| As
vendas de jóias, pedras, bijuterias, artesanato mineral
e relógios, assim como outros diversos produtos
considerados não supérfluos, mas de segunda
necessidade, principalmente aqueles que de alguma maneira
utilizam insumos atrelados à variação do dólar
norte-americano, têm apresentado resultados
insatisfatórios para seus fabricantes e comerciantes. Resultado do clima de desconfiança
nos rumos da economia, pelo receio que o racionamento de
energia elétrica comprometa a capacidade de crédito da
família ou mesmo pela falta de adequação de salários
dos funcionários públicos sem aumento há sete anos, os
quais representam uma grande parte da população
consumidora, o mercado de consumo experimenta nuanças
que obrigam a empresa produtora de determinados artigos,
como é o caso do setor de jóias, relógios, pedras e
bijuterias a enxergar a exportação como a solução
para os problemas da empresa. Pensamento correto? A
resposta pode surpreender a muitos, pois na maioria dos
casos este tipo de pensamento poderá levar ao insucesso
nesta empreitada.
Exportação não é
saída para problemas financeiros da empresa ou para
absorção da ociosidade da produção. Deve ser encarada
como um esforço consciente de adequação da empresa e
de seus funcionários a uma nova realidade, ou seja, a
formação na empresa de uma cultura exportadora. Por
menor que seja a empresa hoje, poderá se transformar em
uma exportadora de renome internacional, desde que se
prepare e planeje suas ações de forma correta.
A preparação para a
exportação deve iniciar-se pela contratação de uma
consultoria de exportação especializada no setor, para
a preparação de um diagnóstico completo da empresa,
seguido de planejamento estratégico, com pesquisa de
mercado e definição de mercado-alvo e adequação ou
melhoramento da linha de produtos. A consultoria externa
evitará o "mascaramento" de ações e
mudanças necessárias à implementação com sucesso de
um plano de marketing para a exportação.
Dominar a ansiedade para a
entrada no mercado externo é a maior dificuldade do
empresário (perfeitamente compreendida, tendo em vista a
situação do mercado brasileiro) e também o maior fator
de insucesso na exportação, causada pelas dívidas
contraídas ou pela falta de faturamento condizente com o
porte da empresa ou ainda pela inadimplência dos
clientes domésticos. Entretanto, a compreensão que esta
ansiedade pode levar ao insucesso no mercado externo e um
conseqüente aumento dos problemas da empresa já será o
primeiro passo para que se posicione a favor de
implementar as mudanças necessárias à abertura e
manutenção de clientes estrangeiros.
A correta orientação dos
caminhos da empresa que pretende entrar no mercado de
exportação passa inclusive pela definição do
percentual de dedicação da capacidade produtiva para a
exportação e para o mercado doméstico. O ideal é que
se estabeleça quanto se poderá dedicar à exportação
e quanto se mantém dedicado ao mercado interno. Caso
futuramente o mercado interno se restabeleça, é muito
comum a tendência de se abandonar o mercado externo e
voltar atenções novamente com toda a força ao
primeiro, jogando fora todo o trabalho de preparação da
empresa. Caso haja aquecimento de um dos mercados, a
solução ideal é o aumento da capacidade produtiva
somente sobre o percentual destinado àquele mercado,
mantendo intacto o percentual estipulado para o outro.
Exportar ou morrer é o
novo refrão do Governo Federal, que podemos trazer para
a realidade das empresas nacionais, definindo quem se
mantém no mercado ou quem sucumbirá aos problemas
internos brasileiros.
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