É inegável que a
informação correta, antecipada ou na hora exata e bem
utilizada é a maior arma que possui um profissional de
Comércio Exterior hoje em dia. Como profissional atuante
na identificação das práticas e suas corretas
aplicações no comércio internacional do setor de
jóias e pedras preciosas há cerca de 14 anos, além de
exercer a prática da consultoria de exportação para
empresas exportadoras do ramo, sou sempre procurado por
diversas entidades e empresas quando o tema é polêmico
e afeta o dia-a-dia das empresas.Recebi, no dia 23 de agosto passado, uma
comunicação do presidente da CODACA Associação
das Comissárias de Despacho Aduaneiro de Minas Gerais,
sobre a desativação, a partir de 1º de
setembro, do vôo de conexão internacional (vôo RG8819)
que a VARIG mantinha em operação. Tal conexão partia
da área de embarque internacional do aeroporto de
Cumbica e, sempre lotado, juntava todos os passageiros
que deveriam desembarcar em Belo Horizonte,
possibilitando a estes a declaração de suas bagagens na
Alfândega do Aeroporto de Confins.
Tal medida representará
uma enorme dificuldade para os exportadores do setor de
pedras preciosas e jóias, principalmente se levarmos em
conta que a esmagadora maioria de empresas exportadoras
de pedras preciosas e jóias partem de Belo Horizonte e
deveriam também retornar por esta cidade. Provavelmente
a solução para esta dificuldade será a migração
total destes passageiros para utilização da empresa
American Airlines, que mantém seu vôo direto de New
York e Miami com destino a Confins. Mesmo com destino
Europa ou outro continente, caso a VARIG não reveja sua
errônea, impensada e unilateral medida, o passageiro
poderá embarcar pela empresa concorrente e tomar
conexões que partam dos estados Unidos para outros
continentes. Logicamente esta medida resultará em maior
tempo de viagem e conexões, mas resolverá a total
impossibilidade de se declarar produtos retornados de uma
exportação em consignação no aeroporto de São Paulo.
Todas as empresas
exportadoras mineiras souberam ou já experimentaram
declarar produtos na alfândega do aeroporto de São
Paulo, com prazos de retenção das mercadorias de 30 a
60 dias para liberação. Estes prazos inviabilizam
totalmente a utilização desta rota.
Caso a VARIG insista em
transformar esta importante conexão internacional em
vôo doméstico, sem ouvir as partes interessadas, terá
um avião decolando com menos da metade de seus assentos
ocupados, pois a parada na alfândega de São Paulo,
mesmo para quem não tem bagagens a declarar, tem levado
à perda da conexão, tendo que permanecer muitas vezes
um dia inteiro no aeroporto, para tomar outro vôo.
Com toda a certeza esta
medida da VARIG agradará somente à concorrente American
Airlines, que passará a absorver quase todos os
passageiros do setor de exportação de pedras preciosas
e jóias, sediados nos pólos exportadores de Teófilo
Otoni, Governador Valadares e Belo Horizonte, além de
outras cidades do Estado de Minas Gerais.
|