| Enfrentamos
tempos de vacas magras. Pode-se observar, de um lado, a
alta e repentina desvalorização do real frente ao
dólar norte-americano e o ouro conseqüentemente
acompanhando esta escalada e, de outro lado, todo o setor
joalheiro aguardando alguma definição, vinda da
primeira cartomante disponível. Chega de economistas que dizem portar uma
bola de cristal, daquelas de puro cristal límpido de
quartzo, prevendo estabilidades versus escaladas de
desastres, apresentando mapas e gráficos,
contradizendo-se na primeira mudança de vento; chega de
dar ouvidos ao que acontece na porta do vizinho, onde
governos dançam tango para esconder problemas internos,
portando cravos murchos na boca e tentando se desviar do
Mercosul como se fosse um bloco desenfreado de Carnaval.
Apagões, desemprego e recessão em vista? Ao invés de
permanecermos na letargia esperando um milagre, buscar o
mercado externo passou a ser um fator não de
oportunidade, mas de necessidade, até mesmo de
sobrevivência das grandes indústrias.
O câmbio nunca esteve
tão favorável à exportação, mesmo se levarmos em
consideração que as principais matérias-primas da
indústria joalheira estão atreladas a ele. Podemos
enumerar diversos outros custos que são cotados em real
dentro da cadeia produtiva, tais como os salários e
encargos, custos administrativos e alguns insumos
produtivos, além de outras despesas. Em relação a
estes custos, a desvalorização veio beneficiar aquelas
empresas que exportam, em contrapartida daquelas que
permanecem estáticas.
Se por um ângulo podemos
imaginar enxugamento de mercado, por outro vemos a
indústria joalheira nacional se sobressair em design
perante o mercado externo. Comentários a esse respeito
não faltam por parte dos compradores estrangeiros,
boquiabertos diante de um País de onde se pensava
somente haver selva, índios, Carnaval e mulheres quase
nuas dançando em posições comprometedoras ao som da
música popularesca da moda no momento. Estamos deixando
de ser a terra das bananas para nos tornarmos um País
industrializado, respeitado por sua criatividade,
apresentando produtos "diferentes",
demonstrando o gosto brasileiro pelo belo.
Nunca o Brasil esteve
antes em tal posição. Devemos aproveitar o momento,
todo o marketing favorável (sem deixar de investir nele)
e apresentar coleções com identidade brasileira. Fugir
da briga de preços, das mercadorias de combate, onde
jóias mal acabadas duelam por migalhas, descapitalizando
empresas que somente por pouco tempo conseguem sobreviver
é o caminho do momento. Momento de exportar qualidade,
design arrojado, de bom gosto e, principalmente, com a
"cara" do Brasil.
Para nos apresentarmos no
exterior no rumo do sucesso, não basta ter o produto
adequado, se a empresa não passa a imagem de seu
produto. É mais ou menos como um milionário vestir-se
em maltrapilhos, sentar-se ao volante de seu Rolls Royce
e ser confundido com o motorista, a quem o carro não
pertence. O empresário brasileiro busca mercados sem
mesmo ter elaborado um plano de marketing, não sabe quem
é o seu público e não consegue nem mesmo definir
mercado-alvo. Não investe em divulgação, a maioria
não utiliza a mídia ou pensa que esta é somente uma
propaganda em revista (não menos importante, mas não a única). Pode-se fazer uma pergunta a um
grupo de empresários sobre qual deles já investiu em
Internet e quais empresas possuem um website. A
resposta positiva será com certeza minoria. Pergunte-se
então a essa minoria quem utiliza a Internet como
mecanismo de divulgação de sua empresa, ou seja, quem
usualmente recebe consultas de importadores estrangeiros
que acessam seu site e onde seu site é divulgado
a resposta será um breve murmúrio.
Não deixemos passar o
bonde da História, vamos subir nele, mas sem tomar
carona em seu parachoque, entremos para chegar ao destino
sentados.
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