dezembro / 2006
Dentre
as muitas ações em favor do empreendedorismo que
o SEBRAE executa, há que se destacar os Arranjos
Produtivos Locais, chamados simplesmente pela sua abreviatura
APL e conhecidos também como Clusters.
Especialistas na implementação e custeio financeiro
das ações dos APL em diversos setores da economia,
o SEBRAE tem como objetivo promover a competitividade e a sustentabilidade
dos micro e pequenos negócios, estimulando processos locais
de desenvolvimento.
Segundo
definição do próprio SEBRAE, através
de seu website, arranjos produtivos são aglomerações
de empresas localizadas em um mesmo território,
que apresentam especialização produtiva e mantêm
algum vínculo de articulação, interação,
cooperação e aprendizagem entre si e com outros
atores locais tais como governo, associações empresariais,
instituições de crédito, ensino e pesquisa.
Para
isso, é preciso considerar a dinâmica do território
em que essas empresas estão inseridas, tendo em vista o
número de postos de trabalho, faturamento, mercado, potencial
de crescimento, diversificação, entre outros aspectos.
Por isso, a noção de território
é fundamental para a atuação em Arranjos
Produtivos Locais. No entanto, a idéia de território
não se resume apenas à sua dimensão material
ou concreta. Território é um campo de forças,
uma teia ou rede de relações sociais que se projetam
em um determinado espaço. Nesse sentido, o Arranjo Produtivo
Local também é um território onde a dimensão
constitutiva é econômica por definição,
apesar de não se restringir a ela. Portanto, o Arranjo
Produtivo Local compreende um recorte do espaço geográfico
(parte de um município, conjunto de municípios,
bacias hidrográficas, vales, serras, etc.) que possua sinais
de identidade coletiva (sociais, culturais, econômicos,
políticos, ambientais ou históricos).
Além
disso, ele deve manter ou ter a capacidade de promover uma convergência
em termos de expectativas de desenvolvimento, estabelecer parcerias
e compromissos para manter e especializar os investimentos de
cada um dos atores no próprio território, e promover
ou ser passível de uma integração econômica
e social no âmbito local.
Um
Arranjo Produtivo Local é caracterizado pela existência
da aglomeração de um número significativo
de empresas que atuam em torno de uma atividade produtiva
principal. Temos APL’s dentro do setor joalheiro em algumas
regiões/cidades brasileiras, tais como Rio de Janeiro (RJ),
Belém (PA), Cuiabá (MT), Teófilo Otoni (MG),
Pedro II (PI), Limeira (SP) e Lajeado (RS), este último
com atuação também em outros centros de produção
gaúchos.
Tenho
testemunhado o sucesso de alguns destes APL’s e gostaria
de destacar um deles, que acabo de visitar e conhecer, o da cidade
de Belém/PA, gerido e implementado pela Associação
São José Liberto, com apoio do SEBRAE, do Governo
do Pará, do MCT e de outras entidades parceiras. Com a
exploração da cultura local e utilização
das abundantes matérias-primas da região amazônica,
este pólo joalheiro tem criado e apresentado um tipo de
jóia diferente das outras regiões do País.
Ações
como estas devem ser apoiadas e incentivadas, pois é notório
o nível de desenvolvimento das micro e pequenas empresas
participantes de um APL, antes e depois de sua implementação.
Pode-se resumir o resultado como a utilização da
experiência coletiva, profissionalmente assistida, para
o desenvolvimento sustentado das empresas e atores envolvidos
no processo.