| Quando
fui convidado a escrever esta coluna, que estará
disponível mensalmente a partir desta data, fiquei muito
feliz por ter a oportunidade de comentar sobre assuntos
que compõem minha atividade diária já há alguns anos:
a exportação de jóias, pedras preciosas e artesanato
mineral. Estarei participando a todos os leitores as
minhas experiências e estudos sobre as atividades de
planejamento estratégico, práticas operacionais e
promoção comercial na exportação de artigos do setor. Exportação não é mais um
"tapa-buraco", ou a possibilidade de
colocação de excedente de produção ou ainda a
salvação para déficits de caixa de uma empresa.
Exportar passou a ser um ato cotidiano do setor de
jóias, pedras preciosas e artesanato mineral, planejado
e com crescimento gradual. A cada dia, surgem novas
empresas exportadoras, desde pequenas oficinas a grandes
produtores.
Os números divulgados
pela balança comercial brasileira indicam que o setor
tem enorme potencial de crescimento na pauta de
exportações brasileiras e vem, ano a ano, tomando
vulto. As empresas do setor não podem mais permanecer
imóveis e acomodadas, quando o mercado de exportação
se apresenta tão favorável aos produtos brasileiros.
Fatores determinantes de
competitividade, tais como design, preço, custo de
mão-de-obra, qualidade e produtividade e a aplicação
de alta tecnologia de fabricação, hoje disponível a
qualquer empresa, fazem com que as jóias brasileiras se
equiparem ou ultrapassem em competitividade àquelas
produzidas por mercados tradicionais, tais como Itália,
Hong Kong, Tailândia e Índia.
O design brasileiro passou
a ser respeitosamente reconhecido em outros mercados,
importadores estrangeiros tradicionais já demonstram
interesse pelo produto brasileiro e buscam parceiros
comerciais entre empresas aqui sediadas. Tamanha tem sido
a aceitação do design brasileiro que, em alguns casos,
o fator preço passou a ser secundário, tendo os
importadores como principal prioridade adquirir produtos
que satisfaçam a busca constante do mercado por novos
produtos. Poderíamos dizer que "é como fazer a
mesma coisa de maneira diferente".
Tão importante quanto
transpor fronteiras é fazê-lo de modo planejado. As
empresas que pretendem ganhar novos mercados ou mesmo
aumentar sua participação em determinado(s)
mercado(s)-alvo devem programar suas atividades. Antes de
ser exportador, deve-se ser profissional e abandonar
práticas amadorescas. Para iniciar suas atividades
comerciais em qualquer mercado, faz-se necessário
antecipadamente obter informações sobre o mesmo, para
tanto listo abaixo as principais:
- Como atuam as
empresas concorrentes naquele mercado;
- Quais são as
práticas comerciais e financeiras adotadas por
importadores, comerciantes/atacadistas e
consumidores finais;
- Legislação de
importação e comércio interno;
- Fatores culturais e
educacionais da população;
- Fatores
demográficos;
- Regime político;
- Restrições,
barreiras alfandegárias e não-alfandegárias
e/ou tradições de consumo (como por exemplo
teor de liga de ouro ou cores com significados
especiais);
- Fatores econômicos;
- Riscos cambiais.
Deve-se buscar pesquisas
de mercado já realizadas por algumas representações
diplomáticas do Brasil no exterior, através de seu
SECOM (Setor de Promoção Comercial), ou nas
associações ou sindicatos da classe joalheira de seu
estado ou ainda junto ao Instituto Brasileiro de Gemas e
Metais Preciosos IBGM, com sede em Brasília e
escritório em São Paulo.
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