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TILLYA TEPE: TESOURO RECUPERADO
2ª parte

Julieta Pedrosa*


O sítio arqueológico encontrado data de um tempo na Bactria sobre o qual se sabe muito pouco. Segundo o arqueólogo Hiebert, é muito difícil precisar quem eram esses nômades, mas os objetos e jóias encontrados podem ajudar a entender o papel que os mesmos tinham no comércio existente na Rota da Seda e no relacionamento com as diversas culturas existentes na região.

O tesouro, ainda em estudo, pode eventualmente revelar novas informações sobre o espaço de tempo perdido na História que vai do declínio do reino greco-bactriano até a ascensão do grande império Kushan. Alguns objetos encontrados são pouco comuns: uma moeda de ouro que mostra em uma de suas faces um homem descansando na Roda do Dharma e, na outra, um leão com uma das patas elevadas. Uma outra moeda é estampada com o perfil do imperador romano Tibério, e é considerada a primeira moeda deste tipo a ser encontrada na Ásia Central.

Ainda, um par de fivelas de ouro mostra Cupido com dois golfinhos, mas sendo representado como um homem mais velho e de aparência cínica, bem diferente da forma como este deus grego era representado e os dois golfinhos são mais parecidos com peixes que habitam o rio Amu Darya do que com os originais.

Durante as três últimas décadas, estima-se que mais de 2/3 do acervo do Museu de Cabul foi destruído, já que o prédio foi severamente bombardeado em diversas ocasiões. Mas o tesouro de Tillya Tepe permaneceu intacto, graças à absoluta discrição dos funcionários do museu envolvidos na operação para colocar o tesouro em um lugar secreto e de difícil acesso (até hoje não se sabe onde foi este lugar).

O conteúdo das seis tumbas oferece algumas respostas e muitas perguntas sobre a Rota da Seda e sobre a cultura bactriana no primeiro século DC. Ainda é impossível para os estudiosos envolvidos apontar por que e de que causas os nômades morreram e por que o antigo templo foi escolhido como local funerário. As sugestões passam por calamidades como fome, doença fatal ou um ataque desfechado contra o grupo.


*Julieta Pedrosa - carioca, arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da joalheria, é designer de jóias e professora de História da Joalheria e de Gemologia básica em Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail:
julieta@julietapedrosa.com.br
site:
www.julietapedrosa.com.br