fevereiro / 2005
Segundo o jornal O Estado
de São Paulo, a previsão da ONU para o
crescimento do comércio mundial é de 8% para 2005. Se
avaliarmos este número frente ao desempenho de 10,6% em
2004, podemos constatar que a previsão é pessimista, em
relação ao ano passado, mas na verdade é realista, se
analisarmos as causas e efeitos. Esta queda acompanha o
desempenho do PIB mundial.
Se tomarmos os números da China,
o maior dos países emergentes, este ano suas
exportações crescerão apenas 19,5%, em detrimento ao
ano de 2004, as quais aumentaram 32%. Já suas
importações crescerão 22,5%, apresentando pela
primeira vez na história deste país um déficit na
balança comercial.
Se por um lado a desvalorização
do dólar norte-americano, em comparação às principais
moedas fortes mundiais, traz uma oportunidade de
renovação dos parques industriais, pela facilitação
da importação, diminui em contrapartida a
competitividade dos exportadores. O leitor poderá
questionar: mas se estimula a importação, por que os
exportadores não se sentem satisfeitos pelo aumento da
demanda de importação? O que comanda o aumento das
exportações atualmente são as commodities, ou produtos
primários, além do setor de bens de capital, que sofre
oscilação direta da flutuação do dólar. Estes sim,
sentem diretamente as desvalorizações e promovem
aumentos até mesmo de produção. Aí inicia-se um
círculo vicioso: inunda-se o mercado com determinado
produto e o preço cai novamente, anulando sua
competitividade.
E os manufaturados? Como a
maioria dos investimentos são sempre direcionados à
produção de bens primários, e esta é uma
característica do mercado brasileiro, que aos poucos
começa a mudar. Os produtos manufaturados carecem de
subsídios, financiamentos governamentais a juros
internacionais, matéria-prima cara e com alto agregado
de impostos, inchando demasiadamente o custo final dos
produtos e desestimulando a exportação. No dia em que
tivermos realmente uma política industrial voltada à
exportação, como acontece na maioria dos países de
economias estabilizadas, poderemos deixar de exportar
impostos e dizer, sim, que o Brasil tem um custo de
produção baixo e poderemos investir na produção, pois
seremos altamente competitivos.
Escuto muito dizer que o Brasil
tem mão-de-obra barata. Entretanto, este fator é
anulado em muitos casos pela alta carga de impostos
embutida em nossos produtos de exportação e pelo custo
do capital de giro, a juros (oficiais) de 19% da
famigerada taxa Selic. Poderíamos vender muitas vezes
mais se a exportação fosse realmente desonerada, em
toda a sua cadeia produtiva. Não seríamos o País dos
US$100 bilhões de exportação, mas seguramente o país
dos US$500 bilhões.
Para crescer nossas
exportações, então, sem esperar que o Governo possa
tomar medidas eficazes, devemos produzir da forma que
ninguém produz. Produtos únicos e com alto diferencial
poderão passar por cima de todos estes aspectos e fazer
parte do pequeno, mas ainda previsto, crescimento do
comércio mundial.
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