Há cerca de 30 dias atrás, em meu último artigo,
estivemos abordando os recentes acontecimentos de atos
terroristas nos Estados Unidos e seus desdobramentos nas
relações comerciais. Na verdade, por mais que se espere
que tudo se encontre em perfeita normalidade, os países
de todas as partes do globo estão vivenciando uma nova
ordem mundial, unindo-se para o combate ao terrorismo,
estreitando novas relações comerciais e/ou sociais.
Países que até muito pouco tempo se estranhavam
politicamente agora já trocam apertos de mão.Podemos e devemos tirar proveito
desta situação para reverter a insegurança dos
mercados mundiais. O Brasil caminha em uma direção de
reconhecimento não somente pelo design brasileiro de
jóias, pedras e artesanato mineral, mas como nação
potencial, a ponto de ter voz ativa na próxima rodada de
discussão da Organização Mundial de Comércio, a OMC.
Enquanto o País luta para derrubar barreiras
protecionistas a produtos agrícolas, aço e outros
artigos, podemos usar deste momento para retomar as
ações comerciais que, se não se interromperam
totalmente após os atentados terroristas de 11 de
setembro, pelo menos sentiram uma retração de mais de
50% em seus negócios, na média.
Temos design diferenciado,
mão-de-obra talentosa, empresários determinados e
possibilidade de planejar nossa incursão no mercado
externo de forma profissional, porém não podemos deixar
de lado um fator imperativo de sucesso no exterior: a
formação nas empresas de uma cultura exportadora.
Historicamente nunca fomos impelidos a buscar o mercado
externo e sempre existiu no meio empresarial um tabu
sobre a exportação, que somente pode ser revertido com
informação, preparação e assimilação de cultura
exportadora. Prova deste fator é que existem registros
de cerca de 4 milhões de empresas nas Juntas Comerciais
e somente cerca de 17.000 empresas exportadoras no
Brasil. Se também historicamente o setor de pedras
preciosas é exportador, o setor de produção de jóias,
folheados e bijuterias ensaia agora seus passos com
direção aos mercados estrangeiros.
Porém, mais do que antes,
se faz necessário montar toda uma estrutura de
atendimento ao cliente, sem a tola ilusão de que possuir
experiência de longos anos no atendimento ao mercado
nacional automaticamente conduz ao sucesso no mercado
externo. Erros básicos no atendimento de pedidos, como
diferenças em medidas de anéis, cor ou tonalidade de
ouro, etc. demonstram a falta de preparo de quem se posta
como interlocutor da empresa perante os clientes. Faz-se
necessário preparar uma equipe profissional de
atendimento ao mercado externo, pois da mesma forma que
é preciso conhecer bem os diferentes mercados que
existem dentro do nosso imenso Brasil, é também preciso
se dedicar a conhecer as necessidades de nossos clientes
no exterior, que representam culturas ainda mais
diversas.
Quantas vezes paramos para
pensar porque nossos clientes fazem pedidos tão
diferentes do que estamos acostumados a produzir, ou
exigem determinadas mudanças de atitudes da empresa na
produção de seus artigos? Nunca é demais se lembrar
que o marketing bem aplicado é sempre orientado para se
satisfazer e manter o cliente. O resto é conseqüência.
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