As gemas,
de início lapidadas “em mesa” (a superfície
reta que fazia com que os diamantes adquirissem um brilho escuro),
passaram a ser lapidadas “em rosa” a partir do início
do século XVII - gemas lapidadas com a base plana e tendo um
domo recortado em facetas triangulares. Este novo século trouxe
o Barroco, onde a troca de estilo foi evidente, com as jóias
tornando-se um símbolo de status social devido à grande
quantidade de gemas na mesma peça - fato ocasionado por causa
da considerável melhoria na lapidação das mesmas.
O design, no Barroco, perde a expressão artística que
teve no período anterior. Mas utilizavam-se menos jóias.
Os motivos
decorativos principais eram a natureza, notadamente flores e pássaros
do Novo Mundo, e os laços, feitos de fitas de tecido ou de
ouro, aos quais eram anexados pendentes e eram usados para adornar
tanto vestidos femininos quanto vestes masculinas. As fivelas para
sapatos continuam em moda, assim como brincos e anéis, para
homens e mulheres.
Com
o início do século XVIII começaram as expedições
dos Bandeirantes ao interior do país, que trouxeram uma importante
consequência: a descoberta de minas de ouro e gemas como os
diamantes, os topázios e as esmeraldas. Perto de 1.000 toneladas
de ouro e três milhões de quilates de diamantes foram
extraídos do país entre 1700 e 1800. Devido ao Tratado
de Methuen em 1703, a Inglaterra passou a suprir Portugal com produtos
têxteis e estes eram pagos com ouro das minas brasileiras. O
aporte do ouro brasileiro à Inglaterra ajudou a estimular a
Revolução Industrial e teve como negativa conseqüência
para o Brasil Colonial o desencorajamento do desenvolvimento industrial,
já que os ingleses passaram a suprir as colônias com
produtos industrializados.
Este
século também viu chegar o apogeu do tráfico
de escravos negros, graças à exploração
das minas de ouro e gemas: quase dois milhões de africanos
foram desembarcados nos portos brasileiros até 1822. Com a
conseqüente miscigenação ocorrida entre os brancos
e os escravos negros, já na década de 1770 eram esmagadora
maioria os mulatos na capitania das Minas. Muitos deles aprenderam
de mestres europeus as diversas expressões artísticas
do estilo Barroco e, junto com a herança cultural ancestral
vinda da África, produziram interessantes peças de joalheria.
Mas a exploração do ouro e das gemas trouxe também
milhares de migrantes das plantações nas costas brasileiras,
atraiu uma nova e grande imigração de Portugal e estimulou
o crescimento da criação de gado assim como o boom das
plantações de cana-de-açúcar e café.
Novas cidades surgiram nos atuais estados de Minas Gerais, Goiás,
Rio de Janeiro e São Paulo, e uma nova e rica classe social
surgiu, atraindo o trabalho de ourives vindos de Portugal e da Espanha,
mas que notadamente ainda mantinham sua fonte de inspiração
e criação no Velho Mundo.
Mas
se na Europa as peças passaram a ser assimétricas e
leves por causa do estilo Rococó - originado em Paris na década
de 1730 - se comparadas com as jóias barrocas, aqui no Brasil
tenderam a ser mais pesadas e adornadas com gemas em profusão,
devido à abundância e a proximidade das minas de ouro
e pedras preciosas, evidenciando a preferência pela continuação
do estilo Barroco.
Apenas
para os pertencentes ao extrato mais alto da então sociedade
colonial brasileira surgem, pela primeira vez, jóias para serem
utilizadas durante o dia, mais leves, e jóias para serem usadas
à noite, desenhadas especialmente para resplandecerem iluminadas
pela luz dos candelabros.
As caixinhas
para rapé feitas em ouro e decoradas com gemas eram moda entre
os homens, assim como as chatelaines – correntes usadas à
volta da cintura feminina, nas quais eram penduradas ricas bolsinhas
decoradas com fios de ouro e gemas assim como pequenos objetos confeccionados
no metal precioso, como chaves, tesourinhas e caixinhas para pó-de-arroz
e perfumes - eram uma das peças preferidas entres as mulheres.
Tanto as roupas masculinas quanto as femininas passaram também
a ser adornadas com botões decorados com gemas.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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