Nascida
em Guiratinga, Mato Grosso, bisneta de índio e neta de
garimpeiro, Carmem D'Lamonica
vive em Cuiabá, onde desenha e fabrica jóias.
Há 18 anos, recém-formada em Ciências Contábeis,
mas sem tempo para se dedicar à profissão devido
aos filhos ainda pequenos, Carmem
conheceu o joalheiro francês Jean-François Dupissom
e começou a trabalhar com ele, vendendo jóias. Daí
nasceu uma parceria que durou 12 anos.
De Cuiabá foi para Brasília, onde fez o curso de
design de jóias com Virgínia Moraes. Retornou
à sua cidade e, junto com dois ourives, montou a empresa
Rêve D'Or, amparada por treinamento feito no Sebrae.
Atenta aos detalhes do cotidiano, sua inspiração
para criar quase sempre vem de temas ligados à preservação
ambiental ou histórica. Foi assim que nasceu uma de suas
coleções, "O Patrimônio é uma
Jóia Rara", onde buscou elementos no centro histórico
da capital mato-grossense.
Dona de um estilo inconfundível, Carmem
usa de forma irreverente materiais como náilon, couro,
penas e sementes misturados com metais e gemas preciosas. Tanta
originalidade faz com que a designer conquiste cada vez
mais admiradores, no Brasil e exterior. Nos últimos anos,
fez exposições na embaixada brasileira em Londres
e também na Itália, além de participar da
recente mostra "A Arquitetura na Jóia - Eu Brasil",
no WTC, em São Paulo. Ela também é uma das
integrantes do grupo Joalheria de Arte - Brazilian
Art Jewelry -, junto a outros dez renomados artistas
brasileiros.
O
colar "Revoada das Borboletas" conquistou o 1º
lugar no Prêmio IBGM de Design 2002. A peça é
feita em fio de náilon branco, salpicado de turmalinas
coloridas e fecho em ouro e ametista. Esta jóia foi
doada ao MAC, entidade que apoia doentes vítimas do
cancer, no Distrito Federal.
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Carmem
D'Lamonica participa do projeto "Jóias
do Artesanato Paulista", onde designers de várias
partes do país foram convidados a desenvolver jóias
inspiradas em técnicas artesanais.
"Busquei inspiração na simplicidade das artesãs,
que transformam o capim amargoso em belas peças, tirando
do seu trabalho não só o sustento da sua família,
mas colaboram com a comunidade, gerando renda e emprego",
diz, justificando o trabalho baseado no revestimento em capim
amargoso, técnica usada por artesãs da região
de Barretos.
O
resultado deste trabalho será mostrado durante uma exposição
que acontece junto à Feninjer (maior feira de jóias
da América do Sul), no Transamérica Expo Center,
durante os dias 16 a 19 de agosto.
"Quem usa minhas peças tem estilo
próprio, mas se identifica com o que faço. Minhas
jóias têm personalidade, não têm ostentação"
(Carmem D'Lamonica)
crfreire@terra.com.br
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