pela
Armilla e iniciou um trabalho em fundição, com
produção limitada de peças, principalmente para
atender encomendas específicas de empresas, como por
exemplo a da Ferrari, confeccionando um boton com o
logotipo da marca Maserati e seu lançamento no Brasil.
Em 1999 monta sua oficina de
jóias em São Paulo preservando seu atelier em
Ubatuba e produz coleções especiais para
exposições na Galeria Francine.

A
ligação com os elementos da natureza é uma das
influências que caracterizam seu estilo,
marcado por formas e mistura de materiais sempre
inesperadas, como sua coleção
de anéis feitos em madeira e gemas, criada especialmente
para a Galeria Armilla.
Desde 2002
coordena e dá aulas de joalheria em seu ateliê, o Califórnia
120, em São Paulo, e organiza cursos especiais
convidando profissionais especializados para ministrar
aulas de técnicas de joalheria. No ano passado criou uma
sala especial, próxima ao seu ateliê, para cursos de
criação, desenho, Artclay e outros temas relacionados.
"As jóias são o
resultado, a nossa seleção, as especiarias
alquímicamente preparadas com fogo, como ouro, prata,
cobre, paládio, platina e outros metais. Temos também
as especiarias que o mundo mineral nos fornece, as gemas,
nossas pedras preciosas, nossas cores infinitas e
cristalinas. Temos ainda as especiarias orgânicas como
as madeiras com seus cheiros e veios, as conchas ,
madrepérolas e pérolas com seu nácar multicolor e as
resinas naturais como o âmbar e outros mais. Nós
queremos compartilhar todas estas coisas com o mundo,
para que outros possam sentir também o que sentimos
durante todo o processo de criação do nosso trabalho,
da nossa expressão: as nossas jóias".
(Michael
Striemer)
michaelstriemer@uol.com.br
|