No início dos anos 80, Cesar Cony começou sua “conversa com a matéria” (como disse Salvador Francisco em conversa com Carlos Salém) por intermédio de um amigo que abriu-lhe as portas de seu atelier em Porto Alegre e, por conseqüência, do ofício de autor de jóias.
Na época isso foi quase um milagre, pois o "fazer joalheiro" era ainda guardado a sete chaves e transmitido somente de pai para filho, ou adquirido por quem tivesse a oportunidade e a sorte de trabalhar com um ourives ou nas poucas joalherias e fábricas existentes.
Autodidata, Cony iniciou sua produção de forma totalmente empírica. Em 1982, juntamente com 44 artesãos gaúchos, fundou o Brique da Redenção na capital gaúcha (Feira de Arte, Artesanato e Antigüidades), onde expôs durante dez anos e participou ativamente da entidade que representava os artesãos.

Nesse período, teve acesso ao livro “Jóia Contemporânea Brasileira”, de autoria de Renato Wagner. Na obra figuram nomes como Caio Mourão, Bobby Stepanenko e Ricardo Mattar, entre outros, todos precursores da produção da jóia autoral e do ensino da joalheria no Brasil.
Nesses artistas encontrou uma profunda identificação estética e, com a convivência, inspiração para criar a Escola Gaúcha de Joalheria, em 1995.

Juntamente com alunos e professores, Cesar Cony tem realizado exposições, demonstrações técnicas em espaços públicos, palestras, excursões e uma série de atividades que visam essencialmente educar e sensibilizar as pessoas para a arte joalheira, bem como criar oportunidades de divulgação e inserção no mercado dos novos profissionais formados pela escola.

Sua produção artística e o trabalho desenvolvido à frente da Escola Gaúcha são hoje reconhecidos pela seriedade e busca de um aprimoramento constante, aprimoramento este que encontra eco nas palavras de Aldous Huxley, quando ele diz, em “Céu e Inferno”: De todas as artes propiciadoras de visões, as que estão mais à mercê de suas matérias-primas são sem dúvida a ourivesaria e a joalheria. Os metais polidos e as pedras preciosas são tão intrinsecamente arrebatadores, que mesmo um vitoriano, até um joalheiro moderno, são artífices do êxtase. E quando a este encantamento natural do metal refulgente e das pedras cintilantes se acrescenta a magia das formas sublimes e das cores artisticamente combinadas, encontramo-nos diante de um genuíno talismã.
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Cesar Cony
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