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mundo todo se abalou pelo ataque terrorista nos Estados
Unidos, não somente pela brutalidade de se aniquilar
milhares de cidadãos inocentes, mas também pelas
declarações do presidente norte-americano de
retaliação, ataques militares aos afegãos, além de
outras conseqüências ainda não previstas. Entretanto, em caso de guerra ou
ataques armados, a tendência da população do maior
país consumidor do mundo será a de se proteger dos
rumos que tomará a economia norte-americana, para uma
profunda recessão, adiando a compra de artigos
considerados "supérfluos", incluídos aí os
produtos do setor joalheiro.
Por outro lado, o povo
americano é extremamente patriota e grande parte deste
tem atendido aos apelos do Governo dos Estados Unidos de
não desaquecer o consumo, sob pena de desmoronar a
economia do País. Todos os acontecimentos estão ainda
muito recentes e gravados na memória das pessoas, por
isso é natural que seja preciso algumas poucas semanas
mais para que o mercado retome seu aspecto de aparente
normalidade. Podemos sentir as turbulências pela
desvalorização acentuada do real, pela elevação do
preço do ouro e pelo receio da população brasileira de
uma guerra que, apesar de travada no hemisfério norte,
afetaria sem dúvida nosso mercado. O resultado imediato
da subida dos insumos é a compreensível redução das
atividades de comércio, porém já experimentamos
fenômeno similar quando da brusca maxidesvalorização
do real em fevereiro de 1999, quando todo o mercado parou
durante algum tempo.
Muitos já tiveram a
oportunidade de ouvir uma estória de um humilde vendedor
de cachorro-quentes o qual mal sabia assinar seu nome,
que tinha um carrinho na beira de uma estrada muito
movimentada no interior do Brasil. Com muito esforço o
comerciante conseguiu mandar seu filho para a capital,
para cursar a Faculdade de Administração de Empresas.
Durante o período em que seu filho estudava, o
comerciante resolveu investir em seu modesto negócio e
começou a espalhar placas muito simples ao lado de seu
carrinho, salientando as delícias de seu produto. Vendo
as placas, os carros começaram a parar e experimentar
seu cachorro-quente, o que elevou gradativamente as suas
vendas. Como o comerciante começou a prosperar, colocou
placas maiores, iluminadas, trocou seu carrinho por um
trailer e plantou placas no outro lado da estrada, o que
aumentou ainda mais suas vendas, alcançando um grande
volume de atendimento a clientes.
Nisto, seu filho volta da
faculdade, já formado, que ao deparar com tamanho
investimento por parte do pai se assusta e diz: "-
Pai, você está louco? Não sabe que estamos passando
por uma enorme crise econômica? Como pode gastar tanto
dinheiro em seu negócio, quando o País está
atravessando uma recessão tão grande?" O
comerciante pensa logo que seu filho formado haveria de
ter razão, pois estudou na universidade, sabia das
coisas e ele próprio mal escrevia seu nome, por isso
mandou retirar todas as placas, reduzindo seu
investimento. Em conseqüência disso, os carros que
antes paravam em seu estabelecimento começaram a
escassear, o comerciante foi obrigado a trocar o trailer
pelo antigo carrinho de cachorro-quente, até que, sem
clientes, vendeu o carrinho e retornou à sua cidade
natal, dizendo a todos quanto o seu letrado filho tinha
razão, realmente o mercado estava em enorme crise
econômica, fazendo-o fechar seu negócio.
Esta estória ilustra em
parte o momento atual, onde não se deve deixar abalar
pela conjuntura e jogar fora todo o investimento que a
empresa fez até o momento na abertura de outros
mercados. É importante lembrar que é muito difícil
abrir novos clientes, mas muito fácil perdê-los sem
possibilidade de retorno, sem deixar de salientar que já
vivenciamos diversas outras crises em um mercado tão
cíclico.
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