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NA
CONTRA-MÃO
Sergio Hortmann (*)
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maio / 2006
O Congresso
Nacional carece mesmo de trabalhar em prol da defesa dos princípios
básicos da Constituição Federal, como em seu
art. 170, que prevê a livre iniciativa e o livre exercício
da atividade econômica. Chamo atenção para a Lei
n°11.281, aprovada no Congresso e sancionada pelo Sr. Presidente
da República, publicada no DOU de 20 de fevereiro de 2006.
Em seus artigos 11 a 14, a referida Lei estipula que a partir desta
data um encomendante de uma determinada mercadoria a uma pessoa jurídica
importadora se solidariza com o pagamento dos impostos advindos desta
operação comercial. O artigo 12 desta mesma Lei alterou
o Decreto-Lei n°37/66, obrigando inclusive o encomendante a se
habilitar ao Siscomex nos termos da Instrução Normativa
SRF n°455, de 5 de outubro de 2004, o que aumenta os custos e
inviabiliza muitas operações.
Os requisitos para este tipo de operação estão
contidos na Instrução Normativa n°634, de 27 de
março de 2006, que prevê que a encomenda continua podendo
ser feita, como antes, porém o importador passa a ter que declarar
na Declaração de Importação o nome do
encomendante e seu CNPJ, além de obrigar este último
à habilitação ao Siscomex.
Não conseguiremos ser um país moderno, com crescimento
auto-sustentado, se esse excesso de controles continuar a nos sufocar.
Um país só cresce e adquire maturidade econômica
baseado no princípio da livre iniciativa e no respeito pelas
leis e pela ordem. Entretanto, ao engessar ações que
deveriam ser simples e menos onerosas, seguimos na na contra-mão
e as leis que deveriam nos proteger e incentivar nosso crescimento
nos estacam na corrida pelo desenvolvimento.
Há que se controlar os ilícitos e não sou contra,
mas não se pode impor controles que acabam sim por gerar o
descontrole ou o descaminho. Ao burocratizar operações
que em qualquer país desenvolvido são simples e abertas,
estamos caminhando para o fechamento da economia e à motivação
dos ilícitos como forma de sobrevivência. Luto todos
os dias para que caminhemos rumo à simplificação
dos procedimentos, mas parece que os nobres deputados que deveriam
representar estes interesses estão mais preocupados em defender
outros menos nobres. |
(*) Sergio R. Hortmann - Consultor em Comércio
Exterior, Marketing Empresarial e Planejamento
Estratégico, Sócio-proprietário da AH Internacional
Ltda. Exportação, Importação e Consultoria, ministra
também cursos e palestras para empresas do setor. |
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