A proposta desta coluna tem sido discutir temas referentes ao comércio
internacional que têm íntima ligação com o dia-a-dia das empresas que
atuam com exportação ou importação. A linguagem utilizada não é acadêmica,
até mesmo com licenças do português formal, mas dentro de um padrão de
transmissão de informações que qualquer um possa compreender, desde
estudantes da área até os mais experientes profissionais. Assim, peço licença para abordar de forma prática um tema que tem incomodado muitas empresas, para que juntos possamos começar a mudar, por imposição ou por
conhecimento dos problemas, os absurdos do transporte de
mercadorias.
Um dos gargalos mais importantes do comércio internacional brasileiro é a
ineficiente infra-estrutura de transportes. Na área de joalharia, transportar mercadorias de valor nos trechos domésticos tem sido um exercício de criatividade e alto custo. Dos locais de início do trânsito
aduaneiro ou de partida das mercadorias para pontos de saída para o
exterior (onde se fará a conclusão do trânsito aduaneiro, caso seja este o
caso), as companhias aéreas têm simplesmente recusado o transporte, ou
aceitado sem a devida cobertura de seguro.
Aconteceu recentemente um incidente que levou a um atraso de 2 semanas em
um embarque para exportação de jóias, através da empresa aérea Lufthansa, com a qual
várias empresas joalheiras estão deixando de embarcar, exatamente pelo que tem ocorrido. Se detectada alguma diferença de peso, a maior ou a menor, por menor que seja esta diferença, a Lufthansa não mais embarca a carga, obrigando o exportador a cancelar o despacho aduaneiro e refazer toda a documentação de transporte, entrando novamente com a liberação alfandegária. Mesmo que o exportador assine uma declaração que tem ciência e se responsabilize pela diferença de peso, a empresa aérea tem se se mostrado inflexível. Depois, então, de duas experiências amargas relatadas por nosso despachante aduaneiro, que atende cerca de 200 empresas exportadoras do setor joalheiro, foi a Lufthansa cortada do time de fornecedores de transporte internacional de cargas de valor. Sugiro que atentem para pequenas diferenças de peso, pois pode resultar em um problema sério.
Outro problema ocorreu com uma empresa exportadora, para duas cargas de exportação marítima, uma através do Porto do Rio e outra através do Porto de Itaguaí (Sepetiba). A carga não pôde seguir devido a um determinado problema e o container não foi liberado pelo IBAMA/Rio, que o reteve por falta de interesse na solução do problema e um completo desentendimento com a Receita Federal. O resultado foi uma retenção dos dois containers por um longo período. Chamo então a atenção para um importante fato: a louvada compreensão do problema causado pelo IBAMA/Rio e a isenção da cobrança de detention do container por parte da Cia. Marítima Libra, em detrimento da completa falta de intenção de bem atender o cliente por parte da Cia. de Navegação CMA/CGM, que cobrou detention de US$3 mil do exportador, agravando ainda mais sua situação.
Escolher empresas idôneas, que estão interessadas em bem atender atenua a gravidade dos problemas que as empresas brasileiras enfrentam no dia-a-dia de suas atividades de exportação e importação de cargas. A situação das rodovias, em estado de abandono, apesar dos gordos impostos que pagamos para mantê-las bem cuidadas, a pesada carga tributária sobre as cias. de transporte, o custo de segurança para os fretes, à mercê de ladrões de cargas, a demora das transportadoras em juntar cargas para o envio, a burocracia nos terminais alfandegados de zona primária (e até mesmo em zona secundária), onde somente veículos autorizados podem entrar, além de muitos outros problemas, infernizam a vida dos exportadores e importadores. Só nos resta, então, a possibilidade de pressionar as empresas fornecedoras de serviços para que melhor atendam seus clientes.