Pintor,
desenhista, escultor e joalheiro, Caio
Mourão cria
jóias que são pequenas esculturas e "esculturas
que são jóias que cresceram", como afirmou o
artista Roberto Magalhães, ou "prefere o oval do
ovo, como Brancusi, ao esplendor multifacetado da
romã", segundo Millor Fernandes, se referindo às
peças únicas e exclusivas, consideradas as primeiras
jóias de autor do país.
Artista de
vanguarda, nos anos 60 rompeu com o padrão das jóias
importadas, criando um design moderno, arrojado,
e reconhecido internacionalmente.
Sua
inquietação artística se caracteriza numa busca
constante pelo novo, pela experimentação, e sempre o
conduz a soluções inimagináveis, mas sempre
acrescentando algo ímpar á joalheria.
Usando sua
fonte inesgotável de talentos, Caio aplica conhecimentos conseguidos
como artista plástico para derrubar fronteiras em
diversos reinos da criação.
Quebrando
paradigmas e sempre em busca do novo, do diferente, ele
revolucionou o conceito de jóias no país, transportando
para elas seu talento, nossas pedras e nossa cultura.
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Caio Mourão nasceu em 1933, em São Paulo. Foi aluno
de Aldo Bonadei e colaborador de Antonio Bandeira e Di
Cavalcanti em vários painéis. Expôs na II Bienal de
São Paulo. Em 1956, iniciou-se em joalharia. No ano
seguinte, mudou-se para o Rio de Janeiro e se tornou
carioca 'por adoção'.
"Quando comecei a aplicar
o que havia aprendido como pintor e gravador em
joalheria, conheci Haroldo Burle Marx que era lapidário
e realizava jóias muito arrojadas, desenhadas pelo
irmão (o paisagista Roberto Burle Marx). Começamos a
fazer, em separado, jóias numa linha de ruptura com as
importadas, creio que foram as primeiras jóias com
design brasileiro no país".
Em 1963,
conquistou o 1º Prêmio Internacional de Joalheria, na
VII Bienal de São Paulo. Foi para Paris a convite de
Pierre Cardin, no final dos anos 60. Ministrou curso de design
em Portugal e aprendeu técnicas de fundição e prataria
pesada. De volta ao Brasil, em 1969, começou a dar aulas
em seu atelier, em Ipanema. Aos poucos, sua filha Paula
foi assumindo o comando dos cursos, sempre com a
supervisão de Caio. Alguns dos mais importantes nomes do design de jóias no Rio de Janeiro
passaram pelo Atelier Mourão.
Atualmente,
Caio
mora em Iguaba Grande, no litoral fluminense.
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"Se
na Genesis no princípio era o Caos, podemos
parafrasear dizendo que, na joalheria, no princípio era
o Caio. Podemos ir adiante e, observando o que se faz
hoje em dia, constataremos que, pela influência que
imprimiu em todos nós, no momento ainda ele é a
referência mais marcante de que dispomos. Olhando de
longe o trabalho dos novos joalheiros, posso resumir
afirmando que Caio é o principio, o fim e o
meio." - Alfredo Grosso, ex-aluno, designer
e joalheiro
"Seu nome é
sinônimo do que há de melhor no universo da jóias de
autor. Tenho a honra de ser sido aluna de Caio. Em suas
aulas, tínhamos a oportunidade de superar a inquietante
necessidade de ver nossos trabalhos executados
e era através de situações curiosas, momentos
divertidos, saborosos e, certamente, sábios,
que chegávamos ao fim tão esperado. Foi ele quem me
abriu as portas desse tempo maravilhoso da jóia de
autor. O encantamento foi súbito, e lá se vão 18 anos.
... e como o tempo não tem forma, no entanto, dele
são extraídas coisas boas e preciosas. Caio é
isto, ...que veio no tempo certo" - Lúcia
Abdenur, designer e joalheira.
"Caio é assim como
a Bossa Nova: se não tivesse existido, talvez tudo não
tivesse começado..." - Willian
Farias, ex-aluno, designer e joalheiro
"É fácil ver o que é um
mestre quando Caio tem o metal nas mãos" - Francisco
Garcia, ex-aluno, joalheiro e professor do Atelier
Mourão
"Caio está sempre buscando
coisas novas e diferentes, apresentando surpresas
delirantes aos nossos olhos" - Paula
Mourão
"Caio Mourão sempre viveu
conforme suas convicções, sem desvirtuar suas
idéias" - Livia Mourão
Joy, joie, jóia = Joalheria.
Em inglês, francês, italiano e português significa
alegria e que nunca deixou de ser desde que, na Idade da
Pedra, uma concha, seixos ou penas foram acrescentados ao
corpo humano como atavios.
Eva usava sua folha de parreira alegremente. Hoje em dia,
os seixos são brilhantes, esmeraldas; as penas, metais
preciosos e até a folha vem assinada por um célebre
costureiro, mas a alegria em usá-las é a mesma. Nada
mudou, só o estilo das novas "alegrias". (Caio Mourão)
mourao@redelagos.com.br
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